A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (24) mantém Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança da disputa pelo Governo de Minas Gerais e mostra novo crescimento do senador na reta final da eleição. Cleitinho passou de 37% para 40% das intenções de voto na pesquisa estimulada e, quando considerados somente os votos válidos, avançou de 47% para 49%. Pela regra eleitoral, um candidato a governador precisa obter mais da metade dos votos válidos para encerrar a disputa no primeiro turno. No ponto central da pesquisa, portanto, Cleitinho está matematicamente um ponto percentual abaixo dessa marca.
O levantamento ouviu 1.204 eleitores mineiros entre terça-feira (22) e esta quinta-feira (24), por meio de entrevistas presenciais. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha e pela TV Globo e registrada na Justiça Eleitoral sob o número MG-07400/2026.
Cleitinho vai a 40% e abre 25 pontos sobre o segundo colocado
Na pesquisa estimulada, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Cleitinho aparece com 40%, contra 37% no levantamento anterior.
Patrus Ananias (PT) tem 15%, ante 13%. Alexandre Kalil (PDT) aparece com 9%, depois de registrar 11% anteriormente. Mateus Simões (PSD) e Flávio Roscoe (PL) têm 5% cada. Gabriel (MDB) aparece com 3%, Professor Túlio Lopes (PCB) com 2%, e Ben Mendes, Henrique Áreas, Rafael Duda e Indira Xavier registram 1% cada.
Os votos em branco, nulos ou em nenhum candidato representam 9%, enquanto 10% permanecem indecisos.
Na rodada anterior, Cleitinho tinha 37%, Patrus 13% e Kalil 11%. Isso significa que a distância entre o primeiro e o segundo colocado passou de 24 para 25 pontos percentuais.
Nos votos válidos, o número que importa é 49%
Quando o Datafolha exclui brancos, nulos e indecisos, Cleitinho alcança 49% dos votos válidos.
Patrus aparece com 18%, Kalil com 11%, Mateus Simões e Roscoe com 6% cada, Gabriel com 4%, Túlio Lopes e Ben Mendes com 2%, enquanto os demais registram 1%.
Esse cálculo é especialmente importante porque a Justiça Eleitoral utiliza os votos válidos, sem contar brancos e nulos, para definir se haverá segundo turno. Para governador, é necessária maioria absoluta, ou seja, mais de 50% dos votos válidos.
Portanto, considerando exclusivamente o ponto central apresentado pelo Datafolha, 49% ainda não seriam suficientes para uma vitória em primeiro turno.
A margem de erro também precisa entrar nessa leitura. Como ela é de três pontos percentuais, a pesquisa não permite transformar o percentual estimado em resultado antecipado da eleição.
Afinal, o que a matemática exige para uma decisão no primeiro turno?
Aqui é possível fazer uma conta, mas não uma previsão. Se o universo de votos válidos permanecesse exatamente como está retratado pelo Datafolha, uma migração líquida pouco superior a um ponto percentual dos votos válidos para Cleitinho já seria suficiente, aritmeticamente, para levá-lo de 49% para acima de 50%.
Mas há uma variável importante: 10% do eleitorado ainda se declara indeciso na pesquisa estimulada. Um exemplo meramente matemático ajuda a entender. Tomando aproximadamente 100 eleitores e mantendo os atuais 9% de brancos e nulos: Se todos os 10 pontos hoje classificados como indecisos terminassem votando em algum candidato, o universo de votos válidos cresceria para aproximadamente 91 eleitores. Cleitinho parte de 40 votos nesse exemplo. Para ultrapassar metade de 91, precisaria ficar acima de 45,5 votos. Isso significa que, nesse cenário hipotético, precisaria conquistar aproximadamente seis dos dez pontos hoje indecisos, desde que os demais votos permanecessem onde estão.
Com cinco pontos adicionais, chegaria aproximadamente a 45 votos em 91 válidos, perto de 49,5%. Com seis pontos adicionais, seriam aproximadamente 46 em 91, cerca de 50,5%. Essa conta é apenas ilustrativa, porque os percentuais publicados são arredondados e, até a eleição, votos podem migrar para qualquer candidato, além de eleitores poderem optar por branco, nulo ou abstenção.
Voto útil pode mexer também nos votos já declarados
Há outra variável diferente dos indecisos: o chamado voto estratégico ou voto útil, quando o eleitor abandona sua primeira opção para apoiar outro candidato em função da disputa eleitoral. Na rodada anterior do Datafolha, realizada entre 8 e 10 de setembro, 19% daqueles que haviam escolhido algum candidato disseram que sua opção tinha como motivação evitar a eleição de outro concorrente. Na mesma pesquisa, 37% dos entrevistados que tinham alguma escolha declarada disseram que ainda poderiam mudar de voto. Esses números pertencem ao levantamento anterior e não indicam para qual candidato uma eventual migração ocorreria.
É justamente esse ponto que impede uma conclusão automática do tipo “os indecisos irão para Cleitinho”. O Datafolha não informa no levantamento atual que os 10% de indecisos migrarão majoritariamente para o senador. Também não estabelece que eleitores de candidatos com percentuais menores abandonarão essas candidaturas para apoiar o líder.
O que a matemática permite dizer é diferente: como Cleitinho está estimado em 49% dos votos válidos, qualquer movimentação líquida de pouco mais de um ponto percentual nesse universo poderia alterar o cumprimento ou não da barreira dos 50%.
Espontânea também mostra crescimento
Outro indicador chama atenção. Na pesquisa espontânea, quando o Datafolha não apresenta os nomes dos candidatos, Cleitinho passou de 22% para 26%. Patrus aparece com 8%, Kalil com 3% e Mateus Simões com 2%. Nesse formato, os indecisos ainda são 46%, embora tenham recuado dos 53% registrados anteriormente.
Pesquisa espontânea e estimulada medem coisas diferentes e não devem ser somadas. A espontânea ajuda principalmente a observar lembrança e consolidação do nome do candidato. No levantamento anterior, o próprio Datafolha havia identificado que Cleitinho apresentava maior grau de voto espontaneamente lembrado entre seus eleitores do que Patrus e Kalil.
Segundo turno também foi testado
O Datafolha também simulou dois confrontos de segundo turno. Contra Patrus Ananias, Cleitinho registra 60% a 23%. Contra Alexandre Kalil, o placar da pesquisa é de 57% a 26%. Esses números representam as intenções de voto medidas entre 22 e 24 de setembro e não uma projeção do resultado eleitoral.
Reta final passa pelo destino dos votos ainda não consolidados
A fotografia do Datafolha deixa uma questão matemática objetiva para os últimos dias: Cleitinho aparece com 49% dos votos válidos, enquanto a legislação exige mais de 50%. A diferença entre esses dois números é pequena, mas pesquisa eleitoral não é contagem de votos.
O comportamento dos 10% de indecisos da estimulada, eventuais mudanças entre eleitores que já escolheram candidato, brancos e nulos e a própria margem de erro impedem antecipar se Minas decidirá o governo no primeiro ou no segundo turno. O que pode ser afirmado, com base nos números divulgados nesta quinta-feira, é que o ponto central da pesquisa coloca Cleitinho imediatamente abaixo da maioria absoluta exigida pela legislação eleitoral.
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