Racha no PL: Flávio Roscoe perde apoios no próprio partido e vê correligionários aderirem a Cleitinho em Minas

Domingos Sávio, Maurício do Vôlei, Junio Amaral, Sargento Rodrigues e Vile Santos estão entre nomes do PL que fizeram movimentos em direção ao candidato do Republicanos; analistas políticos avaliam que ele deveria desistir

Publicado por: Geraldo Passos

A candidatura de Flávio Roscoe ao Governo de Minas enfrenta uma situação incomum dentro do próprio Partido Liberal: enquanto o ex-presidente da Fiemg carrega oficialmente a sigla na disputa pelo Palácio Tiradentes, uma sequência de candidatos, deputados e lideranças do PL passou a manifestar apoio, participar de atos ou fazer campanha ao lado do senador Cleitinho Azevedo, candidato do Republicanos. O movimento ganhou dimensão ainda maior quando Domingos Sávio, ex-presidente estadual do PL e candidato ao Senado na chapa encabeçada por Roscoe, subiu no palanque de Cleitinho em Paracatu e declarou publicamente estar ao lado do senador e de seu vice, Luís Eduardo Falcão – Militantes da direita avaliam que Roscoe deveria “jogar a toalhar” e aderir candidatura do senador.

A movimentação ocorre na reta final de uma eleição em que Cleitinho aparece numericamente à frente nas pesquisas. No Datafolha divulgado em 24 de setembro, o candidato do Republicanos registrou 40% das intenções de voto, enquanto Roscoe apareceu com 5%, mesmo percentual de Mateus Simões. O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 22 e 24 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e foi registrado sob o número MG-07400/2026. Esses números representam uma fotografia daquele período e não uma previsão do resultado das urnas.

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O Divinews acompanha esse movimento dentro da cobertura das Eleições 2026 do Divinews, especialmente porque parte importante dessa articulação passa por nomes com forte atuação no Centro-Oeste de Minas.

Domingos Sávio protagoniza movimento mais simbólico

O caso de Domingos Sávio é politicamente o mais emblemático porque ele não é apenas um filiado qualquer. O deputado federal presidiu o PL em Minas até o início do período eleitoral, participou das articulações que culminaram na candidatura de Roscoe e disputa uma das vagas ao Senado pela chapa partidária. Mesmo assim, em ato realizado em Paracatu no dia 21 de setembro, Domingos apareceu abraçado a Cleitinho, dividiu palanque com o candidato do Republicanos e afirmou que estava com ele e com Falcão por admiração e respeito.

O episódio, porém, tem uma nuance importante. Enquanto veículos como Estado de Minas, Itatiaia, Metrópoles e O TEMPO registraram a declaração pública de apoio de Domingos a Cleitinho, pessoas próximas ao deputado disseram à Rede 98 que a aproximação não significaria rompimento formal com Roscoe e que ele continuaria apoiando o candidato oficial do PL. Ou seja, há um apoio público e evidente a Cleitinho, mas aliados de Domingos sustentam que isso não elimina sua vinculação partidária à chapa de Roscoe.

A situação expõe a complexidade do arranjo. O próprio O TEMPO informou que Domingos já demonstrava proximidade com Cleitinho antes da definição das candidaturas e que a articulação entre os dois vinha sendo construída quando o senador ainda era tratado como possível nome capaz de unir setores da direita mineira. Mesmo depois de o PL lançar Roscoe, essa relação política permaneceu.

Maurício do Vôlei, Junio Amaral e Vile também caminharam para Cleitinho

Domingos não está sozinho. Reportagem do Metrópoles identificou Maurício do Vôlei, Vile Santos e Junio Amaral, todos ligados ao PL, entre candidatos que passaram a manifestar apoio a Cleitinho em detrimento da candidatura oficial de Roscoe. No caso de Maurício do Vôlei, a aproximação não surgiu agora: ainda em junho, o deputado federal defendia publicamente a possibilidade de o PL apoiar Cleitinho ao Governo de Minas e dizia que a legenda estava atrasada na montagem do palanque estadual.

Vile Santos, vereador de Belo Horizonte e candidato a deputado federal, recebeu inclusive autorização partidária para seguir com Cleitinho. A direção estadual também liberou Eduardo Azevedo, deputado estadual do PL e irmão do candidato do Republicanos, para apoiar a candidatura familiar. Nesses dois casos, portanto, não se trata de um ato de rebeldia clandestina dentro da sigla, mas de uma dissidência conhecida e tolerada pelo próprio partido.

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Junio Amaral aparece em reportagens mais recentes entre os candidatos do PL que decidiram se alinhar à candidatura de Cleitinho. O conjunto desses movimentos amplia a divisão interna e produz uma situação peculiar: o partido mantém candidato próprio ao Governo de Minas, mas parte de sua estrutura eleitoral trabalha, de formas diferentes, para outro nome.

Sargento Rodrigues também declarou apoio

Outro nome que se afastou da linha oficial foi Sargento Rodrigues. O deputado estadual declarou apoio a Cleitinho em vídeo divulgado em 20 de setembro. A posição, na verdade, já vinha sendo construída havia meses: em março, Rodrigues defendia abertamente que o PL desistisse de candidatura própria e fechasse com Cleitinho, inclusive oferecendo a vaga de vice.

