A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, nesta terça-feira (31), uma importante operação em Juiz de Fora, na Zona da Mata, voltada ao combate de crimes cibernéticos de alta complexidade. A ação teve como alvo uma organização criminosa especializada na invasão de perfis em sistemas do governo federal, como o portal gov.br. Segundo as investigações coordenadas pelo Departamento Estadual de Combate à Corrupção e a Fraudes (Deccof), os criminosos assumiam as identidades digitais das vítimas para manipular dados bancários e patrimoniais. Este avanço da polícia mineira representa um golpe significativo contra as novas modalidades de estelionato eletrônico que crescem no país.
A princípio, a dinâmica do grupo envolvia uma sofisticação técnica considerável para burlar a segurança dos usuários. De facto, após o acesso indevido às contas, os suspeitos realizavam o desvio de pagamentos de aposentadorias e a abertura de contas bancárias fraudulentas em nome de terceiros. Com toda a certeza, um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a contratação de empréstimos via sistema sougov.br, utilizando a margem consignada das vítimas sem qualquer consentimento. Consequentemente, o prejuízo financeiro causado às pessoas — muitas delas idosas e vulneráveis — gerou uma mobilização imediata das unidades especializadas em crimes de tecnologia.
Transferência de veículos de luxo e falsificação de assinaturas
Logo após aprofundarem as buscas, os policiais civis descobriram que o bando utilizava o acesso privilegiado para realizar a transferência irregular de veículos de alto valor. Certamente, automóveis de luxo eram o foco principal dessa manobra, que visava a rápida conversão do patrimônio roubado em dinheiro vivo. Durante o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão, as equipes do Deccof recolheram materiais que comprovam a dedicação do grupo ao crime, como cadernos com treinamentos para falsificação de assinaturas. Além disso, foram apreendidos documentos com indícios de fraude, um veículo de passeio e um cheque em nome de uma terceira pessoa, reforçando a tese de organização criminosa estruturada.
Próximos passos e análise pericial
Posteriormente à apreensão do material, a Divisão Especializada de Investigação aos Crimes Cibernéticos iniciará uma análise pericial minuciosa em computadores e dispositivos móveis coletados. De acordo com a PCMG, o objetivo agora é rastrear a extensão total dos prejuízos e identificar outros possíveis integrantes que possam estar operando em diferentes regiões do estado. Analogamente a outras operações de combate à corrupção, a polícia busca entender como os criminosos obtinham as senhas iniciais para a primeira invasão das contas federais. Como resultado, espera-se que o encerramento deste inquérito resulte em novas prisões e na recuperação de parte dos ativos financeiros desviados.






