A desistência oficial do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) da disputa pelo Governo de Minas provocou uma imediata movimentação nos bastidores da política mineira. Durante entrevista coletiva concedida na noite desta segunda-feira (3), logo após a convenção da Federação União Progressista (PP/União Brasil), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o secretário de Governo de Belo Horizonte e pré-candidato ao Palácio Tiradentes, Marcelo Aro, afirmou que o momento exige diálogo entre os partidos e defendeu a formação de uma grande frente da direita. O Divinews acompanhou a entrevista diretamente da ALMG.
Cleitinho muda o tabuleiro político
Marcelo Aro iniciou a coletiva lamentando a desistência do senador Cleitinho e afirmou que o momento exige respeito à decisão tomada pelo parlamentar.Segundo ele, a morte do irmão caçula de Cleitinho, Matheus Azevedo, pesou na decisão anunciada oficialmente ao lado do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira. “Hoje a gente recebeu a notícia da desistência da candidatura do Cleitinho e a gente respeita esse momento de luto que ele está vivendo. É um momento muito triste e nós vamos respeitar esse momento.”
Na avaliação de Marcelo Aro, a desistência inaugura um novo momento na sucessão estadual. “Agora é momento de conversar. Com a desistência do Cleitinho, o principal é unir o nosso campo da direita.”
Federação quer construir uma frente ampla
Durante a coletiva, Marcelo Aro revelou que as próximas 48 horas serão decisivas para a construção de uma candidatura unificada. Segundo ele, as conversas deverão envolver Republicanos, PL, União Brasil, Progressistas, Solidariedade, PRD, PRTB e outras legendas. “O momento é de tentar reunir uma frente ampla para achar um nome que realmente possa dar aquilo que todos nós mineiros desejamos: uma proposta para Minas Gerais.”
Apesar de colocar seu nome à disposição da federação, Aro afirmou que não existe projeto pessoal. “O meu nome está à disposição. Ficou definido que eu vou concorrer nas eleições de 2026. Mas cabe aos presidentes dos partidos decidir quem será cabeça de chapa, quem será vice e quem disputará o Senado.”
“Quem tem voto precisa ser respeitado”
Questionado sobre a indefinição que marcou a pré-candidatura de Cleitinho nos últimos meses, Marcelo Aro disse que todo o grupo político aguardava uma posição do senador justamente por reconhecer sua força eleitoral.
“Cleitinho, sem sombra de dúvida, hoje é a maior liderança, junto com Nikolas, que nós temos em Minas para disputar o governo. Em todas as pesquisas recentes ele beira os 40%. Então ele é detentor dos votos. Isso precisa ser respeitado.”
Segundo ele, a partir da desistência oficial começa uma nova etapa das articulações políticas. “Hoje, com a desistência do Cleitinho, inaugura-se um novo período para que a gente consiga chegar a um nome que represente o anseio dessa frente ampla.”
Resposta a Matheus Simões fica para depois
Marcelo Aro também foi questionado sobre declarações recentes do governador em exercício e pré-candidato Mateus Simões, que o acusou de utilizar a estrutura do governo de Belo Horizonte para beneficiar seu projeto político. O dirigente do PP evitou responder imediatamente.
“Assim que terminar esse processo, eu vou sentar com todos os veículos e responder tudo aquilo que foi falado. Vou mostrar as conversas, os compromissos assumidos e o que realmente aconteceu.” Segundo ele, este ainda não seria o momento para aprofundar o embate político.
Aro admite até disputar como vice
Em um dos momentos mais significativos da coletiva, Marcelo Aro deixou claro que aceita qualquer composição que fortaleça o projeto político da direita em Minas. Ele afirmou que não faz questão de encabeçar a chapa e disse que pode disputar inclusive como candidato a vice-governador ou ao Senado.
“Eu não teria problema nenhum em vir como vice. Eu viria como senador dentro de um projeto em que todos estivessem contemplados. Não estou em busca de um projeto pessoal. Estou em busca de um projeto por Minas Gerais.”
Marcelo Aro também citou o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, como um dos nomes que podem integrar a chapa majoritária, além de afirmar que o Republicanos possui quadros com condições de liderar o projeto eleitoral.
Próximas horas serão decisivas
A entrevista deixou claro que a desistência de Cleitinho abriu uma intensa rodada de negociações entre partidos do campo da direita. Com apenas dois dias restantes para o encerramento do prazo das convenções partidárias, dirigentes estaduais intensificam as conversas para definir quem representará esse bloco político na disputa pelo Governo de Minas.
Para Marcelo Aro, a prioridade é evitar divisões e construir uma candidatura competitiva capaz de unificar as principais lideranças desse espectro político.






