A última pesquisa Datafolha antes das urnas colocou Cleitinho Azevedo (Republicanos) exatamente na fronteira que separa uma eleição definida no primeiro turno de uma disputa que precisará continuar. O senador aparece com 49% dos votos válidos na corrida pelo Governo de Minas, contra 20% de Patrus Ananias (PT) e 13% de Alexandre Kalil (PDT). Matematicamente, é possível afirmar que Cleitinho está a apenas um ponto percentual do patamar de 50% dos votos válidos. Eleitoralmente, porém, isso ainda não significa vitória: para ser eleito no primeiro turno, é necessário obter mais da metade dos votos válidos, e a pesquisa tem margem máxima de erro de três pontos percentuais.
O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (1º), três dias antes da votação, e ouviu presencialmente 1.204 eleitores com 16 anos ou mais em 55 municípios mineiros, entre segunda-feira (28) e esta quinta. A margem máxima de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha e pela Globo e registrada na Justiça Eleitoral sob o número MG-09729/2026
Afinal, 49% significa que Cleitinho está perto de vencer no primeiro turno?
Aritmeticamente, sim. Estatisticamente, a conclusão precisa ser mais cuidadosa. O número publicado pelo Datafolha coloca Cleitinho um ponto percentual abaixo de 50% dos votos válidos. Como a Constituição exige maioria absoluta dos votos válidos, o candidato precisa ultrapassar 50%, ou seja, obter 50% mais um voto, para encerrar a disputa no domingo. Com exatamente 49%, caso esse fosse o resultado real das urnas, haveria segundo turno.
O problema é que pesquisa não é contagem de votos. Os 49% são uma estimativa obtida a partir de uma amostra, e o levantamento possui margem máxima de erro de três pontos percentuais. Por isso, o próprio Datafolha registra que não é possível afirmar, a partir da pesquisa, se Cleitinho ultrapassará ou ficará abaixo do patamar necessário para vencer no primeiro turno. A linha dos 50% está dentro da zona de incerteza estatística do levantamento.
Em linguagem mais simples: a fotografia da pesquisa coloca Cleitinho muito próximo numericamente da maioria absoluta, mas não permite transformar essa proximidade em previsão de vitória. O resultado real poderá ficar acima ou abaixo da estimativa apresentada pelo instituto.
Votos válidos mostram cenário diferente dos votos totais
A diferença entre os 49% estampados no cálculo dos votos válidos e os 40% registrados na pesquisa estimulada de votos totais é importante para entender o cenário.
Nos votos totais, Cleitinho aparece com 40%, Patrus tem 16% e Kalil, 11%. Flávio Roscoe (PL) e Mateus Simões (PSD) registram 4% cada, Gabriel Azevedo (MDB) tem 2% e os demais candidatos aparecem com 1%. Brancos e nulos somam 9%, enquanto 8% dos entrevistados ainda estão indecisos.
Para chegar aos votos válidos, o Datafolha retira da conta os eleitores que dizem votar em branco, anular ou ainda não sabem em quem votar. É um cálculo semelhante ao utilizado pela Justiça Eleitoral na apuração, quando votos brancos e nulos não entram na definição da maioria necessária para eleger governador ou presidente.
Depois dessa conversão, Cleitinho chega a 49%, Patrus a 20%, Kalil a 13%, Roscoe e Mateus a 5% cada, Gabriel a 3% e Ben Mendes (Missão) a 2%. Túlio Lopes (PCB), Rafael Duda (PSTU), Indira Xavier (UP) e Henrique Áreas (PCO) aparecem com 1% cada. Como os números são arredondados, a soma dos percentuais publicados pode não fechar exatamente em 100%.
Cleitinho permanece em 40% nos votos totais
Outro dado merece atenção porque ajuda a evitar uma interpretação precipitada dos 49% válidos. Cleitinho continua com os mesmos 40% de votos totais registrados pelo Datafolha uma semana antes. Patrus passou de 15% para 16%, enquanto Kalil avançou de 9% para 11%.
Nos votos válidos, Cleitinho também já havia alcançado 49% na rodada anterior do instituto. Naquele levantamento, o próprio Datafolha ressaltou que, considerando a margem de erro de três pontos, não era possível afirmar se haveria ou não vitória do republicano no primeiro turno.
Isso significa que a nova pesquisa não mostra uma arrancada final do senador de 49% para um percentual acima do limite. O que ela mostra é estabilidade exatamente na faixa limítrofe da maioria absoluta, enquanto seus principais adversários continuam dividindo parcela relevante dos votos válidos.
Um ponto percentual pode representar centenas de milhares de votos
A expressão “falta apenas um ponto” parece pequena, mas é preciso cuidado com a leitura eleitoral. Em uma eleição estadual com milhões de votos válidos, um ponto percentual pode representar um contingente expressivo de eleitores. Além disso, o percentual de votos válidos só será conhecido definitivamente depois que os eleitores efetivamente votarem e forem excluídos da conta os votos brancos e nulos.
