A repercussão da denúncia envolvendo o vereador Flávio Marra ganhou um novo capítulo em Divinópolis após a manifestação pública de Misael Leão, suplente do parlamentar na Câmara Municipal. Em entrevista concedida após a discussão do caso, Misael demonstrou indignação com a postura adotada por parte dos vereadores que não aderiram ao pedido de apuração dos fatos relacionados ao episódio ocorrido no último fim de semana, quando Marra foi citado em uma denúncia sobre suposta agressão a um homem em uma boate da cidade.
Segundo Misael, a forma como o caso foi conduzido dentro da Câmara deixou um sentimento de frustração e, sobretudo, de impunidade. Na avaliação dele, independentemente de posicionamentos políticos, o mínimo esperado seria a abertura de uma investigação para que os fatos fossem esclarecidos de forma adequada, tanto em respeito à suposta vítima quanto à própria população de Divinópolis, que, segundo ele, aguardava uma resposta firme do Legislativo.
“Investigar não faz mal para ninguém”, afirma Misael ao cobrar investigação
Durante a entrevista, Misael Leão afirmou que não vê prejuízo em uma eventual apuração. Pelo contrário. Segundo ele, uma investigação formal poderia, inclusive, beneficiar o próprio vereador denunciado, caso fique comprovado que ele não teve envolvimento no episódio.
Ao comentar o desfecho da discussão, Misael disse que a Câmara perdeu a oportunidade de dar uma satisfação à sociedade. Para ele, a decisão tomada pelos parlamentares acabou ampliando a sensação de impunidade em torno do caso.
“Dá uma sensação de impunidade. Eu acho que investigar não faz mal para ninguém, muito pelo contrário. A investigação pode até beneficiar o vereador”, afirmou.
Na mesma fala, ele também destacou o esforço de pessoas que acompanharam o caso e se mobilizaram em busca de um posicionamento dos vereadores. Segundo Misael, havia uma expectativa real de que a Câmara demonstrasse compromisso com a apuração, principalmente porque o episódio extrapolou o ambiente político e passou a mobilizar o debate público na cidade.
“A gente vem cá pra perder tempo? A gente sai do serviço da gente, essa multidão aqui… mas lá fora tem uma Divinópolis esperando os vereadores darem uma satisfação para o eleitorado, porque todos queriam justiça”, declarou.
Suplente afirma que investigação poderia inocentar ou responsabilizar, mas não silenciar o caso
Um dos principais pontos levantados por Misael Leão foi a necessidade de separar o debate político da obrigação de esclarecer os fatos. Para ele, pedir investigação não significa condenar antecipadamente o vereador denunciado. Significa, na prática, permitir que o caso seja analisado com profundidade, transparência e responsabilidade.
Nesse contexto, o suplente afirmou que, caso Flávio Marra não tivesse qualquer envolvimento na situação narrada, os próprios vereadores favoráveis à apuração seriam os primeiros a reconhecer publicamente a inocência dele. Ainda assim, na visão de Misael, sem investigação o caso permanece em um terreno perigoso: o da dúvida, da revolta popular e da sensação de proteção política.
“Seria uma grande oportunidade, inclusive, de ele se explicar. Se caso o vereador não tivesse nenhum envolvimento, a gente seria também os primeiros a estar relatando que ele é inocente. Então a gente só queria justiça”, pontuou.
A declaração reforça a linha adotada por Misael desde o início. Na visão dele, a investigação não deveria ser tratada como ataque político, mas como um instrumento legítimo de esclarecimento. Para o suplente, a apuração seria importante não apenas para quem denunciou, mas também para o próprio vereador citado.
Misael cita apoio de Akel e Vitor e lamenta isolamento do pedido por apuração
Na entrevista, Misael também mencionou os vereadores que, segundo ele, se posicionaram em defesa de uma resposta mais contundente diante da denúncia. Ao citar Akel e Vitor, ele elogiou a postura dos parlamentares e afirmou que os três votos favoráveis à busca por justiça acabaram ficando isolados diante da maioria da Casa.
Segundo o suplente, a atitude desses vereadores representou, ao menos, uma tentativa de dar encaminhamento a um tema que, na avaliação dele, exigia um tratamento mais sério por parte do Legislativo. Embora o movimento não tenha avançado como ele esperava, Misael sinalizou que a cobrança pública deve continuar.
“Tem que dar os parabéns ao Akel, ao Vitor. Junto comigo foram os três votos que a gente teve aí para procurar justiça”, disse.
A fala também expõe uma crítica indireta ao comportamento dos demais vereadores, que optaram por não aderir à linha de apuração defendida pelo grupo.
Família de Rogério é citada por Misael em defesa de uma resposta da Câmara
Outro ponto sensível levantado por Misael Leão foi o impacto emocional do episódio sobre o homem apontado como vítima e sobre seus familiares. Ao comentar o caso, ele citou Rogério mencionado por ele como o homem que teria sido agredido e afirmou que a ausência de uma resposta mais firme por parte da Câmara também atinge quem espera algum tipo de justiça.
Na avaliação do suplente, uma eventual abertura de investigação teria o peso simbólico de mostrar à vítima e à família que a denúncia foi levada a sério pelo poder público. Sem isso, segundo ele, o sentimento deixado é o de abandono.
“É até mesmo um conforto para a família do Rogério. A família dele está lá esperando. O próprio Rogério ainda não está conseguindo nem sair na rua. Então seria um ânimo para ele, um pedido de investigação para ter justiça para a família e para ele também”, afirmou.
A declaração amplia o alcance político do episódio, porque desloca o debate de uma divergência entre vereadores para um campo mais delicado: o da responsabilidade institucional diante de uma denúncia com forte repercussão humana e social.
Postura da Câmara entra no centro da pressão política em Divinópolis
Com a fala de Misael Leão, o foco da discussão deixa de recair apenas sobre a denúncia envolvendo Flávio Marra e passa a atingir diretamente a postura da Câmara Municipal de Divinópolis. Isso porque, para uma parcela da população e para aliados da tese de apuração, a Casa perdeu a oportunidade de se colocar como instituição fiscalizadora, capaz de investigar, esclarecer e oferecer respostas à sociedade.
Ao sustentar que “investigar não faz mal para ninguém”, Misael tenta consolidar a narrativa de que o pedido por apuração não se tratava de perseguição política, mas de uma obrigação moral e institucional diante da gravidade da denúncia. O argumento toca em um ponto sensível para o Legislativo: a confiança pública.
Em momentos de crise, especialmente quando um vereador é citado em um episódio de grande repercussão, a expectativa natural é de que a Câmara atue com transparência, prudência e firmeza. Quando isso não acontece ou, ao menos, quando parte da população entende que não aconteceu o desgaste político tende a crescer.
Caso continua repercutindo e pressão por esclarecimentos deve permanecer
Embora a discussão sobre uma eventual cassação ou investigação interna tenha encontrado resistência entre vereadores, a repercussão do caso ainda está longe de terminar. A fala de Misael Leão deixa claro que, para os que defendem apuração, o assunto não pode ser encerrado sem esclarecimentos mais profundos.
Ao se posicionar de forma contundente, o suplente reforça a pressão para que o caso continue sendo acompanhado de perto, seja no campo político, seja pelas autoridades competentes. Enquanto isso, o episódio segue produzindo desgaste, ruído institucional e mobilização nos bastidores da política de Divinópolis.
No centro de tudo, permanece a pergunta que ainda ecoa entre apoiadores da investigação: se não houve irregularidade, por que não apurar?




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