O transporte coletivo de Divinópolis entrou em uma semana decisiva. Sem proposta concreta para os trabalhadores, o sindicato dos motoristas convocou 3 assembleias para esta sexta-feira (10), às 9h, 15h e 18h, na Rua do Comércio, 11, próximo ao Campo do Flamengo. O clima já é de tensão, porque a categoria pode deliberar por paralisação após o fracasso das negociações salariais.
O presidente do sindicato dos rodoviários, Erivaldo Adami, afirmou que os trabalhadores aguardavam uma proposta para levar à assembleia, mas isso não aconteceu. Segundo ele, a resposta foi “proposta zero”, fato que aumentou a insatisfação da categoria e endureceu o discurso do movimento.
Além disso, Erivaldo deixou claro que o sindicato não aceita apenas recomposição inflacionária. A entidade quer ganho real. Por isso, a frustração cresceu ainda mais após várias reuniões sem avanço efetivo. Na avaliação do dirigente, o cenário pode acabar em paralisação.
A categoria também recebeu a sugestão de prorrogar as negociações por mais 45 dias. Mesmo assim, Erivaldo não concordou previamente com a ideia e afirmou que a definição ficará nas mãos dos trabalhadores durante as assembleias. Com isso, a deliberação de sexta-feira (10) ganhou peso ainda maior.
O próprio sindicato já começou a mobilização pública. No comunicado divulgado à categoria, a entidade confirmou as 3 assembleias no mesmo dia, em horários diferentes, e orientou os trabalhadores a acompanhar os detalhes com a presidência do sindicato. O aviso reforça que a mobilização saiu do campo da insatisfação e entrou em fase de organização prática.
Do lado das empresas, Fernando Carvalho, representante da Transoeste, afirmou que o sistema não consegue apresentar proposta sem mudança no subsídio pago pela Prefeitura. Segundo ele, a tarifa atual e o valor repassado pelo município não permitem avanço financeiro nas negociações com os motoristas.
Fernando também afirmou que já se reuniu com a prefeita Janete. Ao comentar o encontro, disse que a prefeita demonstrou sensibilidade diante da situação das empresas. Ainda assim, sustentou que o transporte coletivo precisa de reequilíbrio financeiro para continuar operando e, ao mesmo tempo, recompor a frota, que hoje estaria mais envelhecida.
O presidente, Fernando Carvalho, atribuiu ainda o envelhecimento da frota do transporte coletivo de Divinópolis ao congelamento da tarifa e afirmou que o subsídio pago pela Prefeitura, isoladamente, não é suficiente para garantir a renovação dos ônibus. A declaração colocou no centro do debate o modelo financeiro do sistema e ampliou a pressão sobre o poder público em meio ao impasse com os motoristas.
Na mesma fala, o representante da Transoeste argumentou que o sistema já teve ônibus com média de 2 a 3 anos de uso, mas hoje a média estaria em torno de 8 anos. A declaração reforça a linha adotada pelas empresas de que o modelo atual não sustenta investimentos, reajustes trabalhistas e manutenção do serviço ao mesmo tempo.
Fernando ainda apontou números para justificar a cobrança ao poder público. Segundo ele, a tarifa varia entre R$ 3,65 e R$ 4,15, sendo que a maioria dos usuários paga R$ 3,65. Também declarou que o subsídio que deveria ser de R$ 2.570.000 está em R$ 2.000.000. Com isso, o empresariado joga sobre a Prefeitura parte central da responsabilidade pelo impasse.
O resultado é que a crise do transporte coletivo agora envolve 3 frentes de pressão. O sindicato cobra valorização salarial. A Transoeste exige reforço no subsídio. E a gestão da prefeita Janete aparece no centro da discussão, já citada diretamente como peça-chave para qualquer saída.
Se não houver avanço rápido, Divinópolis poderá enfrentar novos transtornos no transporte coletivo. A sexta-feira (10) tende a ser o ponto de virada. Caso a assembleia aprove a paralisação, o sindicato já sinalizou que notificará as autoridades dentro do prazo legal antes de marcar a greve.






