O candidato ao Governo de Minas pelo PDT, Alexandre Kalil, colocou as renúncias fiscais no centro do debate sobre as contas públicas do Estado. Durante encontro com despachantes mineiros realizado nesta segunda-feira (10), o ex-prefeito de Belo Horizonte defendeu a revisão dos incentivos concedidos pelo governo estadual e afirmou que pretende cortar pelo menos R$ 5 bilhões desse montante.
Segundo Kalil, as renúncias fiscais de Minas podem ultrapassar R$ 25 bilhões em 2027. Na avaliação do candidato, uma redução de R$ 5 bilhões representaria uma fonte adicional de recursos para o Estado e poderia ajudar, ainda que parcialmente, no enfrentamento do déficit fiscal.
A declaração foi feita durante evento promovido pela Federação dos Despachantes de Minas Gerais (FEDESPMG), que reuniu representantes da categoria para discutir as mudanças no setor de trânsito e propostas para o próximo governo estadual.
Kalil questiona transparência dos benefícios
Além de defender a redução das renúncias, Kalil criticou a falta de informações públicas sobre as empresas beneficiadas pelos incentivos fiscais. Para o candidato, a concessão de benefícios precisa estar acompanhada de critérios claros e transparência sobre os valores envolvidos.
“Não é possível que Minas renuncie a mais de R$ 25 bilhões no ano sem que o público saiba sequer quem são os favorecidos”, declarou.
Kalil também mencionou empresas que, segundo ele, estariam entre as beneficiadas pela política de incentivos. Entre os exemplos citados está a Eletrozema, empresa ligada à família do ex-governador Romeu Zema.
A crítica insere a política de benefícios fiscais no confronto eleitoral de 2026. Ao questionar os incentivos concedidos durante a atual gestão, o candidato do PDT tenta associar a discussão fiscal à necessidade de ampliar a arrecadação sem elevar impostos.
Para Kalil, o caminho seria revisar benefícios considerados excessivos ou pouco transparentes e redirecionar parte desses recursos para áreas e obrigações do Estado.
Proposta mira o equilíbrio das contas públicas
A proposta de corte de R$ 5 bilhões é apresentada por Kalil como uma das alternativas para melhorar a situação financeira de Minas. O candidato argumenta que a revisão das renúncias poderia criar espaço no orçamento sem depender exclusivamente de novas receitas.
O tema ganha relevância porque a situação fiscal do Estado deve permanecer entre os principais assuntos da campanha eleitoral. O equilíbrio das contas públicas, os investimentos e a capacidade de Minas de financiar serviços e obras devem estar no centro das discussões entre os candidatos ao Palácio Tiradentes.
Nesse contexto, Kalil pretende transformar a política de incentivos fiscais em uma das principais diferenças entre seu projeto e o modelo adotado pelo atual governo.
A proposta, entretanto, também deve provocar debate sobre os efeitos econômicos das renúncias. Benefícios fiscais costumam ser utilizados pelos governos como instrumento para atrair empresas, estimular investimentos e preservar ou gerar empregos. Por isso, uma eventual revisão exige análise dos impactos econômicos de cada programa.
Detran-MG também é alvo de críticas
O encontro com os despachantes não ficou restrito à questão fiscal. Kalil também criticou o processo de concessão e terceirização de serviços relacionados ao Detran-MG.
Para o candidato, as mudanças atingem tanto os profissionais que trabalham no setor quanto os cidadãos que utilizam os serviços de trânsito.
Kalil questionou especialmente o afastamento do Detran da estrutura policial e argumentou que a mudança pode dificultar o encaminhamento de denúncias e a relação do cidadão com as forças de segurança.
“Enfraquecer a polícia nunca é bom; é reduzir sua capacidade. Se o Detran está vinculado à polícia, ao fazer uma denúncia ali você está se dirigindo à instituição policial. Hoje, você faz essa denúncia a uma empresa”, afirmou.
