Divinópolis: São João de Deus “revela” nova marca para reposicionar sua história

CSSJD prepara nova fase de comunicação e aposta no conceito de “mudar histórias” para reposicionar sua imagem

Publicado por: Geraldo Passos

O Complexo de Saúde São João de Deus apresentou à imprensa, em encontro realizado no auditório da instituição, em Divinópolis, o conceito que orienta sua nova identidade visual. A imagem completa da marca ainda segue preservada para lançamento oficial, conforme orientação dada durante a apresentação. O que se tornou público, no entanto, foi o sentido estratégico da mudança: um reposicionamento institucional construído a partir da ideia de que o hospital existe para mudar histórias.

A nova marca nasce de uma leitura estratégica sobre o que o São João de Deus se tornou nos últimos anos. Durante a apresentação, Daniel explicou que a 2DA trabalhou durante aproximadamente 8 meses no processo de reposicionamento. Segundo o CEO, a mudança não começou pela estética, mas pela necessidade de revelar ao público uma transformação que já acontecia dentro do hospital.

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Antes de apresentar a nova identidade, Daniel pediu que celulares e câmeras fossem desligados em determinado momento. A orientação teve uma razão estratégica. O lançamento seguirá uma escala de comunicação, primeiro para parceiros, depois para outros públicos e, posteriormente, para a cidade. A intenção foi preservar o impacto da revelação e organizar a forma como a nova marca chegará à população.

Daniel Guimarães se apresentou como CEO da 2DA, empresa especializada em estratégias de reposicionamento de mercado. Ele explicou que a equipe já havia conduzido trabalhos semelhantes, inclusive na Santa Casa BH, e agora assumiu o desafio de reposicionar o São João de Deus Complexo de Saúde.

O ponto central da apresentação foi a pergunta que guiou todo o trabalho: quem é o São João de Deus hoje? A resposta, segundo Daniel, não poderia se limitar à imagem antiga que parte da população ainda carrega. Muitas pessoas guardam lembranças de um período de crise, dificuldades financeiras e instabilidade institucional. Porém, o hospital passou por uma virada de gestão, recuperou relevância, ampliou sua capacidade assistencial e se consolidou como referência estadual e nacional em áreas estratégicas da saúde.

A nova identidade visual tenta traduzir essa passagem. O símbolo apresentado remete a um livro estilizado. Não se trata de um livro comum, mas de uma marca moderna, com movimento, abertura, fluidez e possibilidade de adaptação ao universo digital. A ideia central é simples e forte: o São João de Deus existe para mudar histórias.

Esse conceito dá profundidade à nova marca. O livro representa as histórias já vividas dentro do hospital, as que acontecem todos os dias e as que ainda serão escritas. Ele simboliza pacientes, famílias, colaboradores, médicos, enfermeiros, técnicos, pessoas que nasceram, trabalharam, se curaram, perderam alguém ou reconstruíram a própria trajetória a partir de uma experiência vivida ali.

Daniel destacou que, em hospitais, o caminho mais esperado seria usar uma cruz, um símbolo médico ou algum elemento tradicional da saúde. A 2DA escolheu outro caminho. A nova marca não quer apenas dizer que o São João de Deus é um hospital. Ela quer comunicar que o hospital se tornou uma instituição de transformação humana.

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Essa escolha dá à identidade um caráter mais contemporâneo. O livro estilizado permite uma comunicação mais dinâmica, especialmente no ambiente digital. Ele pode se abrir, se mover, ganhar variações e sustentar campanhas, vídeos, peças gráficas e narrativas institucionais. Segundo Daniel, a marca anterior não comportava mais essa estratégia e já não representava a fase atual da instituição.

O reposicionamento também busca corrigir uma distorção de percepção pública. Daniel afirmou que muita gente confunde a fila do SUS com o São João de Deus. Para ele, a fila representa um problema maior do sistema de saúde brasileiro, marcado por desertos assistenciais e demanda superior à capacidade instalada em várias regiões. O hospital, nesse contexto, atua como uma resposta a esse deserto, não como sua causa.

A expressão “desbravadores do deserto assistencial” apareceu como uma das chaves da apresentação. O conceito aponta para a missão do hospital de levar atendimento de qualidade, tecnologia e alta complexidade a uma região que depende fortemente da estrutura do CSSJD. A instituição atende 53 municípios em sua macro-região e, em algumas especialidades, alcança 4 macro-regiões.

