Baixaria na eleição do Sintram se agrava após prints com ofensas, pressão e ameaça de impugnação

Conversas atribuídas ao atual presidente Marco Aurélio, dirigidas a Quitéria, reforçam denúncia de assédio político na disputa sindical e lançam novas dúvidas sobre a lisura do processo

Publicado por: Geraldo Passos

A eleição do Sintram mergulhou de vez em um terreno tóxico, incompatível com qualquer disputa minimamente limpa, depois que novos prints enviados ao Divinews ampliaram a gravidade das acusações envolvendo o atual presidente, Marco Aurélio. Se antes já havia a denúncia de pressão para que uma integrante da Chapa 2 deixasse a composição, agora o material recebido mostra que a pessoa a quem Marco Aurélio se dirigia era Quitéria, em um ambiente de discussão que saiu do campo político e escorregou para ofensas pessoais, intimidação e tentativa explícita de desgastar uma integrante da oposição.

Nos prints, Marco Aurélio aparece respondendo diretamente a Quitéria em tom agressivo. Em um dos trechos, diz que ela o teria enganado e a chama de “golpista”, afirmando ainda que teria “ódio” dela. Em outro momento, menciona uma denúncia envolvendo sua mãe, uma senhora de 74 anos, e passa a expor no grupo uma acusação patrimonial contra Quitéria, sustentando que ela teria vendido uma casa sem documentação e permanecido no imóvel após o pagamento. O que chama atenção não é apenas o teor da acusação, mas o contexto em que ela surge, em meio a uma disputa eleitoral sindical, com evidente carga de constrangimento público. Pelos prints, a discussão deixa de ser política e passa a operar como instrumento de desgaste pessoal.

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Em outra imagem, Quitéria tenta baixar a temperatura ao afirmar que, independentemente de chapa, ninguém ali seria inimigo. A resposta atribuída a Marco Aurélio, no entanto, vai na direção oposta. Ele diz para que ela o esqueça, afirma que ela o procurou e manda que ela não se faça de vítima. O tom da troca ajuda a desenhar um ambiente de hostilidade incompatível com a liturgia mínima que se espera de quem disputa o comando de um sindicato. O problema é ainda mais grave porque não se trata de um apoiador exaltado ou de um militante periférico, mas do atual presidente, isto é, da figura que deveria zelar pela serenidade institucional do processo.

Os prints anteriores já indicavam uma conversa privada ainda mais sensível. Em um deles, Marco Aurélio teria escrito a Quitéria: “Infelizmente vc é uma dos nossos alvos”, acrescentando que alguns teriam sido separados “pra atirar” e que ela seria um deles. Na sequência, ao ser informada por ela de que uma eventual saída da chapa prejudicaria o grupo porque a composição já havia sido homologada, ele responde que ainda haveria “3 dias na impugnação”. O encadeamento dessas mensagens é o que mais pesa politicamente, porque sugere não apenas animosidade, mas uma pressão voltada a produzir efeito concreto na chapa adversária.

O documento anexado à reportagem já reunia o relato da mulher que se diz ameaçada. Nele, ela afirma que foi ameaçada, que sua filha também foi ameaçada, que foi chamada de golpista e que segurou a situação por acreditar que a eleição deveria ser resolvida pela melhor proposta, e não por intimidação. Também diz que pedir a saída de uma pessoa para inviabilizar a chapa de oposição configura assédio entre chapas e que ninguém tem o direito de ameaçá-la ou forçá-la a trair o grupo do qual fazia parte.

Há ainda outro elemento que agrava a situação. Logo após a discussão no grupo, a administradora enviou um áudio ao Divinews explicando o que havia acontecido. Segundo informações obtidas pela reportagem, a preocupação dela era objetiva: como administradora do grupo, havia receio de que toda aquela troca de acusações, ofensas e ataques acabasse respingando juridicamente sobre ela. Em outras palavras, a tensão no grupo já não gerava apenas desconforto político. Passava a levantar medo real de consequência judicial para quem estava no meio da confusão tentando manter o ambiente minimamente sob controle.

Esse detalhe é importante porque mostra a dimensão do estrago. Quando uma eleição sindical degenera a ponto de a administradora de um grupo temer responder judicialmente pelo conteúdo da discussão, a crise já ultrapassou há muito a esfera da campanha. O processo inteiro começa a ser contaminado por um ambiente de intimidação, constrangimento e exposição pessoal que corrói a credibilidade do pleito.

Mesmo que se alegue que parte das mensagens trate de assunto pessoal anterior entre Marco Aurélio e Quitéria, o contexto em que tudo reaparece não é neutro. Não surge em conversa privada isolada, longe da eleição. Surge em meio ao embate entre chapas, junto de falas sobre impugnação, saída de integrante e alvo político. Isso muda tudo. O conteúdo deixa de ser apenas desabafo pessoal e passa a ser lido, inevitavelmente, como peça de pressão dentro de uma disputa pelo poder sindical.

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Se confirmadas como autênticas, as mensagens lançam uma mancha pesada sobre a eleição do Sintram. Uma disputa desse porte exige liberdade de composição, debate de propostas e respeito mínimo entre adversários. O que aparece nos prints é o contrário disso: uma atmosfera de constrangimento público, acusações graves sem a devida mediação institucional e, pior, indícios de que a pressão sobre Quitéria poderia ter relação direta com a tentativa de atingir a chapa adversária.

No fim, a pergunta que sobra é dura, mas inevitável: que tipo de representação sindical se pretende construir quando a campanha desce a esse nível? Porque uma eleição pode até sobreviver ao confronto político. O que ela não suporta sem apodrecer por dentro é a normalização da intimidação como método. E é exatamente essa sombra que agora paira sobre o Sintram.

Lembrando que, a chapa 2 entrou na justiça para que a Assembleia seja suborana e decida que modelo de eleição os servidores quere. Se presencial, como quer a atual diretoria, que fazem parte da chapa 1,  ou virtual como querem os membros da chapa 2. A justiça decidiu que a Assembleia é soberana. Contudo, a chapa 1 não aceitou e recorreu da decisão, perderam novamente. Insistiram e entraram com recurso contra a decisão, voltaram a perder. Ou seja, a chapa 1 perdeu três vezes na justiça.

Contudo, diante do imbroglio juridico. Não haverá tempo para que a eleição ocorrar na data que estava estipulada anteriormente. Isso faz com que o pleito seja realizado apenas no final do mês de abril.

Imagem ilustrativa, feita por IA ( Os personagens são ficticios e não retratam fisionomicamente nenhum dos atores envolvidos )

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