Câmara aprova projeto de Matheus Dias que reconhece Bandas Filarmônicas como Patrimônio Cultural de Divinópolis

Projeto de autoria do vereador Matheus Dias foi aprovado pela Câmara e segue para sanção do Executivo, valorizando tradição musical que atravessa gerações em Divinópolis.

Publicado por: Cassia Misael

A Câmara Municipal de Divinópolis aprovou o projeto de lei, de autoria do vereador Matheus Dias, que reconhece as Bandas Filarmônicas como Patrimônio Cultural Imaterial de Divinópolis. A proposta representa um passo importante para a preservação de uma tradição que atravessa gerações e que permanece presente em celebrações religiosas, eventos cívicos, festividades populares, solenidades e diferentes momentos da vida comunitária.

Com a aprovação pelos vereadores, o projeto segue agora para sanção do Poder Executivo. Caso seja sancionado, o reconhecimento passará a integrar oficialmente a legislação municipal, garantindo às Bandas Filarmônicas um novo status dentro das políticas de preservação e valorização da cultura de Divinópolis.

Continua depois da publicidade

Mais do que reconhecer a importância das bandas como grupos musicais, a proposta busca preservar uma manifestação cultural que também exerce papel social e educacional. Ao longo dos anos, esses grupos se transformaram em espaços de aprendizado, convivência e formação, especialmente para crianças e adolescentes que encontram na música uma oportunidade de desenvolver disciplina, responsabilidade e espírito coletivo.

Tradição que faz parte da identidade de Minas Gerais

A importância das bandas de música ultrapassa as apresentações realizadas em praças, igrejas, ruas e eventos oficiais. Em Minas Gerais, elas fazem parte da própria formação cultural de muitos municípios e permanecem ligadas à memória de diferentes gerações.

O músico Samuel Rosa, que atua há mais de 20 anos na área, destaca justamente essa relação entre as bandas e a identidade mineira. Para ele, a presença desses grupos representa uma tradição que acompanha a formação das cidades e que permanece relevante mesmo diante das transformações culturais e sociais.

“Uma banda de música é uma identidade de Minas Gerais. Em geral, as cidades mineiras sempre começam com uma igreja, uma praça e uma banda. Essa é a tradição”, afirmou.

Nesse sentido, o reconhecimento aprovado pela Câmara não representa apenas uma homenagem aos músicos que integram as bandas. A medida também procura garantir que essa tradição continue sendo conhecida, praticada e transmitida para as próximas gerações.

Música contribui para a formação de crianças e adolescentes

Além do valor histórico, as Bandas Filarmônicas também desempenham uma função educacional. O contato com a música pode ajudar crianças e adolescentes a desenvolver habilidades, responsabilidades e valores que ultrapassam o aprendizado de um instrumento.

Continua depois da publicidade

Samuel Rosa explica que uma das principais características de uma banda é justamente a necessidade de cada integrante compreender que sua participação faz parte de um conjunto maior. Dessa forma, o músico aprende a respeitar o espaço dos demais, ouvir, colaborar e entender que o resultado depende da contribuição de todos.

“Na banda de música, a gente aprende a dividir o espaço, a dividir a importância, a perceber que, no momento em que você está fazendo a música na banda, cada um tem a sua contribuição e faz parte de um todo”, explicou.

Segundo ele, essa experiência pode refletir diretamente na vida em sociedade. Mesmo quando a criança ou o adolescente não segue profissionalmente na música, os ensinamentos adquiridos durante a formação musical podem permanecer como parte de sua trajetória.

“Mesmo que a pessoa não siga como músico profissional, isso acaba refletindo na formação, dependendo de como cidadão”, acrescentou.

Por isso, o reconhecimento das bandas também pode ser entendido como uma forma de valorizar os espaços que oferecem às novas gerações contato com a cultura e com atividades coletivas.

Reconhecimento pode ampliar apoio e estrutura

Outro aspecto importante relacionado à aprovação do projeto é a possibilidade de fortalecer as condições de funcionamento das bandas. Embora o reconhecimento como patrimônio cultural tenha caráter principalmente cultural e institucional, ele pode abrir espaço para novas iniciativas de apoio, preservação e incentivo.

Na prática, as bandas precisam de uma estrutura que envolve instrumentos musicais, manutenção, uniformes, cadeiras, estantes e outros equipamentos necessários para ensaios e apresentações. Como os instrumentos possuem custos elevados, a manutenção dos grupos muitas vezes depende de apoio e parcerias.

Samuel Rosa considera que o reconhecimento representa justamente um primeiro passo para ampliar essas possibilidades.

“Esse reconhecimento é o primeiro passo para que se consiga, após esse reconhecimento, verbas de patrocínio, porque as bandas são muito carentes. Precisam de uniformes, de instrumentos, os instrumentos são caros, precisam de estrutura, de cadeiras, de estantes”, afirmou.

A partir desse novo status, portanto, a expectativa é que as Bandas Filarmônicas tenham mais visibilidade e possam ser contempladas em futuras ações de incentivo cultural, respeitando, naturalmente, os critérios legais e a disponibilidade orçamentária do município.

