A Justiça condenou o vereador de Itaúna, no Centro-Oeste de Minas, Guilherme Rocha (Novo), pelo crime de injúria contra uma professora aposentada. A condenação prevê o pagamento de 90 dias-multa e está relacionada a uma fotografia feita pelo parlamentar durante uma reunião da Câmara Municipal, em setembro de 2025. Rocha foi absolvido da acusação de difamação.
O episódio ocorreu em 9 de setembro de 2025. A professora, que tinha 69 anos à época, acompanhava a reunião da Câmara na galeria destinada ao público quando foi fotografada pelo vereador. Ela estava de vestido e sentada com as pernas abertas. Antes de compartilhar a imagem em um grupo de WhatsApp, Rocha inseriu um emoji sobre a região entre as pernas da mulher. Reportagens publicadas na ocasião registraram que o grupo tinha mais de 190 participantes.
A publicação provocou reação ainda durante a reunião. Diante da repercussão negativa, o vereador apagou a fotografia pouco depois. A professora tomou conhecimento do compartilhamento, passou mal e precisou ser encaminhada para atendimento hospitalar. A Polícia Militar foi acionada e compareceu à Câmara, onde foi registrado boletim de ocorrência.
Vereador confirmou fotografia e compartilhamento
Durante o processo judicial, Guilherme Rocha confirmou ter feito a fotografia, colocado o emoji e encaminhado a imagem. Testemunhas também relataram que o conteúdo foi compartilhado pelo WhatsApp e posteriormente chegou ao conhecimento da professora e de outras pessoas.
Ao analisar o caso, a Justiça entendeu que a conduta configurou injúria, crime relacionado à ofensa à dignidade ou ao decoro da vítima. A pena estabelecida foi de 90 dias-multa.
Por outro lado, Rocha foi absolvido da acusação de difamação. Conforme a decisão relatada, o entendimento foi de que a fotografia não atribuía à professora um fato determinado capaz de atingir sua reputação perante terceiros.
Professora passou mal após saber da imagem
A repercussão do episódio ultrapassou as redes sociais. Conforme noticiado à época, a professora passou mal após descobrir que a fotografia havia sido enviada ao grupo e precisou ser levada a uma unidade hospitalar.
Dias depois, a aposentada também protocolou na Câmara um pedido para abertura de Comissão Processante contra o parlamentar. O pedido citava testemunhas e documentos, entre eles o boletim de ocorrência registrado após o episódio. Posteriormente, a abertura do procedimento foi rejeitada em plenário por 9 votos contrários, 5 favoráveis e duas abstenções.
Guilherme Rocha pediu desculpas
Após a repercussão, Guilherme Rocha publicou um vídeo nas redes sociais pedindo desculpas à professora e aos familiares dela.
Na versão apresentada pelo parlamentar na época, a intenção da fotografia seria mostrar que a professora e uma assessora dele, que aparecia sentada ao lado, haviam encerrado um desentendimento anterior.
Rocha afirmou que, depois da resolução da situação, sentiu-se à vontade para registrar as duas. Segundo sua explicação, ao perceber o enquadramento da fotografia, colocou o emoji para impedir a exposição de partes íntimas da professora.
A justificativa e o pedido de desculpas foram divulgados no dia seguinte ao episódio e registrados pela imprensa local.
Caso chegou à Justiça
A responsabilização criminal seguiu um caminho independente das discussões políticas ocorridas dentro da Câmara. Agora, com a decisão judicial informada no processo, Guilherme Rocha foi condenado por injúria e absolvido da imputação de difamação.
O parlamentar continua exercendo mandato na Câmara Municipal de Itaúna. Registros oficiais do Legislativo em 2026 confirmam Guilherme Rocha como vereador pelo Novo.






