Familiares, amigos e colegas do gari Laudemir de Souza Fernandes voltam às ruas nesta sexta-feira (10), em Belo Horizonte, para um novo ato público que reacende um dos crimes mais revoltantes dos últimos anos em Minas Gerais. A mobilização marca os 8 meses da morte do trabalhador e busca evitar que o caso caia no esquecimento.
O protesto, intitulado “Ato por Justiça: 8 meses sem Laudemir”, será realizado às 15h, em frente ao Fórum Lafayette. No local, manifestantes devem distribuir rosas brancas como símbolo de paz e respeito à categoria dos garis.
Relembre o caso que chocou o país
O assassinato de Laudemir ocorreu na manhã de 11 de agosto de 2025, no bairro Vista Alegre, região Oeste da capital mineira. O gari, de 44 anos, trabalhava normalmente na coleta de lixo quando se tornou vítima de um episódio de violência extrema.
Segundo investigações, tudo começou com uma discussão de trânsito. O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior teria se irritado com a presença do caminhão de lixo em uma rua estreita, sacado uma arma e feito ameaças antes de efetuar o disparo.
Laudemir, que tentava apaziguar a situação, foi atingido na região do abdômen e não resistiu aos ferimentos, mesmo após socorro.
Confissão e detalhes que aumentaram a revolta
Dias após o crime, o empresário confessou ter efetuado o disparo durante a discussão. Em depoimento, alegou que não percebeu que havia atingido a vítima e seguiu sua rotina normal, sem prestar socorro.
O caso ganhou ainda mais repercussão ao se tornar público que a arma utilizada pertenceria à esposa do investigado, uma delegada da Polícia Civil, o que levantou questionamentos sobre responsabilidade e controle de armamento.
A prisão em flagrante foi convertida em preventiva, e o empresário passou a responder por homicídio qualificado.
Processo, júri e medo de impunidade
Atualmente, o caso segue na Justiça e aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri. O Ministério Público apontou circunstâncias graves, como motivo fútil e dificuldade de defesa da vítima.
Apesar disso, a defesa tem apresentado pedidos para que o réu responda em liberdade, o que tem gerado forte reação da família e de movimentos sociais.
Ato busca manter caso vivo
Diante desse cenário, o ato desta sexta-feira surge como um novo capítulo da mobilização por Justiça. Os organizadores defendem que a pressão popular é fundamental para garantir que o caso tenha um desfecho rápido e rigoroso.
Além disso, o movimento levanta um debate mais amplo sobre a segurança de trabalhadores que atuam nas ruas e sobre a violência urbana, especialmente em situações cotidianas como discussões de trânsito.
Memória, dor e resistência
O nome de Laudemir se tornou símbolo de uma luta que vai além de um caso individual. Descrito como trabalhador dedicado e homem de família, ele deixou esposa, filhos e uma história marcada pela simplicidade e pelo respeito.
O ato, portanto, não é apenas um pedido de Justiça. É também um grito contra a impunidade e um lembrete de que a vida de quem trabalha nas ruas precisa ser protegida.