Projeto prevê registro como patrimônio cultural

O projeto aprovado pela Câmara estabelece que as Bandas Filarmônicas sejam reconhecidas como patrimônio cultural de natureza imaterial de Divinópolis. A proposta também prevê o registro das bandas no Livro de Bens Culturais de Natureza Imaterial do município.

Além disso, o texto prevê que o Poder Executivo, por meio do órgão municipal responsável pela cultura, possa adotar medidas para promover, apoiar e divulgar as atividades desenvolvidas pelas bandas.

A proposta também estabelece a inclusão das Bandas Filarmônicas no calendário cultural oficial do município, o que poderá incentivar a realização de eventos, festivais, apresentações públicas e outras atividades destinadas à valorização dessa manifestação cultural.

O projeto, entretanto, não cria despesas obrigatórias para o município. Eventuais medidas de incentivo, preservação e promoção deverão ser regulamentadas pelo Poder Executivo, observando a disponibilidade orçamentária.

Matheus Dias já atuou pelo reconhecimento de manifestações culturais

A proposta de reconhecimento das Bandas Filarmônicas também se soma a outras iniciativas relacionadas à valorização da cultura de Divinópolis. Entre elas está o Seresta na Praça, manifestação cultural que também passou pelo processo de reconhecimento como patrimônio cultural do município.

A iniciativa reforça uma linha de atuação voltada à preservação de manifestações que fazem parte da memória e da identidade da cidade. Nesse contexto, o projeto das Bandas Filarmônicas segue uma direção semelhante ao buscar transformar em reconhecimento institucional uma tradição que já possui forte presença na vida cultural de Divinópolis.

A importância desse tipo de iniciativa está justamente na possibilidade de preservar manifestações que, muitas vezes, permanecem vivas graças ao esforço de músicos, artistas, organizadores e da própria comunidade.

Quando uma tradição recebe reconhecimento oficial, ela passa a contar com uma referência institucional para ações de preservação, divulgação e valorização. Assim, o patrimônio deixa de depender apenas da memória oral e da continuidade espontânea das atividades e passa a integrar formalmente a política cultural do município.

Bandas já fazem parte da história de Divinópolis

Ao longo da história de Divinópolis, as bandas de música participaram de momentos importantes da vida comunitária. Seja em celebrações religiosas, seja em eventos públicos, solenidades, desfiles ou festividades, esses grupos ajudaram a construir memórias compartilhadas por diferentes gerações.

Entre os exemplos dessa tradição estão a Banda de Música do 23º Batalhão da Polícia Militar e a Banda Alternativa Bandalha, que se destacam pela participação em cerimônias, apresentações públicas e eventos realizados no município.

Além das apresentações, as bandas também funcionam como espaços de formação musical. Crianças, adolescentes e adultos podem aprender a tocar instrumentos, conhecer repertórios e desenvolver experiências coletivas que dificilmente seriam reproduzidas em uma atividade individual.

Dessa forma, a preservação das bandas significa também preservar histórias, repertórios, conhecimentos e relações construídas ao longo do tempo.

Valorização pode aproximar crianças da cultura

Para Samuel Rosa, o fortalecimento das bandas também pode contribuir para despertar o interesse das crianças pela música e por outras manifestações culturais. Segundo ele, muitas vezes a falta de contato é justamente o que impede uma criança de conhecer determinada expressão artística.

Quando existe a oportunidade de assistir a uma banda tocando, porém, a experiência pode despertar curiosidade e encantamento.

“Eu acredito que sim, porque toda criança, quando tem a oportunidade de assistir uma banda tocando, acaba ficando encantada”, afirmou.

Por isso, ampliar as apresentações e valorizar os grupos pode funcionar como uma porta de entrada para a cultura. Uma criança que assiste a uma apresentação pode se interessar por um instrumento, procurar uma aula, acompanhar os músicos e, posteriormente, tornar-se integrante de uma banda.

Esse processo também pode criar um ciclo de renovação. Enquanto músicos mais experientes transmitem conhecimento, os mais jovens passam a ocupar novos espaços e garantem que a tradição continue viva.

Samuel também destaca que o contato com a música pode oferecer às crianças uma alternativa positiva de desenvolvimento e expressão.

“Valorizar as bandas e fazer as bandas tocarem acaba atraindo as crianças”, afirmou.

Próximo passo depende da sanção do Executivo

Com a aprovação pela Câmara Municipal, o projeto de autoria de Matheus Dias entra agora em uma nova etapa. A proposta será encaminhada ao Poder Executivo e dependerá da sanção para que o reconhecimento das Bandas Filarmônicas seja oficialmente transformado em lei.

Se sancionada, a medida consolidará no município o reconhecimento de uma manifestação cultural que já está presente no cotidiano de Divinópolis e que, além de preservar parte da história local, contribui para a formação de novos músicos e cidadãos.

Assim, o projeto aprovado pelos vereadores representa um passo para aproximar memória, cultura e educação, ao mesmo tempo em que cria uma perspectiva de maior valorização para os músicos e grupos que mantêm essa tradição ativa.

Ao reconhecer as Bandas Filarmônicas como Patrimônio Cultural Imaterial, Divinópolis poderá não apenas preservar aquilo que recebeu das gerações anteriores, mas também criar condições para que a música continue ocupando praças, ruas, igrejas, eventos e espaços públicos e, principalmente, continue fazendo parte da formação das próximas gerações.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados