Zema segura Mateus enquanto aliados pressionam por apoio a Flávio em MG

Zema libera aliados para apoiar Flávio Bolsonaro em outros estados, mas em Minas a conta é diferente: Mateus Simões e Flávio Roscoe disputam o mesmo eleitorado da direita.

Publicado por: Cassia Misael

Na reta final, ex-governador enfrenta pressão para abrir mão da candidatura presidencial, enquanto aliados de Mateus Simões defendem aproximação com Flávio Bolsonaro; em Minas, movimento esbarra em Flávio Roscoe A disputa pela Presidência da República começa a produzir efeitos diretos na eleição para o governo de Minas Gerais. Enquanto Romeu Zema é pressionado por aliados da direita a desistir da candidatura presidencial e apoiar Flávio Bolsonaro, integrantes do próprio grupo de Mateus Simões defendem que o candidato ao governo mineiro também se aproxime do senador. O problema é que, em Minas, Flávio Bolsonaro já tem um candidato: Flávio Roscoe, que disputa justamente uma parcela do eleitorado que Mateus precisa conquistar para tentar avançar na reta final.

O cenário coloca Zema diante de uma situação politicamente delicada. De um lado, o ex-governador sofre pressão nacional para concentrar o voto da direita em Flávio Bolsonaro e permitir que aliados do Novo façam movimentos nessa direção. De outro, existe uma eleição estadual em Minas na qual Mateus Simões tenta defender o projeto de continuidade do grupo político liderado por Zema, enquanto Roscoe busca crescer com o apoio do candidato presidencial do PL. A questão, portanto, deixou de ser apenas uma disputa pela Presidência e passou a envolver diretamente a sucessão no estado.

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Pressão sobre Zema aumenta na reta final

A pressão sobre Zema ganhou força diante do desempenho de sua candidatura presidencial nas pesquisas mais recentes. Na Quaest divulgada em 28 de setembro, o ex-governador aparece com 1% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 34% e Lula aparece com 39%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 24 e 28 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

O desempenho abriu espaço para uma discussão dentro do campo da direita sobre a concentração de votos em Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno. A pressão não parte apenas de adversários de Zema. Segundo informações divulgadas nos últimos dias, integrantes do próprio Novo e aliados de outros estados passaram a defender que o ex-governador desista da candidatura ou, ao menos, permita que candidatos da legenda façam campanha por Flávio. Zema, entretanto, continua oficialmente na disputa.

A situação ganhou uma particularidade ainda maior porque, segundo a Itatiaia, Zema teria liberado candidatos do Novo em outros estados para declarar apoio a Flávio Bolsonaro, mas não teria dado o mesmo sinal verde a Mateus Simões em Minas Gerais. A diferença é relevante porque Mateus não está apenas tentando ajudar um projeto presidencial: ele disputa uma eleição estadual na qual o principal nome apoiado por Flávio Bolsonaro é um de seus concorrentes.

Mateus está no centro da disputa pela direita

A pressão para que Mateus se aproxime de Flávio Bolsonaro aparece justamente quando a corrida pelo governo de Minas entra em sua fase decisiva. Aliados do candidato defendem que ele declare apoio ao presidenciável do PL, inclusive como forma de tentar conquistar uma parcela maior do eleitorado bolsonarista. A movimentação, porém, esbarra na posição de Zema e na presença de Flávio Roscoe na mesma disputa.

O problema político é que Mateus e Roscoe disputam espaços semelhantes no eleitorado de direita, mas chegam à reta final com referências nacionais diferentes. Mateus está diretamente associado ao governo Zema e tenta representar a continuidade da atual administração estadual. Roscoe, candidato do PL, tem o apoio de Flávio Bolsonaro e busca transformar essa conexão nacional em votos para a eleição mineira.

Nesse cenário, uma declaração de Mateus em favor de Flávio Bolsonaro poderia aproximá-lo do eleitorado bolsonarista, mas também criaria uma situação política delicada dentro da própria disputa estadual, já que Roscoe é o candidato do partido de Flávio ao governo. É justamente essa sobreposição de interesses que tornou a decisão de Zema tão relevante nesta última semana.

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Pesquisa mostra Mateus e Roscoe empatados

Os números mais recentes ajudam a explicar a importância dessa disputa. A pesquisa Real Time Big Data divulgada na segunda-feira (28) mostra Cleitinho Azevedo na liderança, com 38% das intenções de voto, seguido por Patrus Ananias, com 20%. Alexandre Kalil aparece com 9%, enquanto Mateus Simões e Flávio Roscoe têm 8% cada. Gabriel Azevedo registra 5%.

O levantamento entrevistou 2 mil eleitores entre 23 e 26 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Considerando a margem de erro, Mateus, Roscoe e Kalil estão tecnicamente próximos. O dado mostra que, embora Cleitinho e Patrus estejam à frente nesse levantamento, existe uma disputa concentrada entre os candidatos que aparecem logo abaixo.

A pesquisa também ajuda a explicar por que o eleitorado de direita se tornou um dos principais alvos da reta final. Cleitinho lidera com uma vantagem significativa, enquanto Mateus e Roscoe tentam ampliar suas respectivas bases para se aproximar dos candidatos que ocupam as duas primeiras posições. Nesse cenário, o apoio de lideranças nacionais pode ter peso político, embora os efeitos eleitorais de qualquer declaração de apoio não possam ser determinados antecipadamente.