Também existe um componente que as campanhas acompanham de perto nesta reta final: 8% dos entrevistados ainda se declaravam indecisos na pesquisa estimulada. O destino desses votos, assim como eventual mudança de opinião entre eleitores que já apontam um candidato, pode alterar a proporção final de votos válidos.
Por isso, a pergunta correta neste momento não é se a pesquisa “garante” uma vitória no primeiro turno. Ela não garante. O dado objetivo é que o Datafolha colocou Cleitinho numericamente a um ponto percentual do patamar de 50% dos votos válidos, justamente dentro de uma margem de erro maior do que essa distância.
Patrus chega a 20% dos válidos; Kalil marca 13%
A pesquisa também registra a configuração da disputa pelas posições seguintes. Patrus Ananias aparece com 20% dos votos válidos, enquanto Alexandre Kalil tem 13%. Nos votos totais, são 16% para Patrus e 11% para Kalil.
Na comparação com o levantamento anterior, Patrus tinha 18% dos votos válidos e Kalil, 11%. Ambos aparecem agora numericamente acima daqueles percentuais, enquanto Cleitinho permanece em 49%. Flávio Roscoe caiu de 6% para 5% dos válidos e Mateus Simões passou de 6% para 5%, dentro das oscilações possíveis da pesquisa.
O quadro reforça que a questão central da reta final não é apenas a grande vantagem numérica de Cleitinho sobre os adversários, mas se a soma dos votos destinados aos demais candidatos será suficiente para mantê-lo abaixo da maioria absoluta.
A matemática do primeiro turno
A regra pode ser entendida de maneira direta. Imagine que Minas registre 10 milhões de votos válidos para governador. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisaria de mais de 5 milhões desses votos. Se recebesse exatamente 4,9 milhões, teria 49% e iria para o segundo turno, independentemente da distância para o segundo colocado.
Essa é uma peculiaridade importante da eleição majoritária. Não basta chegar muito à frente dos adversários. Também não importa se o segundo colocado tem 20%, 15% ou 10%. Para encerrar a eleição no primeiro turno, o líder precisa sozinho ultrapassar a soma necessária de 50% dos votos válidos.
Por essa razão, a distância de Cleitinho para Patrus, hoje de 29 pontos percentuais nos votos válidos, não resolve a questão do segundo turno. O número decisivo é outro: 49% contra a barreira da maioria absoluta.
Datafolha testa eventual segundo turno
Embora o resultado do primeiro turno permaneça aberto, o Datafolha também perguntou aos eleitores como votariam em eventuais confrontos posteriores.
Em uma simulação entre Cleitinho e Patrus, o senador aparece com 60% dos votos totais, contra 24% do petista. Em outro cenário, entre Cleitinho e Alexandre Kalil, os percentuais são de 56% a 27%. Esses números retratam as respostas obtidas no período da pesquisa e não antecipam o comportamento dos eleitores caso um segundo turno efetivamente ocorra.
A existência dessas simulações tampouco significa que o instituto esteja afirmando que haverá segundo turno. Elas são cenários hipotéticos pesquisados para medir como o eleitorado responderia caso determinadas combinações de candidatos chegassem à etapa seguinte.
Rejeição de Cleitinho é de 15%
No índice de rejeição, Patrus registra 32% dos entrevistados dizendo que não votariam nele de jeito nenhum. Kalil aparece com 23%, Roscoe com 19% e Mateus Simões com 16%. Cleitinho tem rejeição de 15%, enquanto Ben Mendes marca 14%.
O dado ajuda a contextualizar a pesquisa, mas rejeição também não deve ser transformada isoladamente em previsão de resultado. Ela mede a parcela que declara não votar em determinado candidato, enquanto a eleição será definida pela distribuição efetiva dos votos válidos no domingo.
O que a pesquisa permite afirmar
A três dias das urnas, o Datafolha permite uma conclusão objetiva: Cleitinho está, no ponto central da estimativa, a apenas um ponto percentual da maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno. Essa é uma constatação matemática baseada nos 49% de votos válidos registrados pelo instituto.
O que a pesquisa não permite é concluir que ele já esteja eleito, que sua vitória no primeiro turno seja provável ou que o segundo turno esteja descartado. A margem de erro é maior do que a distância que separa o senador da linha dos 50%, e a própria pesquisa mantém 8% de indecisos nos votos totais.
Em outras palavras: 49% coloca a eleição mineira exatamente sobre a linha que separa os dois cenários possíveis. A pesquisa mostra proximidade aritmética com a vitória no primeiro turno; somente as urnas de domingo dirão de qual lado dessa linha ficará o resultado.






