Uma ferramenta desenvolvida dentro da UPA Padre Roberto Cordeiro Martins, em Divinópolis, ultrapassou os limites do município e passou a integrar uma discussão estadual sobre o enfrentamento das doenças respiratórias. Nesta terça-feira (18), a unidade apresentou às Unidades Sentinelas de Síndrome Gripal de Minas Gerais a matriz de seu Plano de Contingência, utilizada para acompanhar a circulação de vírus respiratórios e orientar decisões diante das mudanças no cenário epidemiológico.
A apresentação ocorreu durante uma reunião on-line e colocou em evidência uma metodologia construída pela própria equipe da UPA Divinópolis, administrada pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste (CIS-URG Oeste).
O trabalho é coordenado tecnicamente pela médica infectologista Natália Archanjo e, conforme o CIS-URG Oeste, recebeu reconhecimento da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). A partir disso, a experiência de Divinópolis foi compartilhada com outras unidades que integram a rede estadual.
Ferramenta transforma dados em decisões
Na prática, a matriz permite acompanhar de maneira sistemática indicadores epidemiológicos relacionados às doenças respiratórias.
A proposta é utilizar as informações produzidas diariamente pela própria unidade para perceber alterações no comportamento das síndromes respiratórias e, a partir delas, preparar o serviço para diferentes cenários.
A ferramenta foi incorporada ao Plano de Contingência da UPA e passou a orientar estratégias principalmente nos períodos de maior circulação de vírus respiratórios.
O acompanhamento pode ajudar, por exemplo, na identificação precoce de mudanças nos indicadores e fornecer elementos para que a gestão organize a assistência de acordo com o cenário observado.
A infectologista Natália Archanjo explica que a proposta surgiu justamente da necessidade de aproveitar melhor as informações que já fazem parte da rotina dos serviços de saúde.
“A vigilância dos vírus respiratórios exige um olhar contínuo e integrado. A construção dessa ferramenta foi justamente para transformar os dados que já produzimos na rotina em informações que possam apoiar a gestão e a assistência”, afirmou.
Segundo a médica, levar a experiência para outras Unidades Sentinelas também abre espaço para uma troca entre profissionais de diferentes regiões.
“Poder apresentar esse trabalho para outras Unidades Sentinelas amplia essa discussão e permite também conhecer diferentes realidades e experiências”, acrescentou.
Divinópolis integra rede de vigilância de síndrome gripal
A UPA Padre Roberto Cordeiro Martins faz parte da Rede Estadual de Unidades Sentinelas de Síndrome Gripal.
Essas unidades desempenham papel importante na vigilância epidemiológica porque produzem informações utilizadas para acompanhar a circulação de vírus respiratórios e as alterações no cenário das doenças.
No caso de Divinópolis, os dados produzidos pela UPA contribuem para o acompanhamento realizado em Minas Gerais e podem auxiliar no planejamento de medidas diante de períodos de maior pressão provocada pelas doenças respiratórias.
A importância desse tipo de monitoramento aumenta especialmente em determinadas épocas do ano, quando a circulação viral pode provocar crescimento da procura pelos serviços de saúde.
Experiência de Divinópolis ganha alcance estadual
Para o secretário-executivo do CIS-URG Oeste, José Marcio Zanardi, o convite para apresentar a metodologia demonstra que uma experiência desenvolvida localmente pode contribuir para discussões que envolvem toda a rede estadual.
“É muito importante para o Consórcio poder compartilhar uma experiência construída dentro da UPA Divinópolis e que hoje ganha espaço em uma discussão de âmbito estadual”, declarou.
Zanardi também destacou o trabalho realizado pelas equipes da unidade.
“Esse reconhecimento valoriza o trabalho das equipes e reforça o compromisso da Instituição em apoiar iniciativas que contribuem para qualificar a gestão e a assistência em saúde”, completou.
Com a apresentação realizada nesta terça-feira, a experiência desenvolvida em Divinópolis passa a ser conhecida por outras Unidades Sentinelas de Minas Gerais. Mais do que reunir números, a proposta da matriz é utilizar os dados epidemiológicos como instrumento para antecipar cenários e auxiliar a organização do atendimento justamente quando a circulação dos vírus respiratórios aumenta.






