Na segunda-feira (04), a morte da menina Lizmar Nicol Lugo Guerra, de apenas 11 anos, com diagnóstico de meningite bacteriana, provocou comoção e levantou questionamentos sobre o atendimento na rede pública de saúde na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A criança, de origem venezuelana e moradora do bairro Bandeirinhas, em Betim, não resistiu após dias internada em estado grave. O caso já havia sido confirmado anteriormente pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), o que mobilizou autoridades de saúde.
Demora no atendimento é apontada pela família
Segundo relato da irmã da vítima, Odelys del Carmen González, de 24 anos, a família enfrentou cerca de seis horas de espera por um atendimento mais efetivo na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sarzedo.
Durante esse período, Lizmar aguardava transferência para uma unidade com maior capacidade de atendimento.
“Se ela tivesse sido transferida logo após o primeiro atendimento, acreditamos que ela poderia ter sido salva”, afirmou a irmã, em entrevista.
A Prefeitura de Sarzedo foi procurada, mas não havia se manifestado até o fechamento das informações.
Estado grave e evolução rápida da doença
De acordo com o Serviço Social Autônomo de Contagem, a menina deu entrada no Centro Materno-Infantil já em estado gravíssimo, com sintomas compatíveis com meningite bacteriana.
Imediatamente, a equipe médica iniciou o tratamento. No entanto, o quadro evoluiu rapidamente para comprometimento neurológico severo.
Diante da gravidade, foi necessário iniciar o protocolo de morte encefálica, o que confirmou o desfecho fatal.
Velório e despedida
O corpo da criança será velado na terça-feira (05), no Cemitério Parque Jardim da Cachoeira. O sepultamento está previsto para o fim da manhã, em meio à comoção de familiares e amigos.
Relembre: o que é a meningite e por que preocupa
A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. No caso bacteriano, como o registrado em Betim, a doença é considerada uma das formas mais graves e pode evoluir rapidamente para óbito.
Entre os principais sintomas estão:
- Febre alta
- Dor de cabeça intensa
- Rigidez na nuca
- Vômitos
- Confusão mental
A transmissão pode ocorrer por contato próximo, o que exige atenção redobrada das autoridades de saúde.
Caso semelhante recente acende alerta no país
Além do caso em Minas Gerais, outro episódio recente reforça o alerta nacional. Um bebê de seis meses morreu após ser diagnosticado com meningite em Papanduva, no Norte de Santa Catarina.
A criança estava internada em Joinville e, segundo a Secretaria de Saúde, não havia completado o esquema vacinal — a segunda dose estava atrasada.
Apesar de o caso ter sido considerado isolado, autoridades reforçaram a importância da vacinação como principal forma de prevenção.
Vacinação e diagnóstico rápido são decisivos
Especialistas apontam que a rapidez no diagnóstico e no início do tratamento pode ser determinante para a sobrevivência em casos de meningite bacteriana.
Além disso, o cumprimento do calendário vacinal é essencial para reduzir os riscos, principalmente entre crianças.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vacinas que protegem contra os principais tipos da doença.
Caso deve ser investigado
Diante das denúncias da família, o caso pode gerar apuração sobre o tempo de resposta no atendimento inicial.






