Em convenção na Assembleia Legislativa, ex-prefeito de Belo Horizonte assume oficialmente a candidatura ao Palácio Tiradentes, faz duras críticas à condução do Estado, defende revisão das isenções fiscais e afirma que, caso Cleitinho não dispute a eleição, espera conquistar a maior parte dos votos que ficariam livres
O PDT oficializou neste domingo (26), durante convenção realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil ao Governo de Minas. Em um discurso marcado por críticas à gestão estadual, defesa de mudanças na política fiscal e promessas de reconstrução dos serviços públicos, Kalil também comentou, durante entrevista coletiva concedida após a convenção, o cenário eleitoral mineiro. Questionado sobre uma eventual desistência do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder das principais pesquisas de intenção de voto, afirmou acreditar que a saída de um candidato sempre redistribui votos e declarou esperar que a maior parte deles migre para sua candidatura.
Ovacionado por militantes e dirigentes do PDT, Kalil iniciou o discurso destacando sua ligação pessoal com Minas Gerais e o peso simbólico de disputar o comando do Estado onde nasceu. Em tom emocionado, lembrou da família e afirmou que governar Minas representa uma responsabilidade muito maior do que um projeto político individual. Para ele, o Estado enfrenta problemas estruturais que exigem coragem para serem enfrentados e planejamento para recuperar a capacidade de investimento.
A principal crítica foi direcionada à política de concessão de incentivos fiscais adotada nos últimos anos. Kalil afirmou que Minas precisa rever o volume de isenções tributárias concedidas a empresas e argumentou que a renúncia de receitas compromete investimentos essenciais. Segundo ele, somente nos últimos doze anos foram concedidos cerca de R$ 280 bilhões em benefícios fiscais, além de novos valores previstos para este ano e para 2027, recursos que, em sua avaliação, poderiam fortalecer áreas como saúde, segurança pública e educação. O candidato criticou o tamanho da dívida do Estado com a União, dizendo que Minas não tem sido tratada proporcionalmente à sua importância.
Ao longo da fala, o ex-prefeito construiu um discurso centrado na ideia de que o Estado perdeu a capacidade de cuidar das pessoas. Criticou as dificuldades enfrentadas pelos hospitais, a situação das rodovias, a estrutura das forças de segurança e a falta de investimentos permanentes em serviços públicos. Defendeu que Minas volte a priorizar políticas públicas voltadas para a população e afirmou que pagar salários em dia, embora seja uma obrigação do gestor, não pode ser tratado como único indicador de uma administração bem-sucedida.
Outro ponto explorado foi a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento para Minas Gerais. Kalil comparou obras estruturantes realizadas em outros estados com a realidade mineira e afirmou que Minas perdeu protagonismo nacional por falta de planejamento de longo prazo. Para ele, recuperar esse protagonismo exigirá reorganização financeira e revisão das prioridades do governo estadual.
Encerrada a convenção, Kalil concedeu entrevista coletiva e passou a responder perguntas sobre o cenário eleitoral. Um dos principais temas foi a indefinição envolvendo a possível candidatura do senador Cleitinho Azevedo, que ainda não confirmou se disputará o Governo de Minas. Ao ser questionado se poderia ser beneficiado caso o senador fique fora da eleição, respondeu com naturalidade que, quando um candidato deixa a disputa, seus votos inevitavelmente acabam distribuídos entre os adversários.
“Eu não sou especialista, mas acho que quando um candidato sai, sobra para alguém. Espero que sobre mais para mim do que para os outros”, afirmou, acrescentando que respeita Cleitinho e entende que a decisão cabe exclusivamente ao senador.
A declaração ocorre em um momento de indefinição no campo da direita mineira. O Republicanos decidiu manter aberta, até 5 de agosto, a ata de sua convenção para aguardar a posição de Cleitinho, que não participou do encontro partidário por causa do luto pela morte do irmão Matheus Azevedo. Enquanto isso, lideranças do partido articulam cenários alternativos para a disputa estadual.
Kalil também foi provocado sobre o fato de enfrentar adversários políticos com quem já travou embates públicos, entre eles Mateus Simões, Marcelo Aro e Gabriel Azevedo. Sem demonstrar preocupação, afirmou que sua trajetória política foi construída com quase quatro milhões de votos conquistados nas urnas e preferiu responder às críticas lembrando que jamais traiu aliados, descumpriu compromissos ou foi acusado de se apropriar de recursos públicos.
Com a homologação do PDT, Alexandre Kalil entra oficialmente na corrida pelo Palácio Tiradentes como um dos principais nomes da oposição ao atual governo estadual. As pesquisas divulgadas até o momento o colocam entre os candidatos mais competitivos, normalmente na segunda colocação, atrás de Cleitinho quando o senador aparece nos cenários testados. Em simulações sem o nome do parlamentar do Republicanos, Kalil passa a liderar alguns levantamentos, cenário que ajuda a explicar a expectativa demonstrada pelo pedetista em relação ao desfecho da decisão do senador.






