Uma denúncia encaminhada ao Divinews por trabalhador ligado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) voltou a colocar em debate a situação financeira e trabalhista do CIS-URG Oeste. O relato aponta atraso nos depósitos do FGTS, ausência de reajuste salarial e pendências envolvendo pagamento de médicos. Procurada pela reportagem, a direção do Consórcio reconheceu que há valores do FGTS a serem regularizados, mas afirmou que os salários estão em dia e atribuiu parte das dificuldades à defasagem do financiamento federal, que, segundo o órgão, não é reajustado há mais de quatro anos.
A manifestação recebida pelo Divinews afirma que trabalhadores esperavam a solução das pendências na remuneração referente ao mês de agosto, após informações anteriores de que a situação seria regularizada.
Segundo o relato, não houve reajuste salarial e os depósitos do FGTS estariam atrasados há aproximadamente um ano e meio. A denúncia também afirma que médicos ainda aguardariam pagamento.
O trabalhador relata um ambiente de preocupação e desânimo entre profissionais, especialmente diante da incerteza sobre o cumprimento das obrigações pessoais e familiares.
Essas informações representam, neste momento, a versão apresentada pelo denunciante. O Divinews encaminhou os questionamentos ao CIS-URG Oeste para que a direção pudesse se manifestar sobre os pontos levantados.
CIS-URG reconhece pendência no FGTS
Na resposta enviada ao Divinews, o CIS-URG Oeste confirmou que existem valores relacionados ao FGTS que ainda precisam ser regularizados.
Segundo a direção, o assunto está sendo tratado como prioridade junto ao Conselho Deliberativo e à Assembleia dos Prefeitos.
O Consórcio afirma que já definiu uma alternativa administrativa para solucionar a pendência e trabalha com previsão de regularização até janeiro.
A nota assegura que o procedimento ocorrerá “sem qualquer prejuízo aos colaboradores”.
A direção, entretanto, não detalhou na manifestação encaminhada ao Divinews o montante total pendente, o número de trabalhadores atingidos ou o período exato a que os depósitos em aberto se referem.
Dessa forma, há um ponto de convergência entre as duas versões: há valores de FGTS pendentes. A divergência permanece quanto ao período do atraso citado pelo trabalhador e à extensão da situação.
Denúncia fala em atraso de médicos; Consórcio afirma que salários estão em dia
Outro ponto precisa ser apresentado ao leitor com o contraditório claramente delimitado. O denunciante afirma que, até o momento do relato encaminhado ao Divinews, médicos ainda não teriam recebido seus salários.
Na manifestação oficial, porém, o CIS-URG Oeste declara que mantém os salários em dia. A nota não apresenta detalhamento específico sobre os médicos mencionados pelo denunciante, nem esclarece se esses profissionais possuem vínculos ou formas de contratação diferentes dos demais colaboradores.
Assim, neste ponto, o Divinews registra as duas versões sem antecipar uma conclusão que dependa de documentação individual de pagamentos.
Reajuste salarial depende de aumento de recursos, diz direção
Sobre a ausência de reajuste salarial, o CIS-URG afirma que a concessão de novos aumentos depende diretamente da ampliação das receitas destinadas ao serviço.
De acordo com a direção, os recursos federais referentes à habilitação do SAMU estão há mais de quatro anos sem reajuste, enquanto despesas com pessoal, insumos, manutenção e volume de atendimentos aumentaram ao longo do período.
Por isso, segundo o Consórcio, reajustes salariais somente poderão ser implementados caso haja incremento no financiamento.
A direção diz que vem discutindo o problema com o Governo de Minas, por meio das Secretarias de Estado de Saúde e de Governo, buscando mecanismos de atualização dos valores e até a possibilidade de um aporte equivalente a uma 13ª parcela.
Estado responde por mais de 50% do custeio, segundo CIS-URG
Na nota encaminhada ao Divinews, o CIS-URG chama atenção para a participação financeira do Governo de Minas.
Segundo a direção, o Estado garante, em média, mais de 50% do custeio dos consórcios de urgência.
O Consórcio afirma que esse esforço orçamentário da Secretaria de Estado de Saúde tem sido fundamental para manter o serviço funcionando.
