A nova Quaest sobre a corrida ao Senado em Minas Gerais mostra um cenário explosivo, fragmentado e ainda muito longe de qualquer definição tranquila. A disputa tem nomes conhecidos, votos espalhados, muita indecisão e um ingrediente que pode embaralhar tudo até a reta final: a rejeição. Em um quadro assim, aparecer na frente não significa estar seguro, e estar atrás não significa estar morto politicamente.
No cenário I, a pesquisa mostra Marília Campos com 19%, Aécio Neves com 11%, Carlos Viana com 10%, Marcelo Aro com 9% e Domingos Sávio com 8%. Na sequência aparecem Áurea Carolina com 6%, Vanessa Portugal com 3% e Jarbas Soares com 1%. O dado que mais chama atenção, porém, está abaixo da linha dos candidatos: 13% de indecisos e 20% de branco, nulo ou não vai votar. Isso significa que 33% do eleitorado ainda não entregaram voto útil a ninguém. É um buraco enorme no meio da disputa.
A própria mecânica da eleição para o Senado exige uma leitura mais técnica. Como o eleitor escolhe 2 nomes, a pesquisa divide os resultados entre 1º voto, 2º voto e a combinação total. E é justamente aí que surgem diferenças relevantes. No cenário I, Marília tem 18% no 1º voto e 20% no 2º voto. Aécio aparece com 13% no 1º voto e 9% no 2º. Carlos Viana marca 10% no 1º e 9% no 2º. Marcelo Aro, que soma 9% na combinação total, cai para 6% no 1º voto, mas sobe para 12% no 2º, sinal de que pode estar funcionando mais como segunda opção do que como escolha principal. Domingos Sávio marca 7% no 1º e 8% no 2º.
No cenário II, a foto muda pouco no topo, mas muda na disputa intermediária. Marília continua com 19%, Aécio mantém 11%, Carlos Viana segue com 10%, Domingos Sávio marca 8%, Áurea Carolina 6% e Euclides Pettersen entra com 5%. Marcelo Aro cai para 4%. Outra vez, os vazios seguem grandes: 13% de indecisos e 20% de branco, nulo ou não vai votar. Ou seja, a liderança existe, mas está longe de ser avassaladora.
Já no cenário III, com uma lista mais enxuta, Marília cai para 17%, enquanto Carlos Viana sobe para 15% e encosta de forma mais agressiva. Domingos Sávio fica em 8%, Áurea em 6%, Vanessa Portugal em 5%, Marcelo Aro em 4%, Jarbas Soares em 3% e Eduardo Costa em 2%. Aqui, o dado mais pesado é outro: 26% de branco, nulo ou não vão votar, além de 14% de indecisos. Em outras palavras, 40% do eleitorado ainda não está com voto consolidado em nome algum nesse cenário. Isso é dinamite eleitoral.
A Quaest mostra um Senado mineiro sem dono, sem arrancada avassaladora e com espaço demais para reviravolta.
O cruzamento ideológico reforça essa instabilidade. No cenário I por posicionamento político, Marília Campos lidera com folga entre lulistas, com 29%, e também aparece forte entre esquerda não lulista, com 30%. Mas desaba para 11% entre direita não bolsonarista e 10% entre bolsonaristas. Aécio, por sua vez, aparece de forma mais distribuída, mas sem explosão. Carlos Viana se mantém vivo em praticamente todos os campos, marcando 10% entre lulistas, 5% entre esquerda não lulista, 12% entre independentes, 12% entre direita não bolsonarista e 11% entre bolsonaristas. Ou seja, não lidera com folga em nenhum, mas também não some.
No cenário III por posicionamento político, o quadro ajuda a entender por que Viana pode sonhar mais alto. Marília segue forte à esquerda, com 28% entre lulistas e 31% entre esquerda não lulista, mas cai para 10% entre direita não bolsonarista e 11% entre bolsonaristas. Carlos Viana, por outro lado, aparece com 10% entre lulistas, 6% entre esquerda não lulista, 12% entre independentes, 21% entre direita não bolsonarista e 22% entre bolsonaristas. Isso revela uma candidatura menos dominante num bloco só, mas mais encaixada no campo conservador.
Domingos Sávio também merece atenção nesse recorte. No cenário III, ele marca apenas 2% entre lulistas e 2% entre esquerda não lulista, mas sobe para 17% entre direita não bolsonarista e 15% entre bolsonaristas. Isso sugere que ele ainda pode disputar votos no mesmo terreno de Viana e de outros nomes da direita, o que tende a fragmentar esse eleitorado e dificultar a construção de um favorito isolado.
Mas o pedaço mais venenoso da pesquisa está na régua de conhecimento, potencial de voto e rejeição. Aécio Neves aparece com o maior percentual de eleitor que diz “conhece e votaria”, 36%, mas também carrega uma bomba no colo: 51% dizem que o conhecem e não votariam. É a maior rejeição da lista. Em termos técnicos, isso mostra que Aécio tem lembrança, mas também um teto pesadíssimo. Ele é conhecido, só que muito conhecido negativamente.
Carlos Viana tem 24% de potencial de voto, 60% que não o conhecem e 16% de rejeição. Marília Campos aparece com 23% de potencial de voto, 62% de desconhecimento e 15% de rejeição. Esses números são politicamente fortíssimos, porque indicam que tanto Viana quanto Marília têm espaço para crescer em conhecimento sem carregar, até aqui, o chumbo que pesa sobre Aécio. Em outras palavras, estão menos cristalizados. E, em eleição aberta, isso pode valer ouro.
Domingos Sávio marca 12% de “conhece e votaria”, mas ainda enfrenta 78% de desconhecimento. Marcelo Aro tem 10% de potencial de voto e 82% de desconhecimento. Áurea Carolina aparece com só 4% de potencial de voto, mas também com 87% que ainda não a conhecem. Esse tipo de dado não garante arrancada futura, claro, mas mostra que há candidaturas que ainda podem trabalhar expansão sem estarem completamente julgadas pelo eleitorado.
O que a Quaest esfrega na cara da política mineira é simples: o Senado está aberto porque ninguém conseguiu juntar, ao mesmo tempo, liderança folgada, capilaridade ampla e rejeição baixa.
A leitura técnica da pesquisa aponta 3 blocos. O primeiro é o da liderança frouxa, hoje representada principalmente por Marília. Ela aparece na frente, mas sem gordura suficiente para dizer que domina a corrida. O segundo é o da competição conservadora embolada, em que Aécio, Carlos Viana, Domingos Sávio e, em menor escala, Marcelo Aro brigam entre si e se atrapalham mutuamente. O terceiro é o da massa solta do eleitorado, formada por indecisos, brancos, nulos e gente que ainda conhece pouco vários nomes. É nesse bloco que a eleição pode virar.
Se o recorte for mais político do que matemático, a bomba maior é esta: Aécio aparece vivo, mas algemado pela própria rejeição. Marília lidera, mas ainda sem musculatura de massacre. Carlos Viana cresce no cenário mais enxuto e parece melhor posicionado para herdar parte do eleitor conservador. Domingos Sávio continua no jogo, mas ajudando a dividir uma faixa do eleitorado que poderia estar mais concentrada. E o resto, até aqui, corre por fora.
No fim das contas, a Quaest não mostra um Senado decidido. Mostra um Senado em ebulição. E, numa disputa assim, quem achar que a fotografia de agora já virou resultado final pode estar cometendo um erro grosseiro. Minas ainda não escolheu seus senadores. Minas apenas começou a mostrar onde estão as feridas, os tetos e as chances de cada um.