Roscoe é a peça que muda a equação

A presença de Flávio Roscoe modifica a relação entre Zema, Mateus e Flávio Bolsonaro. Se a discussão estivesse restrita à eleição presidencial, a decisão de Mateus de apoiar Flávio poderia ser apresentada apenas como uma aproximação entre candidatos do mesmo campo político. Em Minas, entretanto, a escolha ocorre dentro de uma disputa na qual Roscoe é adversário direto de Mateus.

Essa circunstância explica por que a pressão sobre Zema tem um significado diferente no estado. Ao liberar um aliado para apoiar Flávio Bolsonaro, o ex-governador não estaria tratando apenas de uma eleição nacional. No caso de Mateus, qualquer movimento também poderia repercutir na disputa pelo governo mineiro, onde o candidato do Novo/PSD tenta construir uma candidatura competitiva diante de adversários com diferentes perfis e alianças.

É justamente nesse ponto que surge a principal questão política do momento: como Zema pode permitir uma aproximação de seus aliados com Flávio Bolsonaro no cenário nacional sem, ao mesmo tempo, criar dificuldades para Mateus Simões na disputa pelo governo de Minas?

A sombra da “cristianização”

A palavra “cristianização” começou a aparecer nas análises sobre o episódio para descrever a possibilidade de uma candidatura perder o apoio efetivo de seus próprios aliados durante a campanha. O termo remete à eleição presidencial de 1950, quando Cristiano Machado, candidato do PSD, foi abandonado por setores do próprio partido, que passaram a apoiar Getúlio Vargas.

No caso de Zema e Mateus, porém, a expressão precisa ser tratada com cautela. Não há, até o momento, uma declaração pública de Zema anunciando que abandonará Mateus ou retirará apoio à sua candidatura. O que existe é uma circunstância política concreta: aliados de Mateus defendem uma aproximação com Flávio Bolsonaro, enquanto Zema, segundo as informações divulgadas nesta terça-feira (29), não teria autorizado esse movimento em Minas.

Por isso, mais do que afirmar que Mateus está sendo “cristianizado”, o que a reta final mostra é uma disputa sobre qual projeto político terá prioridade dentro do mesmo campo eleitoral. Zema precisa administrar sua candidatura presidencial e a pressão pelo voto útil em Flávio; Mateus precisa conquistar espaço na corrida pelo governo; Roscoe tenta ampliar sua votação a partir do apoio de Flávio; e Cleitinho aparece como líder em diferentes levantamentos.

A disputa nacional bate à porta de Minas

A situação também revela como as duas eleições estão cada vez mais conectadas. Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro tenta atrair eleitores de candidatos que aparecem com percentuais menores nas pesquisas, enquanto Zema enfrenta dificuldades para transformar sua candidatura em uma alternativa competitiva. Na eleição mineira, por outro lado, o eleitorado de direita está dividido entre nomes que apresentam diferentes relações com o bolsonarismo e com o atual governo estadual.

A pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro já mostrava Cleitinho com 40%, Patrus com 15%, Kalil com 9%, e Mateus Simões e Flávio Roscoe com 5% cada. Poucos dias depois, o Real Time Big Data apontou Cleitinho com 38%, Patrus com 20% e Mateus e Roscoe com 8%. Como os levantamentos foram realizados em períodos diferentes e possuem metodologias próprias, os números não devem ser tratados como uma série única, mas evidenciam a existência de uma disputa entre diferentes candidaturas na faixa intermediária da corrida.

E o cenário continua mudando. Uma pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada nesta terça-feira (29) apresentou outro retrato da corrida, com Cleitinho em 41,8% e Patrus Ananias em 33,6% no primeiro turno. O levantamento ouviu 1.838 eleitores entre 22 e 27 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE sob o número MG-04294/2026.

A diferença entre os levantamentos reforça a necessidade de cautela na leitura dos números, mas também mostra por que a última semana ganhou tanta importância. Com diferentes pesquisas apresentando cenários distintos e com a campanha entrando nos últimos dias antes da votação, os movimentos dos candidatos e de seus principais aliados passam a ser observados com atenção.

O dilema de Zema na última semana

É nesse contexto que a posição de Zema ganha peso. O ex-governador não precisa apenas decidir como conduzir sua própria candidatura presidencial diante da pressão por uma união em torno de Flávio Bolsonaro. Ele também precisa lidar com o fato de que seu principal projeto de continuidade política em Minas está representado por Mateus Simões, candidato que busca espaço em uma disputa na qual o próprio Flávio Bolsonaro possui outro aliado.

A questão não é simplesmente escolher entre Zema e Flávio, ou entre Mateus e Roscoe. O que está em jogo é a maneira como diferentes projetos da direita serão acomodados na reta final. Uma aproximação nacional entre Novo e PL pode produzir efeitos diferentes em cada estado, e Minas é particularmente sensível porque reúne Zema, Mateus, Roscoe e Cleitinho em uma disputa pelo mesmo eleitorado.

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a margem para novos movimentos é pequena. A pressão sobre Zema, a cobrança para que Mateus se aproxime de Flávio e a presença de Roscoe como candidato apoiado pelo senador colocam Minas no centro de uma disputa que ultrapassa os limites da eleição estadual.

No fim, o ponto mais importante desta reta final é justamente a contradição que se abriu diante de Zema: enquanto aliados pressionam pela união da direita em torno de Flávio Bolsonaro no cenário nacional, Mateus Simões precisa de espaço em Minas para enfrentar adversários que também disputam o voto desse mesmo campo político. A decisão sobre até onde avançar nessa aproximação pode se tornar um dos movimentos mais observados dos últimos dias de campanha.

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