A greve dos servidores públicos municipais de Divinópolis foi suspensa neste domingo (12), após decisão tomada em assembleia realizada na Praça do Santuário. Com isso, professores, servidores administrativos e demais trabalhadores da Prefeitura retomam normalmente suas atividades a partir desta segunda-feira (13). A paralisação, entretanto, não foi encerrada de forma definitiva. A categoria permanece em estado de greve e já marcou uma nova assembleia para o dia 6 de agosto, quando poderá decidir pela retomada das mobilizações.
A decisão foi anunciada ao Divinews pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Municipais da Educação de Divinópolis (SINTEMD), Rodrigo Rodrigues, logo após a assembleia que reuniu servidores da educação e de outras áreas da administração municipal.
Segundo ele, a manifestação deste domingo começou às 14h, no quarteirão fechado da Rua São Paulo, seguiu com caminhada e panfletagem pelo comércio de Divinópolis e terminou com a votação da categoria.
“Hoje nós tivemos a manifestação a partir das 14h, no quarteirão fechado da Rua São Paulo. Depois seguimos com uma caminhada, fazendo uma panfletagem no comércio de Divinópolis e encerramos com uma assembleia aqui na Praça do Santuário, na qual os servidores definiram por suspender a greve até um próximo momento. Permanecemos em estado de greve e no dia 6 de agosto teremos uma nova assembleia. Por enquanto, as atividades retomam normalmente a partir de amanhã”, afirmou Rodrigo.
Suspensão ocorreu após avaliação da categoria
A decisão de suspender a greve partiu dos próprios servidores reunidos em assembleia.
De acordo com Rodrigo Rodrigues, a categoria entendeu que, neste momento, o caminho mais adequado é aguardar os desdobramentos das ações judiciais relacionadas à reforma da Previdência dos servidores municipais antes de definir novos movimentos.
“A proposta foi dada aqui na assembleia dos professores e dos servidores que se reuniram coletivamente e acharam por bem, neste momento, aguardar decisões judiciais que estão para serem definidas nos próximos dias. Depois disso haverá uma nova tomada de decisão sobre outros tipos de manifestação”, explicou.
A expectativa dos sindicatos é que os processos judiciais possam trazer novos elementos sobre a constitucionalidade e a aplicação da reforma aprovada pela Câmara Municipal.
Categoria diz que reivindicações continuam
Apesar da suspensão da greve, Rodrigo afirmou que os principais objetivos do movimento não foram alcançados durante a tramitação do Projeto de Lei Complementar nº 008/2026, que alterou as regras da Previdência dos servidores municipais.
Segundo ele, a categoria lamenta a forma como ocorreu a votação na Câmara e afirma que praticamente todas as propostas apresentadas pelos sindicatos foram rejeitadas.
“Ficamos muito tristes com a forma como foi feita a votação na Câmara. Praticamente todas as propostas que nós fizemos não foram acatadas. Mas muita coisa ainda está para acontecer. Temos questões judiciais discutindo o texto da própria lei e muitas questões precisam ser revistas. Esperamos que, principalmente nos próximos passos jurídicos, nós possamos ter algum avanço”, declarou.
A reforma previdenciária foi aprovada pela Câmara Municipal por 11 votos favoráveis e cinco contrários, alterando regras do Regime Próprio de Previdência Social (Diviprev).
Estado de greve permanece
Embora o movimento paredista tenha sido suspenso, os sindicatos fizeram questão de deixar claro que a mobilização continua.
Na prática, o estado de greve significa que a categoria permanece organizada e poderá convocar uma nova paralisação caso considere necessário.
“O recado que a assembleia deu é que nós não vamos esquecer do dia 7, que foi uma votação muito trágica para a vida dos servidores. Nós vamos fazer com que os vereadores nunca se esqueçam dos servidores. Vamos estar sempre na Câmara, pelo menos uma vez por mês, realizando alguma atividade para que eles não esqueçam que nós, servidores, merecemos ser respeitados”, afirmou Rodrigo Rodrigues.
A declaração indica que, mesmo com o retorno ao trabalho, a categoria pretende manter pressão política sobre o Legislativo e acompanhar os desdobramentos da reforma.
Greve marcou um dos momentos mais tensos do ano
O movimento grevista teve início durante a tramitação do Projeto de Lei Complementar nº 008/2026, que promoveu mudanças nas regras da Previdência dos servidores municipais.
Ao longo dos últimos dias, centenas de trabalhadores participaram de manifestações em frente à Prefeitura, à Secretaria Municipal de Educação e à Câmara Municipal, especialmente durante a votação da proposta.
Mesmo após a aprovação da reforma, os sindicatos decidiram manter a paralisação, entendendo que ainda existiam reivindicações pendentes e questionamentos jurídicos sobre o texto aprovado.
Durante esse período, a Prefeitura chegou a notificar extrajudicialmente o SINTRAM e o SINTEMD, sustentando que a greve havia perdido seu objeto após a aprovação da reforma e solicitando o retorno dos servidores às atividades.
Serviços voltam ao funcionamento normal
Com a suspensão da greve, escolas municipais, unidades administrativas e demais serviços públicos retomam seu funcionamento regular nesta segunda-feira (13).
A expectativa é que o atendimento à população seja normalizado, encerrando um dos períodos de maior tensão entre Executivo, Legislativo e servidores municipais neste ano.
O fim da paralisação, contudo, não representa o encerramento do debate sobre a reforma do Diviprev.
Os sindicatos já anunciaram que continuarão acompanhando as ações judiciais, promovendo mobilizações e discutindo novas estratégias até a assembleia marcada para o dia 6 de agosto.
A partir dessa data, a categoria poderá manter apenas o estado de greve ou decidir por uma nova paralisação, dependendo da evolução das negociações e das decisões do Poder Judiciário.






