O deputado federal Domingos Sávio transformou sua participação no 41º Congresso Mineiro de Municípios, realizado no Expominas, em Belo Horizonte, em uma espécie de largada política para sua pré-campanha ao Senado por Minas Gerais. Em entrevista concedida ao editor do Divinews Geraldo Passos, logo após sua participação durante o evento da AMM, o presidente estadual do PL disse que enxerga a indicação de seu nome como uma “providência divina”, defendeu uma mudança na composição do Senado, criticou decisões do Supremo Tribunal Federal, comemorou derrotas recentes do governo federal e abriu o jogo sobre os possíveis palanques da direita mineira em 2026.
O parlamentar chegou ao congresso poucos dias depois de ser anunciado pelo PL como pré-candidato ao Senado por Minas Gerais, em movimento que contou com apoio de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e das bancadas federal e estadual do partido. A confirmação do nome de Domingos Sávio integra a estratégia do PL para ampliar força no Senado e consolidar uma chapa competitiva no estado, em meio a um cenário de disputa direta pelo eleitorado conservador.
Senado como trincheira política
Durante a entrevista, Domingos afirmou que sua pré-candidatura nasce da necessidade de fortalecer uma maioria no Senado capaz de enfrentar temas que, na visão dele, hoje encontram bloqueio político dentro da Casa. O deputado citou, entre os exemplos, a dificuldade de abertura de comissões parlamentares de inquérito, investigações sobre casos como Banco Master e INSS, além de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
A fala teve tom de campanha, mas também de recado direto ao público municipalista que circulava pelo congresso. Domingos lembrou que começou a vida pública como vereador em Divinópolis, depois foi prefeito e, atualmente, como deputado federal, atua por meio de emendas parlamentares para municípios mineiros. A partir dessa trajetória, sustentou que o cargo de senador possui uma dimensão mais ampla, porque representa todos os 853 municípios de Minas e permite cobrar investimentos federais em áreas estruturantes.
Segurança e saúde aparecem como prioridades
Ao falar sobre os problemas do cotidiano das cidades, Domingos Sávio destacou segurança pública e saúde como áreas que exigem maior presença da União. Segundo ele, o governo federal investe pouco em segurança, enquanto os municípios enfrentam na ponta os reflexos da violência, da criminalidade e da falta de estrutura. O deputado também afirmou que a saúde precisa de mais recursos federais, especialmente para média e alta complexidade, onde pequenos municípios sofrem quando não têm hospital ou referência regional suficiente.
Esse ponto da entrevista dialogou diretamente com o ambiente do Congresso da AMM, formado majoritariamente por prefeitos, vereadores, secretários e lideranças municipais. Domingos buscou se apresentar como alguém que conhece a realidade das cidades por experiência própria e que pretende levar essa pauta ao Senado. A mensagem foi clara: o parlamentar quer transformar sua pré-candidatura em uma bandeira municipalista, com discurso de defesa das cidades do interior.
Críticas ao STF e ao governo Lula
A entrevista ganhou tom mais duro quando o deputado comentou derrotas recentes do governo federal no Congresso. Questionado sobre a comemoração de votações envolvendo a indicação de Jorge Messias ao STF e a chamada dosimetria das penas, Domingos afirmou que não enxergou os episódios apenas como derrota do governo, mas como derrota de um modelo político que, segundo ele, ameaça a independência entre os poderes.
No caso da indicação ao Supremo, Domingos criticou o que classificou como tentativa de transformar a Corte em um “puxadinho político” de uma linha ideológica. A fala seguiu o discurso predominante em setores da direita, que acusam o STF de atuar de forma política e de perseguir adversários ideológicos. O deputado também atacou o governo Lula e afirmou que a derrota da indicação representou uma reação a esse modelo.
Dosimetria e 8 de janeiro entram no centro da fala
Ao tratar da dosimetria, Domingos defendeu a derrubada do veto presidencial e associou a votação a uma pauta de liberdade. O deputado citou casos ligados aos atos de 8 de janeiro e afirmou que há condenações desproporcionais contra pessoas que, na visão dele, não deveriam receber penas tão altas. O parlamentar usou exemplos conhecidos da direita, como o caso de Débora Rodrigues, chamada de “Débora do Batom”, para sustentar sua crítica ao rigor das punições.
A avaliação de Domingos, no entanto, representa sua leitura política sobre decisões judiciais e votações legislativas. O tema segue altamente polarizado no país, com posições opostas entre parlamentares, ministros, juristas e setores da sociedade. Ainda assim, a fala mostra que a pauta do 8 de janeiro continuará presente na campanha de 2026, especialmente entre nomes do PL que pretendem disputar vagas majoritárias.
PL ainda avalia caminho para o governo de Minas
No trecho final da entrevista, Domingos Sávio falou sobre o xadrez político do PL em Minas Gerais. Como presidente estadual da sigla, ele afirmou que o partido ainda não definiu oficialmente quem apoiará para o governo mineiro, mas deixou claro que o eixo da decisão passa pelo apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O deputado disse que Cleitinho já declarou apoio a Flávio, o que abre possibilidade de coligação. Também afirmou que Mateus Simões dialoga com o campo conservador, mas hoje está ligado ao projeto presidencial de Romeu Zema.
Domingos ainda citou a possibilidade de o próprio PL lançar candidato ao governo de Minas. Entre os nomes mencionados, apareceram Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, e Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim. Segundo o deputado, maio seria o mês ideal para resolver o caminho do partido no estado, evitando que a decisão fique para depois da hora política adequada. A leitura coincide com declarações recentes do próprio parlamentar sobre as três possibilidades do PL em Minas: candidatura própria, coligação com Cleitinho ou aproximação com Mateus Simões.
Congresso da AMM virou vitrine para 2026
A presença de Domingos Sávio no Congresso da AMM mostrou como o evento municipalista também se transformou em espaço de articulação eleitoral. Embora a programação reunisse debates técnicos e pautas de gestão pública, o ambiente concentrou prefeitos, vereadores e lideranças com influência direta nas bases eleitorais do interior. Para um pré-candidato ao Senado, falar a esse público significa dialogar com quem move campanhas em centenas de municípios.
Domingos percebeu esse peso e fez questão de destacar a acolhida recebida após sua palestra. Segundo o deputado, a aproximação com prefeitos e vereadores reforça a construção de uma pré-candidatura baseada na municipalidade, na direita e no discurso de enfrentamento institucional. Em um estado grande e politicamente fragmentado como Minas, esse tipo de presença regional pode fazer diferença.
Pré-campanha começa com discurso de confronto
A entrevista deixou claro que Domingos Sávio pretende disputar o Senado com um discurso firme, conservador e de confronto direto com o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal. Ao mesmo tempo, buscou associar sua trajetória à defesa dos municípios, tentando unir pauta ideológica e agenda prática de gestão pública. Essa combinação deve marcar sua caminhada até 2026.
No tabuleiro mineiro, o desafio do PL será conciliar projetos nacionais, interesses regionais e disputas internas da direita. Domingos já colocou seu nome na mesa para o Senado. Agora, a sigla terá de decidir se caminhará com Cleitinho, com Mateus Simões, com candidatura própria ao governo ou com uma composição capaz de evitar divisão no campo conservador. O deputado, por sua vez, saiu da AMM com o discurso pronto: quer ocupar o Senado para dar mais força política às cidades e mais peso à direita mineira em Brasília.






