A disputa pelo Governo de Minas Gerais chega à véspera da eleição deste domingo (4) com Cleitinho Azevedo (Republicanos) próximo da linha matemática que define a possibilidade de vitória no primeiro turno. A nova pesquisa Real Time Big Data, divulgada neste sábado (3), registra o senador com 50% dos votos válidos.
O percentual aparece exatamente na fronteira da maioria absoluta, mas não significa, por si só, que a eleição será definida já neste domingo. Pela regra eleitoral, o governador é eleito no primeiro turno quando obtém mais da metade dos votos válidos. Caso nenhum candidato alcance essa marca, os dois mais votados disputam o segundo turno.
O levantamento do Real Time tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Portanto, o número de 50% deve ser interpretado como uma estimativa das intenções de voto no período em que a pesquisa foi realizada, e não como antecipação do resultado das urnas.
Datafolha também coloca Cleitinho perto da linha decisiva
A pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada antes do levantamento do Real Time, apresentou um cenário semelhante em relação à proximidade de Cleitinho com a maioria absoluta. O candidato do Republicanos apareceu com 49% dos votos válidos, enquanto Patrus Ananias (PT) registrou 20% e Alexandre Kalil (PDT), 13%.
Na sequência, Flávio Roscoe (PL) e Mateus Simões (PSD) tiveram 5% cada; Gabriel Azevedo (MDB), 3%; Ben Mendes (Missão), 2%; e outros quatro candidatos marcaram 1% cada.
O Datafolha ouviu 1.204 eleitores presencialmente, entre 28 de setembro e 1º de outubro, em 55 municípios mineiros. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob os números MG-09729/2026 e BR-03604/2026.
O próprio instituto ressalta que, considerando a margem de erro, não é possível afirmar se Cleitinho vencerá ou não no primeiro turno.
Diferença entre pesquisas não significa contradição
Os dois levantamentos foram realizados em períodos próximos, mas utilizaram metodologias próprias e terminaram o trabalho de campo em datas diferentes. O Datafolha realizou as entrevistas até 1º de outubro, enquanto o Real Time Big Data coletou os dados até 2 de outubro.
Por isso, os 49% registrados pelo Datafolha e os 50% apontados pelo Real Time não devem ser tratados como partes de uma mesma pesquisa ou como números que possam ser simplesmente somados ou comparados como se tivessem sido obtidos nas mesmas condições.
O ponto comum entre os levantamentos é que Cleitinho aparece muito próximo da marca de 50% dos votos válidos. A margem de erro, porém, mantém incerteza sobre o resultado efetivo que será observado na apuração.
Real Time testa segundo turno entre Cleitinho e Patrus
A pesquisa divulgada neste sábado também simulou um eventual segundo turno entre Cleitinho e Patrus Ananias. Considerando apenas os votos válidos, o candidato do Republicanos aparece com 54%, enquanto o petista registra 46%.
A diferença numérica é de oito pontos percentuais. O cenário, no entanto, é uma simulação hipotética e não representa uma previsão de que os dois candidatos necessariamente estarão no segundo turno.
O Real Time também testou uma eventual disputa entre Cleitinho e Alexandre Kalil. Nesse cenário, o senador aparece com 59% dos votos válidos, contra 41% do ex-prefeito de Belo Horizonte.
Já o Datafolha encontrou percentuais diferentes em sua simulação de segundo turno entre Cleitinho e Patrus. No levantamento, considerando os votos totais, Cleitinho aparece com 60%, enquanto Patrus tem 24%. Brancos, nulos e nenhum somam 11%, e 5% dos entrevistados não souberam responder.
Os números de segundo turno dos dois institutos não devem ser tratados como uma previsão de resultado, já que se referem a cenários hipotéticos e foram obtidos por metodologias e períodos de coleta distintos.
O que define a eleição neste domingo
Apesar dos diferentes percentuais apresentados pelos institutos, a regra para definir a eleição é objetiva: o candidato precisa conquistar mais da metade dos votos válidos para ser eleito governador no primeiro turno.
Assim, uma eventual diferença de apenas um ponto percentual entre os 49% do Datafolha e os 50% do Real Time ganha relevância porque está relacionada justamente à fronteira matemática que separa os dois possíveis desfechos.
No Datafolha, os 49% estão dentro de uma margem de erro de três pontos percentuais, o que permite estatisticamente resultados acima ou abaixo da maioria absoluta. No Real Time, os 50% aparecem no centro da estimativa, mas o levantamento também possui margem de erro de dois pontos percentuais.
Dessa forma, nenhum dos dois levantamentos permite afirmar antecipadamente se Minas Gerais elegerá o governador já neste domingo ou se os eleitores precisarão voltar às urnas em 25 de outubro.
A resposta será determinada pelos votos efetivamente registrados na apuração oficial.






