A confirmação da primeira morte por hantavírus no Brasil em 2026 colocou Minas Gerais novamente no centro das atenções sanitárias do país. O caso, confirmado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), envolve um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, que morreu após contrair a doença em uma área rural com presença de roedores silvestres.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades de saúde, o paciente teve contato com ratos silvestres em uma lavoura de milho antes de apresentar os primeiros sintomas da doença. O quadro começou no dia 2 de fevereiro, inicialmente com dores de cabeça. Poucos dias depois, surgiram febre, dores musculares, dores nas articulações e dores lombares, levando o homem a procurar atendimento médico.
Amostras biológicas foram encaminhadas para análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed), que confirmou sorologia IgM reagente para hantavírus. O paciente não resistiu e morreu no dia 8 de fevereiro.
Caso é tratado como isolado, mas cenário preocupa especialistas
Apesar de a SES-MG afirmar que o episódio é considerado isolado e sem relação com outros surtos recentes da doença, o caso reacendeu o alerta das autoridades sanitárias em todo o país.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil já registrou sete casos confirmados de hantavirose em 2026. Em 2025, foram contabilizados 35 casos e 15 mortes pela doença. Desde o início da série histórica nacional, em 1993, o país soma mais de 2,4 mil casos e cerca de 926 mortes relacionadas ao hantavírus.
Em Minas Gerais, os números também chamam atenção. O estado registrou seis casos confirmados em 2025 e duas confirmações em 2026 até o momento, incluindo a morte registrada em Carmo do Paranaíba.
Especialistas apontam que a hantavirose possui alta taxa de mortalidade, principalmente quando o diagnóstico acontece de forma tardia. A doença pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória grave e síndrome cardiopulmonar.
Relembre o que é o hantavírus
A hantavirose é uma doença viral grave transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. O contágio também pode ocorrer por contato direto com secreções dos animais ou por mordidas.
A doença é mais comum em áreas rurais, especialmente em regiões agrícolas, galpões fechados, depósitos de grãos e locais com presença frequente de ratos silvestres.
Entre os sintomas iniciais mais comuns estão:
- febre;
- dores musculares;
- dor de cabeça;
- dores lombares;
- cansaço intenso;
- dores abdominais.
Nos casos mais graves, os pacientes podem desenvolver:
- tosse seca;
- dificuldade respiratória;
- queda da pressão arterial;
- insuficiência pulmonar;
- síndrome cardiopulmonar grave.
Autoridades de saúde alertam que não existe tratamento específico contra o hantavírus. O atendimento é baseado em suporte clínico intensivo e o diagnóstico precoce é considerado fundamental para aumentar as chances de sobrevivência.
Surto internacional aumentou preocupação mundial
O caso mineiro ganhou ainda mais repercussão devido ao recente surto internacional envolvendo o navio de expedição MV Hondius, que partiu da Argentina e registrou casos suspeitos e confirmados da doença durante uma viagem marítima.
Segundo informações divulgadas por autoridades internacionais, o episódio provocou pelo menos três mortes e mobilizou a Organização Mundial da Saúde (OMS), além de governos europeus.
Apesar disso, o Ministério da Saúde reforçou que o caso registrado em Minas Gerais não possui qualquer relação com o surto internacional.
Cuidados simples podem evitar a doença
As autoridades sanitárias reforçam medidas importantes para evitar a proliferação da doença, principalmente em áreas rurais:
- manter alimentos armazenados corretamente;
- evitar acúmulo de lixo e entulho;
- não deixar ração exposta;
- manter terrenos limpos;
- ventilar locais fechados antes da limpeza;
- umedecer o chão antes de varrer ambientes com presença de roedores.
A SES-MG informou que segue monitorando os casos e realizando vigilância epidemiológica em todo o estado.






