O ministro da Saúde, durante a visita em Nova Serrana por ocasião da inauguração do Hospital Regional do municipio, disse que o fim das bets não encerra os danos causados pelo vício em jogos. Alexandre Padilha, em entrevista afirmou que o SUS continuará atendendo apostadores e familiares e fará uma busca ativa de pessoas que apresentem sinais de comportamento compulsivo. O plano inclui o uso de informações sobre apostas para orientar equipes de saúde, enviar convites para atendimento e ampliar o acesso a consultas pelo celular. A declaração ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar, na sexta-feira (25), uma medida provisória que proíbe a exploração de bets no Brasil.
Padilha resumiu o desafio em uma frase: “Esse problema não acaba quando fecha o aplicativo.” Segundo o ministro, quem já perdeu dinheiro, comprometeu a renda da família ou desenvolveu dependência continuará precisando de acompanhamento mesmo depois que as plataformas saírem do ar.
A medida provisória proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online. Desde a publicação, as plataformas estão impedidas de receber novos depósitos. Os usuários têm até 5 de outubro, às 23h59, para retirar voluntariamente o saldo disponível. Os sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de 6 de outubro. Para quem não sacar os valores no prazo, a medida prevê devolução pelos bancos entre 9 e 14 de outubro. As demais modalidades lotéricas autorizadas em lei não entram nessa proibição.
Como funcionará a busca ativa
No segundo trecho da entrevista fornecida ao Divinews, Padilha explicou que o Ministério da Saúde acompanha o tema por meio de estudos e de uma parceria com o Ministério da Fazenda. Segundo ele, informações sobre o comportamento nas plataformas podem ajudar a identificar sinais de risco, como tempo gasto, horários de uso e possíveis padrões de compulsão.
A partir desses dados e das pessoas que já procuraram os serviços, o ministério pretende orientar equipes de saúde nos municípios e convidar usuários para avaliação. Padilha afirmou que o contato poderá ocorrer também por mensagens, com oferta de teleatendimento. A busca ativa é uma estratégia anunciada pelo ministro; a entrevista não detalhou critérios individuais, calendário de implantação ou quantas pessoas serão contatadas.
O governo também prevê intensificar o combate a sites que continuarem operando ilegalmente, com bloqueio de páginas e restrição dos meios de pagamento usados por essas plataformas. Padilha disse que o acompanhamento em saúde deverá alcançar inclusive pessoas que persistirem em apostar por meios irregulares. A medida provisória prevê a atuação conjunta de órgãos federais nessa fiscalização.
Mulheres e familiares também procuram ajuda
O ministro chamou atenção para um efeito que vai além de quem aposta. Segundo ele, embora os homens apostem mais, as mulheres têm procurado o teleatendimento também por causa dos problemas enfrentados por familiares. Há casos, relatou, em que elas próprias começam a jogar na tentativa de recuperar dinheiro perdido por pessoas próximas ou pagar contas comprometidas pelas apostas.
Mesmo quando não apostam, familiares podem sofrer com dívidas, conflitos dentro de casa e problemas de saúde mental. Por isso, o atendimento do SUS foi aberto tanto a apostadores quanto às pessoas próximas afetadas. O Ministério da Saúde confirma que o serviço remoto oferece acolhimento e orientação também aos familiares.
Padilha citou ainda os pedidos de autoexclusão, ferramenta pela qual a pessoa solicita o bloqueio do próprio CPF nas plataformas autorizadas. Na entrevista, afirmou que cerca de 1,5 milhão de brasileiros já haviam recorrido ao mecanismo e que parte deles relatou problemas de saúde. Os números foram apresentados pelo ministro durante a conversa e devem ser lidos como dados informados por ele naquele momento.
A dimensão do problema aparece também em pesquisas sobre saúde. O Ministério da Saúde informa que a mortalidade por suicídio entre pessoas com transtorno do jogo é 15 vezes maior, segundo referência da Organização Mundial da Saúde. Isso descreve um risco observado nesse grupo, não significa que todas as pessoas que apostam desenvolverão o transtorno.
Atendimento pelo celular e na rede local
Quem percebe perda de controle sobre as apostas pode buscar ajuda pelo aplicativo Meu SUS Digital. Após entrar com a conta gov.br, o usuário deve abrir a área “Miniapps”, selecionar a opção de saúde mental relacionada a apostas e responder a um autoteste. Conforme o resultado, poderá solicitar o teleatendimento. O serviço é sigiloso e também acolhe familiares.
O Ministério da Saúde informa que as consultas psicológicas ocorrem por videochamada. O profissional pode indicar um ciclo inicial de até dez sessões, seguido de nova avaliação. A pessoa poderá continuar o acompanhamento a distância ou receber encaminhamento para atendimento presencial. O cuidado também pode começar em uma Unidade Básica de Saúde e, quando necessário, seguir para um Centro de Atenção Psicossocial, o CAPS.
Padilha afirmou que a vergonha ainda impede muita gente de pedir ajuda. Por isso, pediu que familiares, amigos e pessoas próximas informem sobre a possibilidade de atendimento. A pessoa não precisa esperar que a situação se agrave para fazer o autoteste ou procurar uma unidade de saúde.