Essa dimensão ajuda a explicar por que a nova marca não foi tratada como simples atualização visual. Ela surge para comunicar escala, impacto e pertencimento regional. O São João de Deus quer deixar mais claro para a população que sua operação vai muito além da imagem de um hospital local. Trata-se de um complexo de saúde com grande volume de atendimentos, leitos, cirurgias, especialidades, tecnologia e articulação com SUS, saúde suplementar, municípios, governos e parceiros estratégicos.

Daniel também abordou o avanço da gestão hospitalar. Um dos exemplos citados foi o uso da metodologia DRG, voltada ao processo de internação e desinternação. A lógica apresentada foi a de que o paciente precisa entrar no momento certo, receber o cuidado adequado e sair também no momento correto. Quando isso acontece, o hospital amplia eficiência, reduz riscos e melhora a gestão dos leitos.

Na apresentação, o CEO da 2DA explicou que muitas pessoas esperavam que o crescimento do hospital viesse apenas pelo aumento do número de leitos. Porém, a gestão adotou outro caminho. Ela investiu em eficiência, inteligência, tecnologia e melhor uso da estrutura existente. Com isso, conseguiu ampliar o volume de atendimento e tornar a operação mais sustentável.

Outro eixo importante foi a reconstrução institucional. Daniel relembrou que o São João de Deus já enfrentou um período crítico, com dívida aproximada de R$ 170 milhões em 2016. A partir da intervenção e de uma nova gestão, o hospital iniciou uma virada que permitiu sair de uma situação de quase fechamento para uma nova fase de sustentabilidade, tecnologia e reconhecimento.

Esse passado difícil entra na nova marca como parte da história, não como uma sombra a esconder. O livro simboliza também essa travessia. A instituição reconhece o caos vivido, mas apresenta o caos como ponto de partida para uma mudança maior. Na leitura proposta pela 2DA, o hospital só descobriu com clareza seu propósito porque atravessou a crise e precisou se reinventar.

A frase “orgulho de ser São João” também ganhou novo sentido durante a construção da marca. Daniel contou que, ao ouvir colaboradores repetirem essa expressão, a equipe buscou entender o que ela significava. A conclusão foi que o orgulho de ser São João está ligado ao orgulho de mudar histórias.

Durante encontros internos, realizados com grupos de colaboradores, a 2DA apresentou a mesma estratégia e ouviu relatos pessoais. As histórias mostraram que a transformação promovida pelo hospital nem sempre acontece apenas em cirurgias, tratamentos ou procedimentos médicos. Às vezes, uma palavra, um acolhimento, uma oportunidade de trabalho ou um gesto de cuidado muda uma vida inteira.

Essa percepção amplia o sentido da nova identidade. O livro não fala apenas de pacientes. Ele fala também de trabalhadores, famílias, profissionais da saúde, estudantes, parceiros e moradores da região. O hospital passa a se colocar como um espaço onde histórias humanas se cruzam e se transformam.

Daniel foi além da comunicação visual e defendeu que reposicionamento não se sustenta apenas com propaganda. Segundo a apresentação, a nova marca precisa gerar comportamento. Isso significa mudar linguagem, atendimento, ambiente, relacionamento com parceiros, postura diante do paciente e forma de comunicar a própria relevância.

Esse ponto é decisivo para entender a profundidade da mudança. A marca não pretende funcionar como uma camada estética sobre o hospital. Ela exige coerência entre símbolo, discurso e prática. Se o propósito é mudar histórias, cada contato com o paciente deve carregar essa intenção.

Na entrevista concedida posteriormente, Daniel reforçou que a marca nasceu da responsabilidade de alterar a identidade de uma instituição amada pela cidade. Ele reconheceu que mudar uma marca com peso afetivo exige cuidado, principalmente porque muitos colaboradores e moradores já tinham vínculo emocional com a identidade anterior.

O CEO da 2DA afirmou que a mudança não teve motivação estética apenas. Ela partiu da construção de uma nova estratégia. Segundo Daniel, quando a equipe olhou para a identidade antiga e para o novo posicionamento, percebeu que a marca anterior já não expressava o que o hospital queria comunicar.

