A crise do transporte coletivo de Divinópolis entrou de vez em seu ponto mais delicado. De um lado, a prefeita Janete Aparecida admitiu publicamente durante todo o dia desta quinta-feira (16), que não consegue mais segurar o congelamento da tarifa mas que o valor no cartão terá de ficar em em cerca de R$ 6, enquanto o pagamento em dinheiro deve girar em torno desse mesmo patamar. Do outro, o presidente do Sindicato dos Motoristas, Erivaldo Adami, confirmou que a greve está mantida e que a paralisação começa a partir de zero hora desta sexta-feira, com bloqueio na porta da garagem.
A fala de Janete foi clara, em entrevista ao Divinews, ao reconhecer que o modelo de subsídio esgotou. Segundo ela, o consórcio alegou não ter mais condições de manter o sistema sem aumento e apresentou exigências que a Prefeitura diz não ter como atender. A prefeita afirmou que recebeu pedido de R$ 3 milhões de subsídio em março, além de mais R$ 2,5 milhões até dezembro, e classificou esse cenário como impossível para o caixa do município.
“É com muita tristeza que eu falo para o cidadão, eu não dou conta mais de segurar esse congelamento.”
Na entrevista, Janete disse que, mesmo tentando evitar a paralisação, já não há como manter a política que segurou o valor da passagem ao longo dos últimos anos. Ela afirmou que vai à assembleia dos motoristas na madrugada para apresentar a proposta costurada pela administração e tentar evitar a greve. A prefeita também deixou claro que vai enfrentar a situação pessoalmente.
“Eu vou estar lá de madrugada, eu não vou correr do pau, eu vou para lá para poder enfrentar, para poder defender a população.”
Ao detalhar o que considera viável, Janete apontou que o valor da tarifa precisa ficar abaixo de R$ 6 no cartão e, no máximo, por volta de R$ 6 no dinheiro, justamente para evitar um salto direto ao valor cheio que, segundo ela, chegou a ser calculado anteriormente. Na fala da prefeita, o número de R$ 6,58 apareceu como o preço definido em estudo anterior, mas ela afirmou que sua briga agora é para reduzir esse montante ao menor valor possível dentro da legalidade.
“Tem que ser abaixo de R$ 6,00 no cartão e, no máximo, no dinheiro, ser por volta de R$ 6,00, mas abaixo de R$ 6,00.”
A prefeita também sustentou que não pode continuar pagando subsídio à empresa e ainda conceder o reajuste exigido pelo sistema. Segundo ela, a saída será zerar o subsídio e aplicar o reajuste da tarifa. Janete afirmou que o dinheiro que deixará de ser transferido ao consórcio poderá ser destinado a outras áreas, como educação, incluindo construção de escola e reforma de telhados de unidades escolares.
No centro da justificativa da prefeita está a herança do congelamento. Janete afirmou que o ex-prefeito Gleidson Azevedo conseguiu manter a tarifa parada por meio de uma reserva de aproximadamente R$ 18 milhões, composta por recursos economizados e receitas extraordinárias, inclusive da venda da folha de pagamento e de parte do dinheiro da Copasa. Segundo ela, se o empresário tivesse cumprido o acordo anterior, o congelamento ainda poderia ser sustentado neste ano. Mas, diante da nova exigência financeira do consórcio, a conta não fechou.
Ao mesmo tempo, Janete tentou tirar do debate a ideia de omissão. Disse que estava na gestão anterior, sabia de onde saía o dinheiro e agora precisa encarar o problema já sem a mesma reserva disponível. Em sua versão, o ex-prefeito não agiu errado ao congelar a tarifa, mas o modelo se tornou inviável diante da postura atual do empresário e da falta de fôlego financeiro da Prefeitura para continuar bancando o sistema.
A entrevista também foi usada para anunciar uma promessa política importante. Janete afirmou que já iniciou a modelagem para uma nova licitação do transporte e que pretende fazer em 2027 uma nova concessão para trazer outra empresa a Divinópolis, ou então submeter a atual concessionária a um novo contrato dentro de outras regras. A prefeita prometeu participação popular na definição do novo modelo.
Enquanto a Prefeitura tenta construir esse discurso de saída técnica, do lado do sindicato o tom já é de paralisação confirmada. Erivaldo Adame afirmou que as 72 horas de comunicação às autoridades já venceram e que, por decisão dos trabalhadores, a greve será iniciada à zero hora da sexta-feira, diretamente na porta da empresa. Segundo ele, os ônibus que ainda estiverem em circulação serão recolhidos à garagem e não voltarão a sair.
“A partir desse momento, podemos fazer a greve. Mas os trabalhadores, por bem, achou que a gente deve fazer a paralisação na porta da garagem. Então, amanhã, zero horas da sexta-feira, nós estamos lá presentes para fazer essa paralisação.”