A crítica tem relação direta com uma das principais pautas apresentadas pelos despachantes. A categoria acompanha as mudanças na prestação dos serviços de trânsito e reivindica participação nas decisões que alteram a rotina de atendimento e trabalho dos profissionais.
Kalil afirmou que, caso seja eleito, pretende discutir com os despachantes as mudanças no modelo de funcionamento do Detran e na gestão do trânsito em Minas.
Copasa e Cemig entram no discurso
A política de privatizações e concessões do Governo de Minas também foi questionada pelo candidato. Kalil citou a Copasa e a Cemig como exemplos de empresas que, na avaliação dele, não deveriam ser tratadas apenas sob a perspectiva da desestatização.
Em relação à Copasa, o candidato criticou a transferência de 30% do capital da companhia para a Equatorial Energia, operação concluída em junho.
Kalil afirmou que a empresa continua gerando recursos para o Estado e questionou a decisão de reduzir a participação pública na companhia.
“A Copasa foi sucateada para ser vendida. Foi abandonada pelo governo de Minas. A empresa entrega, todos os anos, R$ 400 milhões ao Estado. E a Cemig entrega R$ 4 bilhões”, afirmou.
O candidato também voltou a questionar a possibilidade de privatização da Cemig. Para Kalil, a geração de receitas pelas empresas públicas deveria ser considerada antes de qualquer decisão de venda ou transferência de controle.
“Então, por que tanta pressa em privatizar uma empresa que, mesmo desgastada e sem os devidos cuidados, continua gerando lucro para o governo? Para que essa pressa?”, questionou.
A posição coloca Kalil em oposição direta ao projeto de desestatização defendido pelo atual governo estadual.
Despachantes entregam carta de compromissos
Durante o encontro, a Federação dos Despachantes de Minas Gerais entregou a Kalil a Carta Compromisso dos Despachantes de Minas Gerais. O documento reúne reivindicações da categoria e deverá ser apresentado aos demais candidatos ao Governo de Minas.
A entrega foi feita pelo presidente da entidade, Sebastião Teixeira Marques. A intenção é estabelecer compromissos públicos dos candidatos em relação às políticas de trânsito, ao funcionamento do Detran e às condições de trabalho dos despachantes.
Ao receber o documento, Kalil afirmou que pretende manter diálogo com a categoria e discutir as mudanças que deverão ser implementadas no setor.
“Não permitiremos que um serviço essencial ao cidadão seja tratado como mercadoria. O Detran é do povo de Minas e precisa ser gerido com respeito ao usuário e ao profissional que atua na linha de frente”, reforçou.
Disputa pelo Governo de Minas
As declarações de Kalil ocorrem em um momento de intensificação das articulações para as eleições de 2026. A disputa pelo Governo de Minas deve reunir diferentes projetos para a administração estadual, com temas como situação fiscal, privatizações, investimentos e prestação de serviços públicos entre os principais pontos de confronto.
Ao colocar as renúncias fiscais no centro de sua fala, Kalil busca apresentar uma alternativa para aumentar a disponibilidade de recursos do Estado sem depender apenas de aumento de arrecadação.
A proposta de cortar R$ 5 bilhões, porém, deverá ser acompanhada de uma discussão sobre quais incentivos seriam atingidos, quais empresas seriam afetadas e quais contrapartidas econômicas estão vinculadas aos benefícios atualmente concedidos.
O candidato também usa a crítica às privatizações e à terceirização do Detran-MG para reforçar um discurso de defesa da presença direta do Estado na prestação de serviços.
Com isso, Kalil começa a delinear uma plataforma eleitoral baseada em três frentes principais: revisão dos benefícios fiscais, questionamento das desestatizações e mudanças na gestão dos serviços públicos.
O encontro com os despachantes serviu, portanto, não apenas para apresentar propostas à categoria, mas também para posicionar Kalil diante de alguns dos temas que devem dominar o debate eleitoral em Minas nos próximos meses.






