Divinópolis terminou as eleições de 2026 com uma presença política que chama a atenção em todo o estado. Sete nomes ligados à cidade foram eleitos para cargos de destaque em Minas e em Brasília: Cleitinho Azevedo para o Governo de Minas, Domingos Sávio para o Senado, Gleidson Azevedo, Ana Elisa e Gleide Andrade para a Câmara dos Deputados, além de Eduardo Azevedo e Lohanna para a Assembleia Legislativa. O resultado levou o jornalista Murilo Rocha a definir Divinópolis como uma “nova capital política” de Minas.
A expressão usada por Murilo não significa que Divinópolis tenha deixado de ser uma cidade do interior ou que tenha assumido oficialmente a capital do estado. Belo Horizonte continua sendo a capital de Minas Gerais e sede dos principais órgãos do governo estadual. A referência é política e simbólica: diz respeito à concentração de lideranças eleitas e ao espaço que elas passarão a ocupar nas decisões do estado.
“Minas Gerais tem uma nova capital, e essa capital é Divinópolis”, afirmou Murilo Rocha ao analisar o resultado das urnas.
A força dessa frase está justamente na quantidade e na diversidade dos cargos conquistados. Divinópolis terá um representante no comando do Executivo estadual, outro no Senado e cinco nomes distribuídos entre a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa.
De Divinópolis para o comando de Minas
O resultado mais expressivo é o de Cleitinho Azevedo. Natural de Divinópolis, ele foi eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, com 55,40% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. A vitória colocou um político cuja trajetória começou no município no principal cargo do Executivo mineiro.
Cleitinho começou a carreira política como vereador de Divinópolis, passou pela Assembleia Legislativa e chegou ao Senado antes de disputar o Governo de Minas. Agora, a partir de 2027, estará à frente do estado, levando para o Palácio do Governo uma trajetória construída inicialmente na política local.
No Senado, Divinópolis também terá uma conexão direta com uma das duas vagas conquistadas por Minas. Domingos Sávio foi eleito senador pelo PL, com 24,21% dos votos válidos. Embora tenha nascido em São Tiago, no Campo das Vertentes, ele construiu parte importante de sua carreira política em Divinópolis, onde foi vereador e prefeito antes de chegar à Assembleia e à Câmara dos Deputados.
Brasília também terá sotaque divinopolitano
A presença da cidade no Congresso será reforçada por três deputados federais eleitos com ligação direta com Divinópolis.
Ana Elisa, do PT, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados com 524.219 votos e terminou como a segunda candidata mais votada de Minas para deputado federal, atrás apenas de Nikolas Ferreira. Gleide Andrade, também do PT, foi eleita com 130.253 votos, enquanto Gleidson Azevedo, do Republicanos, recebeu 126.248 votos.
O resultado também evidencia que a força eleitoral vinculada a Divinópolis não ficou restrita a um único grupo político. Ana Elisa e Gleide representam o campo progressista, enquanto Gleidson integra o grupo político dos irmãos Azevedo. São trajetórias e posicionamentos distintos que, a partir de 2027, estarão sentados no mesmo Parlamento para representar Minas Gerais.
Assembleia também terá dois nomes
A representação de Divinópolis se completa na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Eduardo Azevedo, irmão de Cleitinho e Gleidson, foi reeleito deputado estadual. Lohanna, que construiu sua trajetória política em Divinópolis e já exerceu mandato de vereadora e deputada estadual, foi eleita para a Câmara dos Deputados, ampliando sua atuação para Brasília.
Assim, o município terá nomes ligados à sua trajetória política em diferentes espaços de poder. O governador estará no Executivo estadual; Domingos Sávio ocupará uma cadeira no Senado; Gleidson, Ana Elisa e Gleide estarão na Câmara; e Eduardo terá novo mandato na Assembleia, enquanto Lohanna também seguirá para o Congresso Nacional.
O que muda para Divinópolis?
A eleição de sete nomes com vínculos com o município não significa, automaticamente, que todos atuarão politicamente em conjunto. Eles pertencem a partidos diferentes, possuem trajetórias distintas e representam campos políticos que nem sempre convergem.
O que muda é a quantidade de portas que Divinópolis passa a ter abertas em Brasília e Belo Horizonte. A cidade terá uma presença simultânea no Governo de Minas, no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.
É justamente essa combinação que explica a expressão utilizada por Murilo Rocha.
Ao falar em “nova capital política de Minas”, o jornalista não está falando de uma mudança administrativa, mas de uma cidade que, depois das eleições, passou a concentrar um número incomum de lideranças em posições de poder.
E o resultado chama ainda mais atenção porque Divinópolis é uma cidade do interior. A partir de 2027, decisões tomadas no Governo de Minas, no Senado, na Câmara e na Assembleia terão entre seus protagonistas pessoas que nasceram na cidade ou construíram ali parte importante de suas trajetórias políticas.
A eleição, portanto, não mudou a capital oficial de Minas. Mas mudou o tamanho político de Divinópolis no mapa do estado e é essa transformação que sustenta a provocação de que a cidade se tornou uma “nova capital política” mineira.






