Cleitinho reage no Senado a suposta tentativa de barrar sua candidatura ao Governo de Minas

Após desistir, voltar atrás e enfrentar uma crise com o Republicanos, senador diz que não recuará e desafia quem tentar judicializar sua candidatura.

Publicado por: Cassia Misael

Senador afirma que adversários estariam articulando uma tentativa de judicialização antes mesmo da oficialização da candidatura e promete ir até o fim da disputaA candidatura de Cleitinho Azevedo ao Governo de Minas ganhou um novo capítulo e, desta vez, com ameaça de batalha na Justiça Eleitoral. Em meio à crescente movimentação nos bastidores da disputa de 2026, o senador afirmou, em discurso no plenário do Senado nesta terça-feira (11), que adversários estariam articulando uma tentativa de barrar sua candidatura “no tapetão” antes mesmo da oficialização definitiva do nome nas urnas. No entanto, sem apresentar nomes ou documentos que comprovem uma eventual ação judicial, Cleitinho disse ter recebido informações de que sua candidatura poderia ser questionada na Justiça Eleitoral. Diante disso, o senador reagiu em tom desafiador e afirmou que não pretende recuar.

“Quem for fazer isso agora que a gente oficializar a nossa candidatura e for querer judicializar, mostre a cara. Seja homem, mostre a cara e venha quente que eu estou fervendo.”

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A declaração ocorre, portanto, depois de semanas de incerteza em torno do futuro eleitoral do senador. Cleitinho chegou a anunciar que não disputaria o Governo de Minas, voltou atrás, entrou em choque com a direção nacional do Republicanos e, posteriormente, conseguiu reabrir o caminho para sua candidatura. Agora, diante de mais uma possível reviravolta, afirma que poderá enfrentar uma nova disputa, desta vez nos tribunais.

Da desistência ao “tapetão”: a candidatura que virou uma novela política

A atual tensão é resultado de uma sequência de idas e vindas que transformou a pré-candidatura de Cleitinho em um dos principais assuntos da política mineira nos últimos meses. Nesse contexto, a disputa pelo Palácio Tiradentes passou a envolver não apenas a definição de alianças, mas também uma queda de braço dentro do próprio partido do senador.

O senador vinha sendo pressionado desde o primeiro semestre a definir se deixaria o Senado para disputar o Palácio Tiradentes. Ao mesmo tempo, o Republicanos chegou a estabelecer prazos para uma decisão, enquanto o PL aguardava uma definição para saber se poderia construir uma aliança em torno de seu nome.

Enquanto as conversas avançavam, em julho, Cleitinho voltou a adiar a decisão. No início do mês, chegou a dizer que só definiria seu futuro após o encerramento das convenções partidárias. Naquele momento, o parlamentar acumulava sucessivos adiamentos sobre a entrada na disputa.

Enquanto isso, o nome do ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, passou a ser colocado como possível alternativa do Republicanos. Por outro lado, Falcão vinha sendo apresentado pelo próprio Cleitinho como seu escolhido para a vaga de vice-governador.

Diante desse cenário, a indefinição chegou ao ponto de Cleitinho não comparecer à convenção estadual do Republicanos, realizada em 25 de julho. O partido deixou a candidatura ao governo em aberto e o senador não teve seu nome homologado naquele momento.

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Republicanos chegou a dizer que Cleitinho estava fora

O momento mais crítico veio em 29 de julho. Naquela ocasião, o Republicanos divulgou uma nota afirmando que Cleitinho não seria o candidato da legenda ao Governo de Minas. O partido justificou a decisão pela falta de uma definição firme do senador e pelo impacto que as sucessivas indefinições estavam causando na construção das alianças eleitorais.

A decisão parecia encerrar a novela. No entanto, a história estava longe de terminar.

No mesmo dia, porém, Cleitinho afirmou publicamente que seria candidato ao Governo de Minas. Em Divinópolis, o senador anunciou que pretendia disputar o cargo e voltou a defender Luís Eduardo Falcão como candidato a vice. A partir daquele momento, começou uma disputa interna dentro do próprio Republicanos sobre a possibilidade de viabilizar a candidatura.

De um lado, o diretório mineiro passou a defender uma candidatura própria ao Governo de Minas. Do outro, a direção nacional havia demonstrado resistência ao nome de Cleitinho. Como consequência, a situação abriu uma crise partidária que poderia, inclusive, chegar à Justiça Eleitoral.

