Durante o 41º Congresso Mineiro de Municípios, realizado no Expominas, em Belo Horizonte, três prefeitos entrevistados pelo Divinews apresentaram leituras diferentes sobre o mesmo ambiente político e administrativo de Minas Gerais. Aurélio Suenes, de São João del-Rei, Wesley Diniz, o Lim, de Piracema, e Fernando Andrade, de Bom Despacho, avaliaram o peso do municipalismo, a importância da AMM e o cenário ainda indefinido para as eleições estaduais.
O encontro reuniu gestores municipais, vereadores, equipes técnicas e lideranças políticas em um ambiente marcado por troca de experiências, busca por soluções administrativas e articulações de bastidor. Nesse contexto, as entrevistas revelaram que, embora os prefeitos compartilhem a defesa do fortalecimento dos municípios, cada um enxerga o futuro político mineiro por uma lente própria.
Aurélio Suenes defende gratidão política e destaca obra de R$ 60 milhões
O prefeito de São João del-Rei, Aurélio Suenes, avaliou que o cenário político estadual ainda precisa de definição mais clara. Segundo ele, tanto no campo da direita quanto no campo da esquerda, as candidaturas ao Governo de Minas ainda apresentam incógnitas.
Suenes afirmou que, para o Senado, o quadro já se mostra mais desenhado. O prefeito citou Domingos Sávio e Marcelo Aro como nomes que devem receber apoio político em São João del-Rei, por entender que ambos ajudam o município.
No caso do Governo de Minas, Aurélio declarou apoio ao governador Mateus Simões. O ponto central da fala envolveu uma obra considerada estratégica para São João del-Rei e toda a região: o Anel Rodoviário, estimado em R$ 60 milhões.
Segundo o prefeito, ele passou pelo Congresso da AMM rapidamente, pois seguiria para a Cidade Administrativa com o objetivo de entregar o projeto da obra. A intenção, conforme relatou, busca viabilizar o recurso antes do período eleitoral e permitir a licitação.
Aurélio Suenes associou a viabilização da obra ao governador Mateus Simões, em parceria com o deputado federal Nikolas Ferreira. Para o prefeito, um investimento dessa dimensão exige reconhecimento político.
A fala mostra uma leitura pragmática do cenário. Para Suenes, o apoio político se vincula diretamente à capacidade de entregar recursos e obras estruturantes para o município. Nesse caso, a gratidão administrativa aparece como fator relevante na definição de alianças.
Lim defende política sadia, oposição responsável e candidato municipalista
O prefeito de Piracema, Wesley Diniz, conhecido como Lim, adotou um tom mais institucional ao falar sobre a política local e estadual. Ele descreveu Piracema como uma cidade pequena, pacata e desenvolvida, onde as pessoas conversam e discutem política de forma mais próxima.
Lim destacou que a oposição, quando atua de maneira sadia, contribui para o desenvolvimento do município. Para ele, a divergência de opiniões ajuda a administração pública, fortalece a democracia e amplia a capacidade de encontrar soluções.
Ao avaliar o Congresso da AMM, o prefeito ressaltou que o evento abre portas para os gestores municipais. Ele citou áreas como saúde, iluminação pública, infraestrutura, educação, gestão e assistência social como setores que se beneficiam das novidades apresentadas no encontro.
Na visão de Lim, o Congresso permite contato com novas tecnologias, troca de conhecimento e acesso a soluções que podem melhorar os serviços prestados à população. A fala reforça o papel técnico da AMM para prefeitos de cidades menores.
Quando abordou o cenário eleitoral de Minas, Lim também apontou indefinição. Entretanto, defendeu que o eleitor mineiro observe propostas, capacidade de articulação e compromisso com os municípios.
Para o prefeito de Piracema, o candidato ideal ao Governo de Minas precisa ter perfil municipalista. Ele argumentou que os problemas reais da população chegam primeiro às prefeituras e às câmaras municipais. Por isso, o próximo governador deve entender a rotina das cidades e ter força de articulação em Brasília.
Essa leitura coloca o município no centro do debate político. Lim não reduziu a análise a nomes ou campos ideológicos. Ele defendeu um critério administrativo: capacidade de gestão, diálogo e compromisso com as demandas locais.
Fernando Andrade aponta disputa entre Mateus Simões e Rodrigo Pacheco
O prefeito de Bom Despacho, Fernando Andrade, participou do Congresso da AMM acompanhado por parte de sua equipe de governo. Durante a entrevista, ele destacou a importância do encontro para capacitação do secretariado, troca de ideias e aproximação com outros gestores.
Fernando também revelou que integra a diretoria da AMM. A informação reforça sua presença no ambiente municipalista e sua participação mais direta nas articulações da entidade.
Para o prefeito, o Congresso permite ampliar conhecimento, fortalecer o networking entre gestores e acompanhar experiências de outras cidades. Ele avaliou que esse tipo de evento ajuda prefeitos e secretários a pensarem soluções práticas para a administração pública.
Ao comentar o cenário político mineiro, Fernando Andrade também classificou o quadro como indefinido. No entanto, apresentou uma leitura mais objetiva sobre a disputa pelo Governo de Minas.
Na avaliação dele, Mateus Simões aparece como um nome preparado e vinculado ao grupo do governador Romeu Zema. Ao mesmo tempo, Rodrigo Pacheco também surge como uma opção forte, caso confirme entrada na disputa.
Fernando afirmou acreditar que, se Pacheco disputar, o presidente Lula não deixaria a base enfraquecida em Minas. Por isso, na leitura do prefeito de Bom Despacho, a eleição estadual tende a se concentrar em uma disputa entre Pacheco e Mateus Simões.
O prefeito também citou Cleitinho, de Divinópolis, como nome colocado para o Senado. Apesar disso, manteve cautela e afirmou que aguarda os desdobramentos antes de definir rumos futuros.
Fernando se apresentou como político de centro e afirmou que busca o melhor para Minas e para o Brasil. A fala revela uma postura de observação estratégica, sem fechamento público antecipado em torno de uma candidatura ao Governo do Estado.
Três olhares para o mesmo problema
As entrevistas mostram três formas distintas de interpretar o mesmo momento político. Aurélio Suenes olha para o cenário a partir das entregas concretas ao município, especialmente a obra de R$ 60 milhões em São João del-Rei. Lim enxerga o processo pelo filtro do municipalismo, da democracia local e da capacidade de articulação. Fernando Andrade analisa o tabuleiro eleitoral com foco nos nomes que podem polarizar a disputa estadual.
Apesar das diferenças, os três prefeitos convergem em um ponto: Minas ainda vive um momento de indefinição política. O Governo do Estado permanece no centro das articulações, enquanto Senado, alianças partidárias e apoios regionais começam a ganhar forma.
O Congresso da AMM serviu, portanto, como vitrine administrativa e termômetro político. Entre estandes, palestras, reuniões e conversas de bastidor, prefeitos aproveitaram o evento para buscar soluções para suas cidades e, ao mesmo tempo, medir os movimentos que podem definir o futuro de Minas.
Nesse ambiente, o municipalismo apareceu como eixo comum. A diferença ficou na forma como cada prefeito traduziu essa pauta. Para uns, o municipalismo passa por obras e recursos. Para outros, pela escuta das cidades. Para outros, ainda, pela escolha de lideranças capazes de dialogar com Brasília e com diferentes forças políticas.
Concluí-se que os prefeitos querem protagonismo. Não querem apenas assistir à disputa estadual. Querem participar dela com base nas demandas reais dos municípios, que continuam sendo o primeiro endereço dos problemas da população.






