Deputada Lohanna diz que Prefeitura de Divinópolis “atiçou o formigueiro” ao propor reforma do Diviprev

Deputada estadual participou da assembleia dos servidores, criticou falta de diálogo e afirmou que tentará articular vereadores contra avanço da proposta

Publicado por: Geraldo Passos

A crise entre a Prefeitura de Divinópolis e os servidores municipais ganhou um ingrediente político de forte apelo simbólico durante a assembleia da categoria. Ao participar do encontro que discutiu o estado de greve contra a proposta de reforma do Diviprev, a deputada estadual Lohanna França recorreu a um canto de mobilização popular para resumir o clima do funcionalismo: “Quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro”. Em seguida, cravou que, na avaliação dela, a Prefeitura atiçou o formigueiro ao tentar empurrar uma reforma previdenciária sem diálogo suficiente com a categoria.

A frase caiu como metáfora perfeita para o momento. Servidores que durante anos acumularam insatisfação com perdas, cobranças, denúncias de assédio e falta de valorização agora se organizam em torno de uma pauta que atinge diretamente o futuro de cada trabalhador: a aposentadoria.

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O debate sobre o Diviprev deixou de ser apenas técnico. Virou tema político, sindical, social e emocional. A previdência municipal toca na vida de quem já dedicou 15, 20, 30 anos ao serviço público e agora teme ver as regras mudarem quando a aposentadoria se aproxima.

Foi nesse ambiente que Lohanna discursou aos servidores. A deputada iniciou a fala ensinando e cantando o refrão: “Pisa ligeiro, pisa ligeiro. Quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro.” Depois, transformou a canção em recado político direto.

“Atiçaram o formigueiro”

Lohanna afirmou que a Prefeitura extrapolou todos os limites ao propor uma reforma da Previdência sem debate amplo com os servidores. Segundo a deputada, a categoria enfrenta há 7 anos um ciclo de desrespeito. Ela citou denúncias de assédio, falta de valorização e outras formas de desgaste na relação entre o poder público municipal e os trabalhadores.

Para Lohanna, a tentativa de fazer uma reforma previdenciária com poucas entrevistas e sem discussão profunda com a categoria agravou a crise. A parlamentar criticou a forma de condução da proposta e afirmou que o Executivo tentou agir “no trator”, passando por cima de quem se dedica diariamente ao município.

A fala teve forte tom de mobilização. Ao dizer que “atiçaram o formigueiro”, a deputada buscou reforçar que servidores, quando organizados, podem pressionar, ocupar espaços públicos e impedir que mudanças consideradas injustas avancem sem resistência.

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Crítica à falta de diálogo

Um dos pontos centrais do discurso foi a cobrança por diálogo. Lohanna afirmou que a Prefeitura não conversou nem mesmo com servidores que, eventualmente, poderiam aceitar uma ou outra alteração na previdência, caso houvesse debate claro, técnico e respeitoso.

Esse ponto é importante porque mostra que a crítica da deputada não se limita à existência de uma reforma. A parlamentar questiona principalmente o método: a ausência de construção com a categoria.

Para ela, mudanças em regras previdenciárias exigem discussão, transparência, tempo e respeito à trajetória dos servidores. Sem isso, a proposta passa a ser vista como imposição.

A deputada também lembrou que gestões passam, governos passam, mas os servidores permanecem sustentando os serviços públicos.

“Não se muda a regra do jogo com bola rolando”

Lohanna também usou outra imagem forte ao afirmar que o país vive clima de Copa e que, em qualquer jogo, não se muda a regra com a bola rolando. A comparação foi direcionada aos servidores que estão perto de se aposentar. Segundo a deputada, há trabalhadores com 15, 20, 22 ou até 30 anos de dedicação ao município, muitos deles já próximos da aposentadoria.

Na avaliação dela, alterar regras nesse momento representa injustiça com quem planejou a vida profissional a partir de uma determinada expectativa.

A metáfora esportiva ajuda a traduzir um tema complexo. Para o servidor, a previdência não é apenas cálculo atuarial. É planejamento de vida, segurança familiar e reconhecimento por décadas de trabalho.

Deputada promete articulação com vereadores

Lohanna deixou claro que, como deputada estadual, não vota na Câmara Municipal de Divinópolis. Mesmo assim, afirmou que os servidores podem contar com seu mandato na luta contra a proposta. A parlamentar prometeu atuação política e articulação junto aos vereadores para tentar impedir que aquilo que chamou de “absurdo” avance.

Essa declaração aumenta a pressão sobre o Legislativo municipal. A Câmara passa a ser o centro da disputa, já que qualquer mudança na previdência precisará passar pelo crivo dos vereadores.

Com a categoria em estado de greve e a promessa de ocupação da Câmara, cada parlamentar será cobrado publicamente sobre sua posição. A entrada de uma deputada estadual no debate dá mais peso político ao movimento dos servidores.

Sintram e Sintemmd são elogiados pela mobilização

Ao final da fala, Lohanna parabenizou o Sintram e o Sintem pela mobilização dos servidores. A deputada classificou a organização da categoria como “maravilhosa” e reforçou que os trabalhadores podem contar com sua atuação. O elogio aos sindicatos também mostra que o movimento ganhou dimensão institucional. A assembleia não representou apenas insatisfação dispersa. Ela consolidou uma reação coletiva, com comando sindical, discurso político e estratégia de pressão sobre a Prefeitura e a Câmara.

Crise do Diviprev entra em nova fase

A manifestação de Lohanna ocorre em um momento delicado para a administração municipal. A prefeita Janete Aparecida sustenta que a reforma é necessária para tentar recuperar o Diviprev e evitar um colapso financeiro que poderia comprometer salários, serviços essenciais e o futuro previdenciário dos próprios servidores.

Os servidores, por outro lado, afirmam que não aceitam mudanças conduzidas sem diálogo adequado e temem impactos sobre aposentadoria, contribuição e direitos adquiridos ou esperados. Com a participação de Lohanna, a crise ganha mais uma camada. Agora, além da disputa entre Prefeitura e sindicatos, o tema passa a envolver articulação política externa e pressão direta sobre vereadores.

Formigueiro acordado

A imagem do formigueiro deve seguir como símbolo dessa fase do movimento. Uma formiga sozinha pode parecer pequena. Mas um formigueiro mobilizado muda o cenário. Foi esse o recado deixado por Lohanna aos servidores: a força da categoria está na organização coletiva.

A proposta de reforma do Diviprev abriu uma disputa que não será resolvida apenas com números técnicos. A Prefeitura precisará convencer. Os servidores querem ser ouvidos. A Câmara terá que se posicionar. E o movimento sindical promete acompanhar cada passo. Ao transformar o canto popular em recado político, Lohanna deu à assembleia uma frase de efeito que deve ecoar nos próximos dias: quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro.

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