A inspiração no livro, portanto, surgiu como resposta simbólica ao propósito. O livro representa a história do próprio hospital, das pessoas que passaram por ele e de quem ainda vai passar. Também funciona como convite para que a cidade, os parceiros e a população assumam juntos a causa de mudar histórias.

Daniel também destacou a dimensão digital da nova marca. O livro estilizado foi pensado para se movimentar, abrir, ganhar fluidez e se adaptar a diferentes formatos de comunicação. Essa versatilidade permite ao hospital trabalhar melhor sua presença em vídeos, redes sociais, campanhas institucionais, peças digitais e materiais de relacionamento.

Outro aspecto abordado na entrevista foi a espiritualidade no processo criativo. Daniel afirmou que não separa vida profissional e vida espiritual. Para ele, projetos também passam por propósito, fé e entrega. Ao falar do São João de Deus, relatou que o trabalho aumentou sua fé, especialmente ao ouvir depoimentos de médicos, enfermeiros, trabalhadores da limpeza e outros profissionais sobre situações marcantes vividas dentro do hospital.

Essa dimensão espiritual dialoga com a própria história do São João de Deus, uma instituição ligada à memória religiosa, à filantropia e ao cuidado. Sem transformar a marca em símbolo religioso explícito, o conceito apresentado preserva a ideia de missão, serviço e vida.

Depois da apresentação de Daniel, Elis Regina Guimarães, CEO do CSSJD, falou sobre o reposicionamento em entrevista. Ela destacou que o São João de Deus completa 58 anos em 1º de junho, junto com o aniversário de Divinópolis, e que a instituição chega a essa data com uma nova proposta de comunicação e relacionamento com a população.

Elis afirmou que o hospital quer deixar para trás uma história por vezes triste, mas sem negar os êxitos acumulados. Lembrou vidas salvas, profissionais dedicados, colaboradores que constroem o dia a dia da instituição e o reconhecimento nacional alcançado pelo CSSJD. Para a CEO, a nova fase precisa mostrar à população de Divinópolis e da região que o hospital está ali para mudar histórias.

Reforçou que o São João de Deus já conquistou confiança em alta complexidade, resolutividade e segurança do paciente. Agora, segundo ela, o desafio é se aproximar mais das pessoas. Essa aproximação inclui levar o São João para as casas, para as secretarias de saúde e para os municípios que dependem da instituição.

Defendeu uma saúde que não seja apenas técnica. Para ela, equipamentos, tecnologia e estrutura são fundamentais, mas não bastam. A saúde precisa de pessoas capazes de cuidar de outras pessoas. Essa fala conecta diretamente a visão da gestão ao conceito apresentado por Daniel.

A CEO também explicou que a logomarca como livro traduz esse novo momento. Cada página representa histórias que serão escritas com dignidade, sucesso e amor pelo São João. A marca, nesse sentido, vira uma espécie de compromisso público com o cuidado humanizado.

Ao falar sobre a proposta de quebra de paradigma, afirmou que a concorrência pode ocorrer na tecnologia e na estrutura, mas não na forma como se trata e se cuida das pessoas. Segundo ela, o hospital já revolucionou sua base técnica e alcançou patamar elevado de tecnologia e segurança. Agora, quer cuidar das pessoas de maneira ainda mais efetiva.

A mudança também deverá aparecer nos espaços físicos. Elis explicou que reformas, corredores, layout, mobiliário e ambientes internos não terão apenas finalidade estrutural. A intenção é criar locais com mais calor humano, onde o paciente não se sinta em um ambiente pesado de hospital, mas em um espaço de acolhimento.

Esse ponto fecha o círculo entre marca, propósito e prática. A nova identidade visual aponta para um hospital que quer ser percebido de outra forma. Não apenas como equipamento de alta complexidade, mas como uma instituição capaz de unir tecnologia, gestão, acolhimento, espiritualidade, memória e transformação humana.

A nova marca do São João de Deus, portanto, não se limita a um símbolo. Ela apresenta uma tese. O hospital quer ser reconhecido como um livro vivo, escrito por milhares de mãos, aberto diariamente por pacientes, colaboradores, médicos, famílias, municípios e parceiros. Um livro que não apaga capítulos difíceis, mas escolhe transformar cada página em oportunidade de recomeço.

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