Juarez Marques dos Santos, de 51 anos, conhecido como “Lázaro de Ermida”, foi preso na manhã desta quinta-feira (13), em Santo Antônio do Monte, no Centro-Oeste de Minas. A captura colocou fim a uma fuga que durava quase um ano. Agora, porém, a prisão abre uma nova etapa das investigações: a Polícia Civil quer descobrir como o suspeito conseguiu permanecer escondido durante tantos meses e se contou com a ajuda de outras pessoas.
Quatro mandados de prisão, contra Juarez havia quatro mandados de prisão em aberto. Um deles está relacionado ao feminicídio da companheira, ocorrido na comunidade do Choro, zona rural de Divinópolis, além do feminicídio, ele também é apontado em investigações envolvendo roubo, importunação sexual e outros delitos. Durante a coletiva realizada após a captura, as forças de segurança apresentaram novos detalhes sobre o histórico do suspeito, o período em que permaneceu foragido e a estratégia utilizada para localizá-lo.
Histórico de violência chama atenção, outro ponto destacado pela Polícia Civil envolve um crime ocorrido anos antes. Segundo o delegado Vivaldi Levilhés, Juarez já havia sido preso em flagrante, em 2006, por uma tentativa de feminicídio ocorrida em Arinos, no Noroeste de Minas. Conforme relatado pelo delegado, após algum tempo ele foi colocado em liberdade e posteriormente permaneceu foragido. Atualmente, ainda havia mandado de prisão relacionado ao caso, com pena de aproximadamente 13 anos de reclusão, o episódio reforça um histórico de violência que agora também integra o contexto das investigações relacionadas ao suspeito.
Quem ajudou Lázaro durante quase um ano? Com Juarez preso, uma das principais perguntas passa a ser outra: como ele conseguiu permanecer escondido durante tantos meses? A Polícia Civil pretende investigar se houve participação de terceiros durante a fuga. A apuração deverá buscar informações sobre pessoas que eventualmente tenham oferecido abrigo, alimentação ou qualquer outro tipo de auxílio ao foragido. Caso seja comprovado que alguém atuou deliberadamente para ajudá-lo a escapar da ação policial, a eventual responsabilidade criminal será analisada pelas autoridades, linha férrea era utilizada nos deslocamentos. Um dos detalhes revelados pela Polícia Militar ajuda a entender como “Lázaro de Ermida” conseguia circular pela região.
Segundo a PM, Juarez utilizava com frequência a linha férrea para se deslocar entre cidades, estratégia que dificultava sua localização, as informações levantadas pelos militares indicavam ainda que o próximo destino do foragido poderia ser Lagoa da Prata. Foi justamente próximo à linha férrea que a operação ganhou seu capítulo decisivo. Policiais se passaram por trabalhadores rurais, o major César Bittencourt revelou detalhes da estratégia utilizada pelos policiais para realizar a prisão sem dar ao suspeito a oportunidade de fugir. Após identificarem à distância um homem caminhando pela linha férrea com características semelhantes às de Juarez, os militares evitaram uma aproximação que pudesse levantar suspeitas. De acordo com o major, os policiais permaneceram no local como se fossem trabalhadores rurais, aguardando que o próprio suspeito se aproximasse.
A estratégia funcionou, sem perceber que estava diante de policiais, Juarez se aproximou e chegou, segundo o relato do major, a cumprimentar os militares, foi então abordado e preso, conforme a Polícia Militar, a ação ocorreu de maneira rápida e Juarez não teve oportunidade de esboçar reação. Filha de 13 anos encontrou a mãe morta, o feminicídio investigado em Divinópolis ganhou grande repercussão não apenas pela violência empregada contra a vítima, mas também pelo drama vivido pela filha do casal, que tinha apenas 13 anos. Segundo as informações apresentadas durante a coletiva, no mesmo dia do crime, a mulher já havia sido agredida. Quando a adolescente chegou em casa, encontrou a mãe lesionada. A própria vítima teria pedido à filha que saísse para procurar ajuda. Ao retornar para casa, porém, a menina encontrou a mãe morta.
De acordo com a Polícia Civil, a vítima foi atingida por diversos golpes com um banco de madeira. A violência teria sido tamanha que o objeto chegou a quebrar durante as agressões, o relato da adolescente e as circunstâncias encontradas no local passaram a integrar uma das partes mais delicadas da investigação. Prisão encerra fuga, mas investigação continua e depois da captura desta quinta-feira, Juarez Marques dos Santos está sendo transferido de Santo Antônio do Monte para a Delegacia de Polícia Civil em Divinópolis, onde ficará à disposição da Justiça. A prisão encerra quase um ano de buscas, mas não significa o encerramento do caso.
Além dos procedimentos relacionados aos mandados existentes e aos demais crimes investigados, a polícia agora busca reconstruir os passos de “Lázaro de Ermida” durante o período em que permaneceu foragido e identificar se outras pessoas contribuíram para que ele conseguisse se esconder.






