Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência

Relatos de adolescentes que procuram ajuda para abandonar as apostas online revelam os impactos financeiros e emocionais da compulsão; pesquisas apontam início cada vez mais precoce

Publicado por: Redação Divinews
O avanço das apostas online entre crianças e adolescentes tem ampliado a preocupação com os riscos de dependência, prejuízos financeiros e impactos na saúde mental. Segundo Luiz Carlos, integrante da irmandade Jogadores Anônimos, grupo de apoio a pessoas com problemas relacionados ao jogo, adolescentes cada vez mais jovens têm procurado ajuda para interromper o comportamento compulsivo, com relatos de pessoas de apenas 14 anos acompanhadas por profissionais de saúde.

O cenário chama atenção principalmente pela facilidade de acesso às plataformas de apostas. Com poucos toques no celular, os usuários conseguem entrar em sites e aplicativos e realizar apostas a qualquer momento. Para especialistas e entidades que acompanham o problema, essa disponibilidade aumenta a exposição de crianças, adolescentes e jovens a um ambiente que pode favorecer o desenvolvimento de comportamentos compulsivos.

Luiz Carlos relata que a idade das pessoas que chegam à irmandade em busca de ajuda tem diminuído. Segundo ele, a presença de adolescentes nos grupos de apoio deixou de ser algo excepcional. Hoje quem chega à irmandade é muito jovem. Já chegou até de 14 anos acompanhado pelo psiquiatra. Mas chegam jovens de 15, 16, 19, 20 anos, até 30, 35 anos”, conta ele.

Continua depois da publicidade

O relato evidencia uma mudança no perfil de parte das pessoas que procuram auxílio para enfrentar problemas relacionados às apostas. Embora a dependência possa atingir diferentes faixas etárias, a chegada de adolescentes aos grupos de apoio chama atenção para o contato cada vez mais precoce com as plataformas digitais.

Seis anos de apostas e meio milhão de reais perdidos

Entre os jovens que enfrentaram consequências graves está Gustavo Pereira, atualmente com 24 anos. Ele começou a fazer apostas online aos 18 anos e, ao longo de seis anos, acumulou prejuízos que chegaram a aproximadamente meio milhão de reais, a trajetória de Gustavo mostra como a prática pode ultrapassar a ideia de uma atividade recreativa e provocar consequências significativas na vida financeira e pessoal. Além das perdas econômicas, ele enfrentou problemas relacionados à saúde mental em razão da compulsão pelas apostas.

O caso também chama atenção para a velocidade com que um jovem pode passar a se envolver com as plataformas. O acesso ocorre pelo próprio celular e pode ser feito de forma contínua, sem que seja necessário frequentar estabelecimentos físicos ou buscar ambientes específicos para realizar as apostas, essa característica amplia a exposição e dificulta a percepção dos limites entre o entretenimento e um comportamento que pode se tornar compulsivo.

Apostas começam cada vez mais cedo

Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) citados no levantamento apontam que uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar em jogos online até os 11 anos de idade. A partir dos 12 anos, o percentual chega a 78%, segundo os dados de 2021 apresentados no material. No Brasil, uma pesquisa realizada neste ano e divulgada pela Frente Parlamentar Mista de Educação também aponta para a presença das apostas entre estudantes. O levantamento ouviu 1.912 alunos dos ensinos fundamental e médio.

De acordo com os dados apresentados, 9,5% dos estudantes entrevistados fizeram a primeira aposta aos 11 anos. O levantamento também identificou que quase metade dos estudantes do 3º ano do ensino médio já havia feito apostas. Os números ajudam a dimensionar a presença das apostas entre adolescentes e jovens e reforçam a preocupação com a idade em que ocorre o primeiro contato com esse tipo de plataforma.

Celular facilita acesso às plataformas

A facilidade de acesso é apontada como um dos fatores que ampliam a exposição dos jovens às bets. Diferentemente de formas tradicionais de jogo, as apostas online estão disponíveis diretamente nos celulares, dispositivos que fazem parte da rotina de crianças e adolescentes, a possibilidade de apostar de maneira rápida e recorrente também pode dificultar a percepção sobre a frequência e o volume de dinheiro movimentado. Para quem desenvolve comportamento compulsivo, a facilidade de realizar novas apostas pode contribuir para a repetição da prática.

Continua depois da publicidade

O problema ganha outra dimensão quando o público exposto ainda está em fase de formação e desenvolvimento. Crianças e adolescentes possuem menor experiência para lidar com questões financeiras e podem apresentar maior dificuldade para dimensionar consequências futuras de determinadas escolhas.

Canais infantis também entram no radar

Outro alerta apresentado no material vem de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). O estudo identificou a existência de canais direcionados ao público infantil que exploram a falta de maturidade financeira de crianças e adolescentes para promover apostas ilegais, a utilização de ambientes voltados às crianças para divulgação desse tipo de conteúdo amplia a preocupação sobre a exposição precoce às apostas. Nesse contexto, a discussão deixa de envolver apenas os jovens que já desenvolveram comportamento compulsivo e passa também pela prevenção e pela proteção de crianças e adolescentes diante de estratégias de promoção de jogos e apostas.

Dependência pode provocar impactos além do dinheiro

Os relatos apresentados mostram que os efeitos da compulsão por apostas não se restringem às perdas financeiras. O caso de Gustavo, por exemplo, envolve também problemas de saúde mental, enquanto os grupos de apoio relatam a chegada de jovens em busca de ajuda para interromper o comportamento. O prejuízo financeiro pode ser uma das consequências mais visíveis, mas a compulsão pode atingir diferentes áreas da vida. A busca constante por novas apostas e a tentativa de recuperar valores perdidos podem alimentar um ciclo difícil de interromper sem apoio.

A presença de adolescentes entre aqueles que procuram ajuda reforça, portanto, a importância da prevenção e da atenção ao comportamento desde os primeiros sinais. Quanto mais cedo ocorre o contato com as apostas, maior é a necessidade de informação para que crianças, adolescentes, famílias e educadores compreendam os riscos envolvidos, o avanço das bets entre o público jovem coloca em evidência uma questão que ultrapassa o universo das plataformas digitais. Os relatos de pessoas que começaram a apostar ainda na adolescência e posteriormente enfrentaram perdas expressivas mostram que o acesso facilitado pode ter consequências que se prolongam por anos.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados