Ainda no dia da eleição, após proclamação da Vitória de Cleitinho no primeiro turno, Roscoe depois de sofrer uma derrota acachapante na disputa pelo Governo de Minas Gerais, anunciou que estaria de volta a presidência, onde reassumiu o cargo nesta segunda-feira (5). O empresário, que havia se licenciado da entidade para entrar na corrida eleitoral, reassumiu o comando da Federação das Indústrias de Minas Gerais para cumprir os últimos meses de seu mandato, previsto para terminar em dezembro. O retorno foi marcado por uma coletiva de imprensa, às 15h, na sede da entidade, em Belo Horizonte.
Roscoe volta à entidade depois de uma eleição em que ficou muito distante do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos). Conforme o resultado oficial mineiro, Cleitinho venceu ainda no primeiro turno, com 55,40% dos votos válidos e 6.321.351 votos. Roscoe terminou em terceiro lugar, com 6,97% e 795.185 votos, atrás também de Patrus Ananias (PT), que alcançou 26,34%. O desempenho nas urnas dá dimensão ao tamanho da derrota do empresário, que havia deixado temporariamente uma das entidades empresariais mais influentes do Estado para tentar chegar ao Palácio Tiradentes.
Da FIEMG para as urnas e, agora, das urnas para a FIEMG
A passagem de Roscoe pela campanha eleitoral começou oficialmente após sua desincompatibilização da Federação. Antes de deixar a função, ele anunciou que se afastaria a partir de 3 de abril para cumprir as exigências legais e estatutárias necessárias à participação no processo eleitoral. A própria Federação das Indústrias informou, naquele momento, que Roscoe encerrava temporariamente uma gestão marcada por investimentos, ampliação da base associativa e atuação institucional em defesa do setor produtivo mineiro.
A tentativa de transformar a projeção conquistada no setor empresarial em força eleitoral, entretanto, não produziu o resultado esperado. Roscoe entrou na disputa pelo PL, mas não conseguiu ameaçar a liderança de Cleitinho e tampouco ultrapassar Patrus Ananias. Ao final da apuração, sua votação ficou abaixo de 7% dos votos válidos, resultado bastante distante daquele necessário para levá-lo a um eventual segundo turno.
O retorno à presidência da FIEMG, portanto, representa uma mudança rápida de cenário. Sai de cena o candidato ao Governo de Minas e volta o dirigente empresarial que ainda possui responsabilidades administrativas e institucionais até o encerramento formal de seu mandato.
Roscoe terá menos de três meses para concluir mandato
De volta à presidência, Flávio Roscoe permanecerá à frente do Sistema FIEMG até dezembro deste ano. A diretoria da Federação ainda apresenta Roscoe como presidente licenciado, condição decorrente justamente do período em que esteve afastado para participar das eleições. Com o fim da campanha, ele retorna para conduzir a etapa final da atual administração.
A transição, porém, já tem destino definido. Guilherme Silva Costa Abrantes foi eleito presidente da Federação para o período de 2027 a 2030. Curiosamente, Roscoe também continuará ligado à estrutura da entidade na próxima administração: ele integra a diretoria eleita como um dos vice-presidentes. A próxima gestão industrial assumirá a Federação depois do encerramento do atual mandato, em dezembro.
Assim, apesar da tentativa frustrada de migrar diretamente da liderança empresarial para o comando do Executivo mineiro, Roscoe não se afasta do ambiente institucional da indústria. Pelo contrário, retorna imediatamente à Federação e deverá permanecer influente na entidade também após deixar a presidência.
Coletiva deve misturar indústria e política
Na coletiva marcada para esta segunda-feira, Roscoe deverá falar sobre os próximos passos da FIEMG durante os meses finais de sua gestão e apresentar as principais demandas do setor industrial para 2027. A expectativa também é de que seja questionado sobre o resultado das eleições e sobre seu futuro político depois da derrota nas urnas.
Segundo a entidade, o presidente abordará ainda o cenário político de Minas Gerais e do Brasil. A discussão ganha importância porque Roscoe sai de uma campanha eleitoral diretamente para uma posição de representação institucional do empresariado mineiro, justamente no momento em que o Estado se prepara para uma nova administração a partir de janeiro.
Entre os desafios que permanecem sobre a mesa estão carga tributária, custo de energia, qualificação profissional, infraestrutura, segurança jurídica, reforma tributária e competitividade. Uma pesquisa recente da Federação mostrou, por exemplo, retração da atividade industrial mineira em agosto e perspectivas negativas para demanda, compra de matérias-primas e investimentos. A indústria mineira prevê um ambiente de maior cautela nos próximos meses.
FIEMG mantém peso econômico e político em Minas
A volta de Roscoe ocorre em uma entidade que possui forte capacidade de interlocução com governos, Congresso, Assembleia Legislativa e setores produtivos. A FIEMG representa os interesses da indústria mineira e reúne, dentro do Sistema FIEMG, instituições como SESI, SENAI, IEL e CIEMG. A estrutura industrial mineira atua em áreas que vão desde formação profissional e inovação até defesa de interesses empresariais e melhoria do ambiente de negócios.
Durante a gestão de Roscoe, a Federação também intensificou o acompanhamento de projetos legislativos e ações judiciais envolvendo temas de interesse das empresas. Em balanço divulgado antes de seu afastamento, a entidade informou que acompanhou mais de 12 mil projetos de lei, realizou mais de 39 mil atendimentos a indústrias e sindicatos e ampliou sua base associativa para mais de 8 mil integrantes.
É neste ambiente que Roscoe retorna após a tentativa de ingressar definitivamente na política eleitoral. Se nas urnas a resposta foi contundente, com apenas 6,97% dos votos válidos para governador, na FIEMG ele volta a ocupar uma posição que conhece há anos e da qual saiu justamente para tentar transformar influência empresarial em capital político.
Serviço: coletiva de imprensa
A coletiva com Flávio Roscoe aconteceu nesta segunda-feira, 5 de outubro, às 15h, na sede da FIEMG, localizada na Avenida do Contorno, 4456, bairro Funcionários, em Belo Horizonte. Durante o encontro, o presidente deverá detalhar as prioridades do setor industrial para o próximo ano, os últimos passos de sua administração e suas avaliações sobre o futuro político de Minas Gerais e do País.
A entrevista também marcou a primeira manifestação mais ampla de Roscoe após o resultado das urnas. Depois de deixar a FIEMG para tentar governar Minas, ele retorna à Federação com uma realidade política bastante diferente daquela projetada no início da campanha e com apenas algumas semanas para concluir seu período à frente da entidade.






