A corrida pelo Governo de Minas Gerais em 2026 começa também com uma fotografia do patrimônio declarado pelos candidatos à Justiça Eleitoral. Entre os 11 nomes que disputam o comando do estado, os valores informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentam uma diferença expressiva: vão de R$ 479,89 a R$ 13,35 milhões. As declarações fazem parte do processo de registro das candidaturas e permitem que o eleitor conheça os bens informados por quem pretende administrar o segundo estado mais populoso do país. Além disso, os dados ajudam a mostrar como cada candidato apresenta sua situação patrimonial no momento em que entra oficialmente na disputa eleitoral.
Embora os valores chamem atenção pela distância entre o menor e o maior patrimônio, a declaração de bens tem caráter informativo. Portanto, o patrimônio declarado não representa, por si só, capacidade administrativa, desempenho eleitoral ou qualquer avaliação sobre os candidatos. Entre os nomes que concorrem ao Palácio Tiradentes, Flávio Roscoe (PL) aparece com o maior patrimônio declarado, de R$ 13,35 milhões. Na outra ponta, Indira Xavier (UP) informou possuir R$ 479,89. Além disso, Ben Mendes (Missão), Henrique Áreas (PCO), Rafael Duda (PSTU) e Túlio Lopes (PCB) declararam não possuir bens.
Flávio Roscoe lidera patrimônio declarado, com R$ 13,35 milhões
O maior patrimônio entre os candidatos ao Governo de Minas foi declarado por Flávio Roscoe (PL). O empresário informou à Justiça Eleitoral possuir R$ 13,35 milhões em bens.
Entre os itens apresentados, chama atenção um depósito a prazo de R$ 7,22 milhões, que representa uma parcela importante do patrimônio declarado.
Na relação de imóveis, Roscoe informou um apartamento em Nova Lima, avaliado em R$ 2,1 milhões, além de duas salas comerciais em Belo Horizonte, declaradas pelo valor de R$ 150 mil.
Como esta é a primeira candidatura de Roscoe considerada no levantamento apresentado, não há, segundo os dados divulgados, uma declaração anterior que permita comparar a evolução de seu patrimônio em eleições passadas.
Alexandre Kalil declara R$ 5,94 milhões
O ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato do PDT, Alexandre Kalil, declarou R$ 5,94 milhões em patrimônio.
O valor representa crescimento de aproximadamente 62,6% em relação à declaração apresentada por ele em 2022. Naquele ano, Kalil havia informado patrimônio de cerca de R$ 3,65 milhões.
De acordo com os dados apresentados, parte da evolução ocorreu com a incorporação de bens herdados por sua esposa e com o aumento de depósitos mantidos no exterior. A maior parte dos imóveis, participações societárias e veículos permaneceu declarada pelos mesmos valores.
A comparação entre as duas declarações mostra, portanto, uma mudança relevante no patrimônio informado pelo candidato ao longo do período.
Mateus Simões informa R$ 2,9 milhões
O atual governador e candidato à reeleição pelo PSD, Mateus Simões, declarou R$ 2,9 milhões em bens.
Em relação à declaração apresentada em 2022, quando concorreu como candidato a vice-governador, o patrimônio teve uma redução de aproximadamente 2,71%.
Naquele ano, Simões havia declarado cerca de R$ 2,98 milhões. Agora, o valor informado caiu aproximadamente R$ 80,7 mil.
Segundo o levantamento, as principais reduções ocorreram em recursos aplicados em ações, fundos e investimentos de renda fixa.
Patrus Ananias declara R$ 1,24 milhão
O candidato do PT, Patrus Ananias, informou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1,24 milhão.
O valor representa crescimento de 21,65% em relação a 2022, quando o petista declarou aproximadamente R$ 1,02 milhão.
A composição do patrimônio também passou por mudanças no período. Conforme os dados apresentados, Patrus vendeu imóveis de maior valor e veículos e concentrou parte dos recursos em aplicações de longo prazo e previdência privada.
Dessa forma, apesar da elevação do patrimônio total declarado, a composição dos bens mudou de maneira significativa entre as duas eleições.
Gabriel Azevedo informa R$ 1,7 milhão
O candidato do MDB, Gabriel Azevedo, declarou R$ 1,7 milhão em patrimônio.
Na comparação com 2024, quando disputou a Prefeitura de Belo Horizonte, o valor representa crescimento de 36,86%. Naquela eleição, ele havia declarado cerca de R$ 1,24 milhão.
Entre as mudanças apontadas está a aquisição de um novo imóvel, avaliado em R$ 406 mil, além de alterações na carteira de investimentos.