Em outro trecho, o secretário executivo José Marcio Zanardi apresenta uma composição mais ampla das despesas: segundo ele, Estado e municípios, juntos, suportam quase 75% dos custos, enquanto a participação do Governo Federal fica, em média, em aproximadamente 25%.
A nota não discrimina qual percentual, isoladamente, é suportado pelos municípios. Por isso, não é possível estabelecer uma divisão exata entre Estado e prefeituras apenas com as informações apresentadas.
União deveria custear 50%, afirma secretário executivo
Zanardi sustenta que o Governo Federal deveria participar com aproximadamente 50% do custeio do SAMU, percentual superior aos cerca de 25% que, segundo ele, são atualmente repassados. Na avaliação do secretário, esse desequilíbrio transfere para estados e municípios uma parcela cada vez maior da responsabilidade financeira pelo serviço.
Ele afirma que a situação já foi levada ao conhecimento do ministro responsável pela área, de senadores, deputados, gestores públicos e órgãos de controle. A direção sustenta que o problema não é exclusivo do Oeste de Minas e que outros consórcios de urgência enfrentam dificuldades semelhantes.
Alerta sobre risco financeiro já havia sido feito em julho
A atual resposta do CIS-URG não surge apenas depois da denúncia. Segundo a própria direção, o problema financeiro já havia sido apresentado formalmente durante a Assembleia dos Prefeitos realizada em julho de 2026.
Na ocasião, a Direção Executiva alertou que a manutenção do serviço com o mesmo nível de financiamento poderia se tornar cada vez mais difícil.
José Marcio Zanardi afirmou que o SAMU opera há quatro anos com praticamente o mesmo orçamento federal, enquanto salários, insumos e volume de atendimentos aumentaram. “São quatro anos trabalhando com o mesmo orçamento, assim está praticamente impossível garantir a sustentabilidade do SAMU”, afirmou.
O secretário também fez um alerta mais grave sobre o futuro do serviço caso não haja mudanças na estrutura de financiamento. Segundo ele, se não houver uma resposta rápida, o SAMU pode entrar em situação de colapso, não apenas na região, mas em outras áreas de Minas e do país.
Cortar gastos também pode comprometer atendimento
Uma das dificuldades apresentadas pela direção está justamente no limite entre equilibrar as contas e preservar a assistência.
Na Assembleia dos Prefeitos, o CIS-URG informou que medidas de economia e cortes de despesas foram analisadas, mas advertiu que reduções mais profundas podem atingir diretamente o serviço prestado à população.
Esse cenário coloca o Consórcio diante de uma equação complicada. De um lado, trabalhadores reivindicam regularização do FGTS e melhorias remuneratórias.
De outro, a administração afirma que receitas estagnadas não acompanham os custos crescentes do atendimento. No centro dessa equação está um serviço essencial que não pode simplesmente interromper suas atividades.
O que está confirmado e o que ainda está em discussão
A partir das informações apresentadas pelas duas partes, alguns pontos podem ser separados com clareza. Está reconhecido pelo próprio CIS-URG que há valores de FGTS a serem regularizados e que a previsão apresentada pela direção é solucionar essa pendência até janeiro.
Também é posição oficial do Consórcio que o financiamento federal permanece defasado há mais de quatro anos. Já a alegação de que os depósitos do FGTS estariam atrasados há exatamente um ano e meio parte do denunciante e não foi confirmada nesse período específico pela direção.
Da mesma forma, existe divergência sobre os salários dos médicos: o relato aponta pendência, enquanto o CIS-URG afirma manter os salários em dia.
Financiamento passa a ser parte central do debate
A resposta do CIS-URG desloca parte da discussão para uma questão estrutural: quem está pagando a conta do SAMU? Pelos percentuais apresentados pela direção: mais de 50% do custeio, em média, estaria sendo garantido pelo Governo de Minas; quase 75%, quando consideradas conjuntamente as participações do Estado e dos municípios; e aproximadamente 25% corresponderiam à parcela do Governo Federal. Segundo o Consórcio, o modelo deveria caminhar para uma participação federal próxima de 50%. Essa diferença, na avaliação da direção, ajuda a explicar a crescente pressão financeira enfrentada pelo serviço.





