O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), voltou a defender a união dos partidos e lideranças de direita nas eleições presidenciais de 2026, mesmo após intensificar as críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Durante participação no fórum Rumos do Brasil, promovido pela revista Veja hoje (15), Zema negou que exista contradição entre manifestar indignação diante do episódio e, ao mesmo tempo, defender uma composição política futura contra candidaturas da esquerda.
“Não tem contradição nenhuma nessa questão. O que eu disse já foi dito, é público, todos sabem, e todos nós da direita estaremos juntos […] contra a esquerda, isso é indiscutível”, afirmou.
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Segundo o ex-governador, divergências pontuais não inviabilizam alianças eleitorais.
“Eu não posso concordar com algo da qual eu discordo totalmente, não ficar indignado, como eu já expressei. Então, uma coisa não impede a outra de forma alguma”, acrescentou.
Críticas surgiram após vazamento de mensagens
O desgaste entre Zema e integrantes da família Bolsonaro ganhou força após a divulgação de mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro e ao empresário Daniel Vorcaro.
Segundo o conteúdo revelado, o senador teria solicitado US$ 24 milhões ao banqueiro para financiar a produção de “Dark Horse”, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As revelações provocaram reações dentro do próprio campo conservador e ampliaram a distância entre Zema e aliados do ex-presidente.
Eduardo Bolsonaro pediu rompimento com o Novo
A resposta mais dura veio do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio.
Em publicação nas redes sociais, Eduardo defendeu o rompimento entre o Partido Liberal e o Partido Novo, acusando Zema de agir por interesses eleitorais.
“E em 2024, quem sabia quem era Vorcaro? E qual era a contrapartida que o Flávio poderia oferecer em 2024, além de sofrer perseguição? […] Por mim rompia geral com o Novo”, escreveu.
A manifestação elevou a tensão entre os grupos políticos que, até recentemente, eram vistos como potenciais aliados em uma eventual candidatura presidencial unificada.
Zema mantém posição e diz estar “de consciência tranquila”
Apesar das críticas recebidas, Romeu Zema reiterou que não pretende recuar das declarações feitas anteriormente.
Em entrevista ao portal Brasil Paralelo, o ex-governador afirmou ter ficado profundamente incomodado com a proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
“Teria como eu aplaudir alguém que se aproxima do maior banqueiro bandido do Brasil? Eu acho que é difícil alguém querer aplaudir quem esteve, quem conviveu, com uma pessoa como ele”, declarou.
Na sequência, reforçou que prefere arcar com eventuais desgastes políticos a abandonar suas convicções.
“Então, eu fiquei indignado e expressei a minha indignação. Não mudo em nada. Para mim, quem anda com bandido merece ser visto com cautela. Então, me desgastei? Me desgastei. Mas eu estou dormindo bem”, afirmou.
Relação entre Zema e Bolsonaro já foi mais próxima
O atual distanciamento contrasta com movimentos políticos recentes.
Romeu Zema chegou a ser apontado como possível candidato a vice-presidente em uma chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro em 2026. Em ocasiões anteriores, o mineiro também fez declarações amistosas ao senador e defendeu a construção de uma frente ampla entre lideranças conservadoras.
Ao mesmo tempo, Zema vem intensificando sua presença nacional e ampliando agendas fora de Minas Gerais, numa estratégia interpretada como preparação para uma eventual disputa pelo Palácio do Planalto.
Direita vive disputa interna antes de 2026
As declarações do ex-governador evidenciam o cenário de disputa interna que se desenha entre nomes do campo conservador.
Além de Romeu Zema e Flávio Bolsonaro, outras lideranças vêm sendo citadas como possíveis candidatos à Presidência da República, entre elas o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).
Embora defendam a união contra adversários ideológicos em um eventual segundo turno, as movimentações atuais demonstram que a disputa por protagonismo dentro da direita brasileira já começou.
Caso “Dark Horse” continua repercutindo
O financiamento do filme “Dark Horse” segue gerando desdobramentos políticos e jurídicos.
A produção, inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro, tornou-se alvo de questionamentos envolvendo a origem dos recursos e a participação de empresários próximos ao ex-presidente. Recentemente, decisões judiciais mantiveram o lançamento do projeto, enquanto opositores anunciaram novas medidas para apurar o caso.
Enquanto isso, as declarações de Romeu Zema mostram que, apesar do discurso de unidade para 2026, as divergências dentro da direita permanecem expostas e devem influenciar os próximos capítulos da corrida presidencial.