Outro item que chama atenção na declaração é a coleção de bicicletas. Em 2024, Gabriel havia informado duas bicicletas avaliadas em R$ 7,5 mil. Em 2026, são quatro modelos, que juntos somam R$ 35 mil.
Cleitinho declara R$ 956,5 mil
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) informou um patrimônio de aproximadamente R$ 956,5 mil.
O valor representa crescimento de cerca de 76% em relação à declaração feita em 2022, quando ele disputou e venceu a eleição para o Senado. Na ocasião, havia informado aproximadamente R$ 544 mil em bens.
A declaração atual inclui imóveis, veículos, investimentos, participação empresarial e valores mantidos em contas bancárias.
Entre os bens declarados estão uma casa em Divinópolis, veículos e recursos aplicados em instituições financeiras.
Outros candidatos ficam abaixo de R$ 1 milhão
Além dos nomes que ultrapassam a marca de R$ 1 milhão, a disputa também reúne candidatos com patrimônios inferiores a esse valor.
Ben Mendes (Missão) informou à Justiça Eleitoral que não possui bens a declarar. Como estreante na política, não há declaração anterior disponível para estabelecer uma comparação patrimonial.
Já Henrique Áreas (PCO) também declarou não possuir bens.
O candidato Rafael Duda (PSTU) igualmente informou patrimônio zero em 2026. Entretanto, ele possui uma declaração anterior registrada no TSE. Em 2024, quando disputou a Prefeitura de Congonhas, havia declarado R$ 90 mil, referentes a um apartamento financiado.
Túlio Lopes (PCB) também declarou não possuir bens em 2026. O candidato, que já participou de outras disputas eleitorais, havia declarado R$ 7 mil em 2014, referentes a um Fiat Uno de 1997.
Indira Xavier declara apenas R$ 479,89
Entre todos os candidatos, Indira Xavier (UP) apresentou o menor patrimônio.
A candidata declarou R$ 479,89, valor correspondente a um depósito em conta corrente.
O montante também representa redução em relação à declaração feita em 2024, quando Indira disputou a Prefeitura de Belo Horizonte e informou patrimônio de R$ 592,97.
A diferença, portanto, não está apenas entre os candidatos que possuem milhões em patrimônio e aqueles que declararam valores menores. A própria comparação histórica mostra mudanças importantes na situação patrimonial de alguns nomes ao longo das eleições.
O que significa declarar bens ao TSE?
A declaração de patrimônio faz parte das exigências para o registro de candidatura. Por meio dela, o eleitor pode consultar os bens informados pelos candidatos antes de escolher seus representantes.
O documento apresenta o patrimônio declarado pelo próprio candidato e pode reunir diferentes tipos de bens e direitos, como imóveis, veículos, dinheiro em conta, aplicações financeiras, participações empresariais e outros investimentos.
Por outro lado, é importante entender que os valores declarados não necessariamente correspondem ao preço atual de mercado de um determinado bem. A declaração segue os critérios utilizados pelo candidato no registro junto à Justiça Eleitoral.
Além disso, a existência de um patrimônio maior ou menor não permite concluir, isoladamente, sobre a situação financeira completa de uma pessoa ou sobre sua capacidade de administrar recursos públicos.
Por que os números chamam tanta atenção?
A diferença patrimonial entre os candidatos ganha relevância porque a eleição coloca lado a lado perfis bastante distintos.
De um lado, Flávio Roscoe declarou R$ 13,35 milhões, o maior valor entre os concorrentes. De outro, Indira Xavier informou R$ 479,89, enquanto quatro candidatos declararam não possuir bens.
Entre esses extremos estão patrimônios como os de Alexandre Kalil, Mateus Simões, Patrus Ananias, Gabriel Azevedo e Cleitinho, que apresentam valores intermediários, mas também com composições bastante diferentes.
Essa diversidade ajuda o eleitor a compreender melhor o perfil patrimonial dos nomes que estarão nas urnas. Mais do que observar apenas quem possui o maior ou o menor valor, a consulta permite verificar como cada candidato compõe aquilo que declarou à Justiça Eleitoral.
Patrimônio declarado não é sinônimo de patrimônio real de mercado
Outro ponto importante na leitura dos dados é que a declaração eleitoral representa as informações apresentadas formalmente ao TSE.
Um imóvel, por exemplo, pode aparecer declarado por determinado valor, mesmo que seu preço de mercado atualmente seja diferente. O mesmo pode ocorrer com veículos, participações empresariais e outros ativos.
Por isso, a comparação deve considerar os valores registrados na Justiça Eleitoral e não necessariamente uma estimativa de mercado de todos os bens.
Além disso, mudanças entre uma eleição e outra podem ocorrer por compra ou venda de patrimônio, herança, reorganização de investimentos, quitação de dívidas ou alteração na forma como determinados bens aparecem na declaração.
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