Exclusiva: após PT avaliar punição, Cleitinho vai a Frei Gaspar e abraça prefeita petista que declarou apoio a ele

Jackeliny Nascimento contrariou o próprio partido ao apoiar Cleitinho para o Governo de Minas e deixar Patrus Ananias fora de sua lista; neste sábado, senador foi à cidade e pregou “pacificação” na política

Publicado por: Geraldo Passos

A crise política provocada pelo apoio da prefeita de Frei Gaspar, Jackeliny Nascimento (PT), ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ganhou um novo capítulo neste sábado, 29 de agosto. Candidato ao Governo de Minas e adversário de Patrus Ananias, nome oficial do PT na disputa pelo Palácio Tiradentes, Cleitinho foi pessoalmente ao município do Vale do Mucuri e fez questão de demonstrar apoio à prefeita, cuja conduta passou a ser analisada internamente pelo próprio partido depois que ela decidiu subir no palanque eleitoral do republicano.

Durante o encontro, Cleitinho dirigiu-se diretamente a Jackeliny e afirmou que havia feito questão de passar por Frei Gaspar para abraçá-la. Em sua fala, o senador procurou transformar o episódio em um discurso de superação das diferenças partidárias. “Eu fiz questão de vir aqui pra te dar um abraço, porque eu acho que a política, a gente tem que fazer isso, dar exemplo, é de pacificar”, declarou.

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Em seguida, Cleitinho ressaltou justamente o fato de os dois estarem em partidos adversários na eleição estadual. “Você hoje tá no partido PT, eu tô no partido Republicanos”, disse, antes de acrescentar que, na visão dele, “o maior partido” seria o povo.

O candidato também agradeceu publicamente o apoio recebido da prefeita e afirmou que pretende retribuir a confiança caso seja eleito governador. “Eu vou te honrar sempre, eu vou sempre honrar essa confiança sua, esse apoio seu”, afirmou, citando ainda Frei Gaspar, Minas Gerais e o Vale do Mucuri em sua manifestação.

Apoio a Cleitinho colocou prefeita em rota de colisão com o PT

A controvérsia começou em 18 de agosto, quando Jackeliny publicou nas redes sociais uma espécie de “colinha” eleitoral com os candidatos que decidiu apoiar nas eleições de 2026.

Na disputa presidencial, a prefeita manteve apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para o Governo de Minas, entretanto, deixou de fora Patrus Ananias (PT) e declarou apoio a Cleitinho Azevedo, adversário direto do candidato de seu próprio partido.

A lista divulgada por Jackeliny misturou candidatos de diferentes legendas. Além de Lula e Cleitinho, apareceram Marília Campos (PT) e Marcelo Aro (PP) para o Senado, Euclydes Pettersen (Republicanos) para deputado federal e Neilando Pimenta (Republicanos) para deputado estadual.

A publicação provocou reação imediata no PT mineiro. A presidente estadual da legenda, deputada Leninha, chegou a comentar que parte daquele grupo apresentado pela prefeita não representava o “time de Lula” em Minas.

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PT colocou conduta da prefeita sob análise

Depois da repercussão, o PT-MG informou que analisaria a conduta de Jackeliny para verificar se o apoio a um candidato adversário poderia configurar infração às regras internas da legenda. Em nota divulgada à imprensa, Leninha afirmou que o partido verificaria a possibilidade de advertência ou outra penalidade, caso fosse constatada uma infração. CNN e UOL também registraram a abertura dessa avaliação partidária.

Apesar da repercussão sobre uma possível punição mais severa, a informação publicada pela Itatiaia na ocasião foi de que a expulsão da prefeita estava fora de cogitação. Segundo a apuração, uma medida desse tipo seria considerada em cenário diferente, como eventual apoio a outro candidato à Presidência da República, o que não ocorreu, já que Jackeliny continua apoiando Lula.

Mais recentemente, interlocutores do PT disseram a O Tempo que, embora a conduta permanecesse sob avaliação, eventual medida disciplinar poderia ficar para depois das eleições, diante do envolvimento das direções partidárias com a campanha.

Cleitinho já havia pedido que PT não punisse Jackeliny

Antes mesmo de encontrar a prefeita pessoalmente neste sábado, Cleitinho já havia entrado publicamente na discussão. Em 22 de agosto, o candidato ao governo pediu ao PT que não punisse Jackeliny por apoiá-lo. Na ocasião, argumentou que sua atuação política e parlamentar buscava atender municípios independentemente da filiação partidária dos prefeitos.

A passagem por Frei Gaspar neste sábado (29) deu uma dimensão ainda maior à aliança. O compromisso estava previsto na agenda eleitoral de Cleitinho, que também percorreu Teófilo Otoni e Itambacuri antes de seguir para Mirabela, no Norte de Minas.

Dias antes, a própria Jackeliny havia divulgado nas redes sociais um convite para um ato com Cleitinho em Frei Gaspar, reforçando publicamente que mantinha seu apoio ao candidato do Republicanos mesmo após a reação interna no PT.

Um palanque que mistura PT e Republicanos

A cena deste sábado representa uma situação incomum da campanha mineira. De um lado, está uma prefeita filiada ao PT, partido que possui candidato próprio ao Governo de Minas. Do outro, o principal nome que ela decidiu apoiar para o Palácio Tiradentes pertence ao Republicanos e disputa diretamente os votos com Patrus Ananias.

Jackeliny, porém, não rompeu eleitoralmente com o PT em todos os cargos. Continua apoiando Lula para presidente e Marília Campos para o Senado. É justamente essa composição partidariamente diversa que provocou o desconforto na direção petista.

Para Cleitinho, a aliança também reforça um discurso que ele vem utilizando durante a campanha. Na sexta-feira (28), ao comentar apoios recebidos de políticos filiados tanto ao PT quanto ao PL, o senador afirmou que isso demonstraria que não é um político “radical” ou “extremista”.

Em Frei Gaspar, ele retomou a mesma linha ao defender a pacificação e minimizar a divisão entre as siglas. A diferença, agora, é que o gesto aconteceu diante da própria prefeita que provocou a crise. E, mesmo com a possibilidade de punição partidária ainda no horizonte, Jackeliny e Cleitinho transformaram neste sábado a divergência interna do PT em uma imagem pública de aproximação política.

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Esta matéria contou com o auxílio de Inteligência Artificial na organização e estruturação do conteúdo, com apuração, orientação e revisão editorial do Divinews.

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