A reviravolta que recolocou Cleitinho no jogo

Depois de anunciar que seria candidato, Cleitinho protagonizou outra mudança de posição. Poucos dias depois, em 3 de agosto, o senador publicou um vídeo em que anunciou a desistência da disputa. O parlamentar justificou a decisão pelo momento emocional vivido após a morte do irmão, Matheus Azevedo.

Entretanto, no dia seguinte, voltou atrás e afirmou que queria disputar o Governo de Minas. A nova mudança aconteceu durante a convenção do Republicanos e, mais uma vez, recolocou a direção partidária diante do dilema sobre como acomodar o senador na disputa.

Nesse cenário, o episódio foi decisivo para o novo capítulo da candidatura. O Republicanos de Minas decidiu manter aberta a possibilidade de uma candidatura própria e passou a trabalhar para definir o nome que disputaria o Palácio Tiradentes. Foi justamente a partir desse conflito interno, portanto, que surgiu a possibilidade de uma disputa judicial em torno da candidatura.

Reportagens publicadas nos últimos dias apontaram que o diretório mineiro do Republicanos passou a se preparar juridicamente para o registro das candidaturas, enquanto a direção nacional demonstrava resistência ao caminho escolhido pelo grupo estadual.

Pesquisa ajudou a manter Cleitinho no centro da disputa

Apesar das incertezas partidárias, existe um fator que ajuda a explicar por que a candidatura de Cleitinho continua provocando tanta movimentação: as pesquisas eleitorais. Nesse sentido, levantamento Genial/Quaest divulgado em 28 de julho mostrou o senador na liderança em todos os cenários testados para o Governo de Minas. Alexandre Kalil, Patrus Ananias e Mateus Simões apareciam na sequência, em situação de empate técnico dentro da margem de erro.

Além disso, o desempenho nas pesquisas também foi citado nas discussões internas do Republicanos. A manutenção de Cleitinho como nome competitivo passou a pressionar o partido a encontrar uma solução para colocá-lo na disputa, mesmo depois dos conflitos provocados pelas indefinições.

É justamente nesse ponto, portanto, que a fala de Cleitinho no Senado ganha peso político: ele não apresentou a possibilidade de judicialização como uma questão isolada, mas como parte de uma disputa maior pelo controle da sucessão estadual.

“Que medo é esse de eu disputar?”

No plenário, Cleitinho questionou por que adversários estariam interessados em impedir sua candidatura.

“Que medo é esse que estão de eu poder disputar uma eleição de governador dentro do Estado de Minas Gerais?”

Além disso, o senador afirmou que sua intenção seria disputar a eleição para governar Minas e não atender interesses de grupos econômicos ou políticos.

Em outro momento, citou diretamente o setor de mineração.

“Essa turma das mineradoras, vocês me aguardem, porque vocês, a vida inteira, compraram pessoas lá dentro. Eu, vocês não vão comprar.”

É importante destacar, entretanto, que Cleitinho não apontou nominalmente uma empresa, partido ou adversário como responsável por uma eventual tentativa de judicialização. A afirmação sobre uma possível ação foi feita pelo próprio senador durante o discurso.

Cleitinho diz que quer “abrir a caixa-preta” de Minas

Além da reação à possível judicialização, o discurso também serviu para o senador apresentar parte da narrativa que pretende levar para a campanha. Cleitinho afirmou que, caso seja eleito, pretende fazer uma espécie de pente-fino na administração estadual e investigar situações que considera irregulares.

“Se eu ganhar, pode ter certeza que eu vou abrir uma caixa preta.”

Na mesma linha, o senador disse ainda que pretende trabalhar em parceria com o Ministério Público e defendeu que suas próprias contas e ações sejam fiscalizadas. Em tom de provocação, afirmou que ele e seus secretários poderiam ter as contas e telefones monitorados.

“Quem não deve, não teme.”

Segundo Cleitinho, a proposta seria utilizar a transparência como uma das marcas de eventual governo.

“O Estado não está quebrado; está sendo roubado”, afirma

Outro eixo importante do discurso, por sua vez, foi a situação fiscal de Minas Gerais. Cleitinho rejeitou a narrativa de que o Estado estaria simplesmente “quebrado” e apresentou uma interpretação mais dura sobre o problema.