Com isso, a adesão na reta final não surgiu de uma mudança súbita. Ela consolidou uma divergência que já existia antes da convenção partidária e que acabou permanecendo mesmo depois da escolha de Roscoe como candidato oficial.

Para acompanhar outros movimentos na disputa pelo Governo de Minas Gerais, o Divinews vem acompanhando desde o início da campanha as alianças, rompimentos e mudanças de posição dentro dos principais partidos.

Marli Ribeiro e Igor Santos aparecem em ato com Cleitinho

O ato de Paracatu também mostrou que a aproximação vai além dos nomes mais conhecidos. O prefeito licenciado e candidato a deputado federal Igor Santos, do PL, participou da agenda com Cleitinho e Domingos Sávio. A deputada estadual Marli Ribeiro, também do PL, esteve na manifestação. O TEMPO registrou que os dois estavam no ato ao lado do candidato do Republicanos, reforçando visualmente a presença de integrantes do partido em uma atividade eleitoral adversária à candidatura oficial de Roscoe.

Isso não permite afirmar, automaticamente, que todos romperam formalmente com Roscoe. Mas mostra que a fronteira entre as duas campanhas ficou menos rígida na prática, especialmente em determinadas regiões e candidaturas proporcionais.

Roscoe rejeita interpretação de debandada

Flávio Roscoe, por sua vez, vem tentando diminuir o peso político das dissidências. Em agosto, ao ser questionado sobre os apoios de correligionários a Cleitinho, afirmou que não enxergava uma “debandada” dentro do PL e tratou parte dos casos como escolhas pessoais. Na ocasião, mencionou especificamente Eduardo Azevedo e Vile Santos, lembrando os vínculos familiares e pessoais que os dois mantêm com Cleitinho.

Depois, diante da ampliação do movimento, Roscoe também adotou uma postura pública de não disputar aqueles que escolheram outro caminho. Segundo O TEMPO, afirmou a militantes que não deveriam se abater caso um político do próprio partido apoiasse outro candidato e acrescentou que desejava ao seu lado aqueles que permanecessem nos momentos mais difíceis.

Essa é a principal resposta política do candidato até agora: reconhecer que existem apoios cruzados, mas rejeitar que isso represente uma crise capaz de definir sua candidatura.

PL havia tentado composição com Cleitinho antes de lançar Roscoe

O atual cenário também precisa ser entendido à luz das negociações anteriores. Antes da candidatura de Roscoe, o PL chegou a discutir uma aliança com Cleitinho. Reportagens da época mostram que a legenda negociava espaço na chapa do Republicanos e pretendia indicar a vice, além de Domingos Sávio para o Senado. A indefinição sobre a candidatura de Cleitinho e os prazos das convenções acabaram levando o partido a lançar candidatura própria.

A própria vice de Roscoe, Ellen Miziara, afirmou nesta semana que o PL fez sucessivos acenos ao senador e que, na avaliação dela, foi Cleitinho quem errou ao não fechar a composição. Segundo Ellen, a demora na definição do Republicanos acabou levando o PL a seguir caminho próprio com Roscoe.

Esse histórico ajuda a explicar por que tantos vínculos permaneceram mesmo depois da separação formal das chapas. Parte dos nomes que agora aparece ao lado de Cleitinho já defendia essa composição antes da campanha começar.

Apoios cruzados também atingem a campanha presidencial

A situação fica ainda mais peculiar porque Cleitinho, mesmo adversário de Roscoe no Estado, declarou apoio ao candidato presidencial do PL, Flávio Bolsonaro. A Folha registrou que a eleição mineira acabou produzindo uma espécie de “palanque duplo informal” para o presidenciável, já que tanto Roscoe quanto Cleitinho se apresentam no campo de apoio à candidatura nacional do PL.

Isso reduz a nitidez da divisão partidária no plano ideológico e ajuda a explicar por que integrantes do PL conseguem apoiar Cleitinho ao governo sem necessariamente se afastar da candidatura presidencial da própria legenda. Essa situação tem peso especial, isso porque Cleitinho e Domingos Sávio têm base eleitoral em Divinópolis, o que aproxima ainda mais os dois.

Partido chega à reta final dividido na prática

O quadro que emerge das últimas semanas é objetivo: Flávio Roscoe continua sendo o candidato oficial do PL ao Governo de Minas, mas não conseguiu manter todos os principais nomes da legenda trabalhando exclusivamente por sua candidatura. Cleitinho passou a receber apoio aberto ou participação de campanha de integrantes do mesmo partido que lançou Roscoe, enquanto outros foram formalmente liberados para seguir caminho diferente.

Isso não significa que o PL tenha abandonado institucionalmente seu candidato. Roscoe continua com dirigentes, militantes e parlamentares importantes ao seu lado, e a legenda oficialmente mantém sua candidatura ao Palácio Tiradentes. O que existe é uma dissidência interna documentada, que ficou mais visível na reta final e envolve desde candidatos proporcionais até figuras que participaram diretamente da construção da chapa.

O resultado político desse movimento será medido nas urnas. Até lá, os fatos mostram duas campanhas concorrentes disputando não apenas o eleitor da direita mineira, mas, em determinados casos, os próprios quadros do mesmo partido.

Em síntese, o resumo da ópera política é que Flávio Roscoe, até as convenções era um ilustre desconhecido, e como não decolou, está perdendo apoio e sendo rifado pelo partido

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