Romeu Zema (Novo) mantém sua candidatura à Presidência da República, mas liberou candidatos de seu partido para declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) ainda no primeiro turno. A decisão cria uma situação incomum na disputa presidencial: Zema continua pedindo votos para si enquanto aliados da própria legenda podem fazer campanha por um adversário. Segundo interlocutores do Novo ouvidos pela CNN Brasil, ele pretende permanecer na corrida até a votação de 4 de outubro.
O movimento ocorre em meio à pressão de aliados de Flávio para concentrar votos da direita no candidato do PL. Na sexta-feira (25), a Revista Oeste publicou que o Novo avaliava uma possível desistência de Zema e poderia decidir o futuro da candidatura até segunda-feira (28). A reportagem atribuiu a informação à sua apuração de bastidores e afirmou que a decisão dependeria de pesquisas internas. Até o momento, não houve anúncio de retirada.
Candidatos do Novo tomam outro caminho
A liberação dada por Zema já tem efeito dentro do partido. A candidata a deputada federal Marina Helena anunciou apoio a Flávio no primeiro turno e disse ter conversado com o ex-governador antes de tornar sua posição pública, conforme relatou à CNN. A liberdade concedida aos correligionários permite que a campanha presidencial do Novo continue formalmente em andamento, mesmo com integrantes da legenda trabalhando por outra candidatura ao Planalto.
Essa divisão torna a mensagem do partido menos uniforme na reta final. Para o eleitor, a pergunta é direta: se Zema continua candidato, por que aliados do Novo estão autorizados a apoiar Flávio antes do primeiro turno? A resposta política passa pela tentativa de reunir votos em torno do nome do PL, que aparece à frente de Zema nas pesquisas. Essa é uma leitura da movimentação, não uma desistência confirmada.
Vice rejeita retirada da candidatura
O senador Eduardo Girão (Novo), candidato a vice-presidente na chapa de Zema, defende que a campanha siga até o fim do primeiro turno. À CNN, rejeitou a possibilidade de desistência. Girão também disse à Revista Oeste que se opõe à pressão pelo chamado “voto útil” e quer preservar a opção de voto em Zema nas urnas.
Há, portanto, duas posições distintas no debate: apoiar Flávio caso ele enfrente Lula em um eventual segundo turno e abandonar a candidatura de Zema para apoiá-lo já no primeiro. Zema declarou que apoiaria Flávio em uma disputa de segundo turno contra o presidente. Isso, por si só, não representa uma decisão de deixar a corrida agora.