“O Estado está quebrado nada não. O Estado nunca foi quebrado. O Estado sempre foi roubado.”

A partir dessa afirmação, a declaração foi acompanhada de críticas à forma como Minas foi administrada ao longo dos anos.

O senador afirmou que pretende direcionar sua eventual gestão para regiões e setores que considera historicamente menos atendidos, citando o Vale do Jequitinhonha, o Norte de Minas, policiais, professores, trabalhadores, produtores rurais, empresários e profissionais da saúde.

Dessa forma, nesse discurso, Cleitinho tentou transformar a crise em torno de sua candidatura em uma oportunidade para apresentar o que seria sua plataforma eleitoral.

Dívida de Minas com a União também entrou no discurso

Na sequência, Cleitinho também abordou a dívida de Minas Gerais com a União. Em vez de defender um confronto com o governo federal, o senador afirmou que pretende negociar. Para explicar sua posição, ele comparou a situação do Estado à de uma pessoa que deve dinheiro e precisa conversar com o credor para encontrar uma saída.

“Você vai dialogar com ela, você vai conversar com ela.”

Segundo o pré-candidato, a estratégia seria buscar uma negociação independentemente de quem estiver ocupando a Presidência da República em 2027. Cleitinho citou diferentes possibilidades eleitorais e afirmou que, se eleito, conversaria com o presidente que estiver no cargo para tentar encontrar uma solução para a dívida mineira.

IPVA, trabalhadores e promessa de “canetada”

Outro tema citado durante o discurso foi o IPVA. Cleitinho voltou a criticar o peso do imposto para os mineiros e afirmou que pretende enfrentar o que considera uma das maiores injustiças tributárias do Estado. Além dessa questão, a defesa de medidas voltadas ao trabalhador também apareceu em vários momentos do discurso.O senador afirmou que seu projeto seria reduzir obstáculos para produtores rurais, produtores de leite, produtores de queijo, empresários e trabalhadores.

Nesse sentido, a ideia central apresentada por ele foi a de que o Estado deveria facilitar a atividade econômica, e não criar dificuldades para quem produz.

“Vocês vão ter que me aturar até o último dia de campanha”

Ao final do discurso, Cleitinho adotou novamente o tom de confronto que marcou sua reação à suposta tentativa de judicialização. Ele afirmou que não pretende desistir da disputa.

“Pois agora eu vou até o fim com vocês. Vocês vão ter que me aturar até o último dia de campanha.”

Ao mesmo tempo, o senador também disse que pretende fazer uma campanha sem ataques pessoais e afirmou que seu foco será apresentar propostas.

“Eu vou fazer uma campanha positiva, respeitosa.”

Ainda assim, a fala terminou com o mesmo tom desafiador do início.

“Quem for fazer isso agora que a gente oficializar a nossa candidatura e for querer judicializar, mostre a cara. Seja homem. Mostre a cara. E venha quente que eu estou fervendo.”

O que está em jogo agora

Diante de todo esse histórico, a declaração de Cleitinho acontece justamente quando a disputa interna do Republicanos se aproxima de uma definição. O diretório mineiro decidiu trabalhar com uma candidatura própria, mas a definição do nome ainda passou por uma queda de braço entre as diferentes instâncias do partido. Além disso, o prazo para o registro formal das candidaturas termina em 15 de agosto, às 19h, segundo as informações divulgadas sobre o calendário eleitoral. Paralelamente, o PL, que durante meses manteve conversas para uma possível composição em torno de Cleitinho, passou a seguir outro caminho e anunciou Flávio Roscoe para a disputa ao Governo de Minas.

Ou seja, a candidatura que durante meses esteve no centro das negociações da direita mineira agora enfrenta uma nova etapa. Depois de quase ser retirada do jogo pelo próprio partido, voltar ao tabuleiro e sobreviver a uma sequência de recuos e reviravoltas, Cleitinho afirma que está disposto a enfrentar também uma eventual disputa judicial.

Até o momento, porém, não há, nas informações públicas consultadas, confirmação de que uma ação tenha sido efetivamente protocolada contra sua candidatura, nem identificação oficial de quem estaria preparando a medida. O que existe é a afirmação do próprio senador de que recebeu informações sobre uma possível judicialização.

Por fim, é justamente essa dúvida que acrescenta mais um capítulo à já turbulenta corrida de Cleitinho pelo Palácio Tiradentes.

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