De hospital à beira do fechamento a potência regional: CSSJD ganha Dia Municipal e Elis Regina celebra 10 anos de gestão

Câmara aprova projeto de Delano Santiago que reserva 8 de setembro ao São João de Deus; CEO, Elis Regina, relembra intervenção, renegociação de dívidas e reconstrução iniciada em 2016

Publicado por: Geraldo Passos

A saúde de Divinópolis tem motivos de sobra para comemorar. O Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), principal referência hospitalar da cidade e uma das estruturas mais importantes do Estado, e do Centro-Oeste de Minas recebeu o reconhecimento da Câmara Municipal com a aprovação do projeto de autoria do vereador Delano Santiago que institui o dia 8 de setembro como o Dia Municipal do Complexo de Saúde São João de Deus. A data ganhou ainda mais simbolismo porque coincide com os dez anos da chegada de Elis Regina Guimarães à gestão da instituição, em 8 de setembro de 2016, quando o hospital atravessava uma das crises mais graves de sua história e chegou a correr risco de interromper atividades.

O Projeto de Lei CM nº 140/2026 é de autoria do vereador Dr. Delano Santiago e foi aprovado por unanimidade na sessão ordinária desta última  terça-feira (8). A proposta prevê a inclusão do dia 8 de setembro no Calendário Oficial de Eventos do Município como data dedicada ao CSSJD. O sistema legislativo da Câmara registra a aprovação em única discussão e votação. Como se trata de projeto de lei, ainda há os atos formais posteriores até sua conversão definitiva em lei.

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A escolha da data não foi aleatória. Foi justamente em 8 de setembro de 2016 que Elis Regina assumiu a missão de participar da recuperação do São João de Deus, em um momento no qual a instituição acumulava dívidas, enfrentava interrupções de serviços, falta de crédito e uma crise que ultrapassava os limites de Divinópolis.

Dez anos depois, o cenário é outro

Durante a sessão, Dr. Delano afirmou que o hospital atravessava uma situação financeira extremamente delicada quando a atual gestora chegou à instituição. O parlamentar destacou a transformação ocorrida ao longo da década e classificou como justo o reconhecimento concedido pela Câmara.

Na mesma reunião, a CEO e diretora executiva Elis Regina Guimarães recebeu uma maquete da antiga fachada do hospital. A homenagem ocorreu justamente no dia em que completava dez anos de atuação à frente do processo de recuperação e expansão do São João.

Em entrevista, Elis voltou no tempo e descreveu o tamanho do desafio encontrado em 2016. Segundo ela, foi necessário assumir publicamente a defesa da instituição em um período de críticas, falta de recursos, equipamentos, patrimônio e profissionais suficientes.

“Eu tive pessoas que acreditaram”, afirmou a gestora ao relembrar aqueles primeiros momentos. Elis disse que, mesmo diante das dificuldades, profissionais continuaram atendendo e ajudaram a manter o hospital funcionando. Para ela, o resultado dessa construção é o que hoje permite definir o São João de Deus como uma instituição de grande capacidade assistencial, embora ainda existam desafios para ampliar o acesso da população.

Gilmar de Assis e a intervenção que ajudou a mudar o rumo do hospital

Um dos momentos mais marcantes  ocorreu quando Elis foi provocada a relembrar os personagens que participaram da recuperação do hospital.

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Ela citou nominalmente o então promotor e coordenador do CAO Saúde, Gilmar de Assis, e recordou que o cenário chegou a um ponto em que o fechamento do São João de Deus era uma possibilidade real. Segundo Elis, Gilmar percebeu que uma eventual paralisação provocaria consequências que ultrapassariam Divinópolis, já que tratamentos de alta complexidade precisariam ser direcionados principalmente para Belo Horizonte.

A gestora também mencionou também Dr. Nélio, a comissão que atuou dentro da instituição e o então secretário municipal de Saúde Amarildo, além de outros personagens que participaram daquele período. Em grifo Divinews, posteriormente à matéria publicada, Elis menciona a importância da Dra. Mária Lúcia.

Segundo seu relato, a comissão entrou no hospital e implantou mecanismos de acompanhamento e controle no processo de reorganização. Para Elis, foi a atuação conjunta dessas pessoas que deu ao São João o “respiro” necessário para voltar a planejar o futuro.

Documentos históricos também mostram a gravidade daquele período. Em 2015, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou audiência pública em Divinópolis especificamente para discutir as “sérias dificuldades” enfrentadas pelo hospital. Na ocasião, a própria administração então responsável pelo São João informava dívida consolidada de R$ 118 milhões, déficit mensal e salários de funcionários em atraso.

Em junho de 2016, poucos meses antes da mudança de gestão, a Prefeitura chegou a recorrer à Justiça para garantir a continuidade do atendimento cirúrgico de urgência e emergência. A ação citava a Dictum,  empresa responsável pela administração naquele período.

Médicos e clínicas deram voto de confiança

Outro ponto lembrado por Elis foi decisivo para que a recuperação saísse do papel: a relação com médicos e clínicas credoras do hospital. Ao assumir, uma das primeiras necessidades era renegociar valores acumulados com profissionais que haviam prestado serviços e não recebido dentro das condições originalmente pactuadas. O plano envolveu reescalonar compromissos, estabelecer cronogramas e, ao mesmo tempo, convencer médicos a continuar trabalhando para que serviços essenciais não parassem.

Registros publicados em setembro de 2016 mostram que uma das primeiras iniciativas anunciadas pela nova administração era justamente sentar com o corpo médico para negociar os débitos, criar um cronograma para pagamento dos honorários atrasados e manter os novos compromissos em dia.

Foi, portanto, um movimento que exigiu algo que não aparece apenas nos balanços contábeis: confiança. Médicos e clínicas aceitaram participar de um processo de reorganização em uma instituição que, naquele momento, enfrentava enorme fragilidade financeira.

Uma história que o Divinews acompanhou de perto

Para quem acompanhava a saúde de Divinópolis naquele período, a transformação também ajuda a dimensionar a distância entre o hospital de 2016 e o CSSJD de hoje.

Há dez anos, o Divinews acompanhava de forma crítica a condução administrativa então existente, em um período marcado por interrupções de serviços, dívidas crescentes e incerteza sobre a continuidade de uma instituição fundamental para toda a região. Em matérias e análises opinativas publicadas à época, o portal não endossava a condução da gestão anterior, exercida pela Dictum, e cobrava respostas para uma crise que já apresentava reflexos diretos na assistência à população.

O registro histórico confirma que não se tratava de uma crise apenas de percepção. Em 2015 e 2016, autoridades municipais e estaduais discutiam publicamente o risco de colapso financeiro do São João, enquanto serviços eram afetados e medidas emergenciais precisavam ser adotadas.

Dez anos depois, a cena encontrada nesta terça-feira na Câmara foi praticamente o contraponto daquele período: profissionais e dirigentes do hospital foram ao Legislativo não para discutir a possibilidade de fechamento, mas para acompanhar uma homenagem pública à instituição.

Hospital amplia alcance para além do Centro-Oeste

O crescimento também aparece nos números. Durante a sessão, foi informado que o CSSJD, que há alguns anos tinha cobertura concentrada em pouco mais de 50 municípios, hoje recebe pacientes encaminhados de 192 cidades, alcançando uma população de mais de 3 milhões de pessoas.

Dados divulgados anteriormente pela Prefeitura já apontavam o São João como referência em atendimentos de alta complexidade para uma população estimada em 3,4 milhões de habitantes de 191 municípios, demonstrando que o alcance da instituição rompeu há tempos as fronteiras do Centro-Oeste mineiro.

Na entrevista concedida durante as comemorações, Elis afirmou ainda que o Complexo realiza aproximadamente 1,3 milhão de atendimentos por ano. A CEO colocou uma nova meta para a próxima década: elevar ainda mais o padrão assistencial e posicionar o CSSJD entre os principais hospitais do país.

Hospital do Câncer simboliza novo ciclo

O aniversário de dez anos da gestão ocorre também em um momento de novos projetos de expansão. Neste ano, CSSJD e Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste de Minas (Acom) lançaram a expansão do Hospital do Câncer de Divinópolis, projeto estimado em aproximadamente R$ 100 milhões. A estrutura deverá passar de 5 mil para 20 mil metros quadrados e contará com 176 leitos, centro cirúrgico, UTIs adulto e infantil, ambulatórios e novos equipamentos.

Também em 2026, foi anunciado financiamento de aproximadamente R$ 41 milhões para modernização e ampliação de áreas do Complexo, incluindo investimentos em equipamentos, hemodinâmica, nefrologia, pronto atendimento, oncologia e hemodiálise.

É nesse contexto que Elis afirma estar iniciando um novo sonho. Depois de uma década concentrada em recuperar estrutura, equipamentos, medicamentos e sustentabilidade da instituição, a CEO diz querer avançar agora na valorização dos profissionais, no aumento do acesso e na busca por atendimento cada vez mais digno.

E ao lembrar daqueles que ajudaram no período mais crítico, ela incluiu também a imprensa. Segundo Elis, os veículos que acolheram e deram visibilidade à instituição nos momentos mais difíceis tiveram participação na reconstrução da confiança em torno do São João.

O dia 8 de setembro passa, assim, a carregar um duplo significado para a saúde de Divinópolis: lembra a virada iniciada em 2016 e, com a aprovação do projeto de Delano Santiago, caminha para se tornar oficialmente a data anual dedicada ao Complexo de Saúde São João de Deus.
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Reportagem produzida com apuração da redação; IA usada como apoio; texto revisado; imagem gerada por IA sob orientação do Divinews.

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