A prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida, começou o governo mostrando que a caneta veio afiada e com critério político, cálculo administrativo mas com algum apego sentimental ao organograma herdado, em muitos casos dela mesmo, por ter sido, segundo seu slogan ainda no cargo anterior, a vice-prefeita que trabalha, e a que também administrava a cidade, como era público e notório. Fato é que, depois de tomar posse oficialmente como prefeita na última sexta-feira (27) e apresentar parte da equipe nesta segunda-feira (30), foi publicado no Diário Oficial desta terça-feira (31) um pacote que mistura exonerações, nomeações e rearranjo interno da máquina.
Só que o dado mais importante aparece quando se cruza uma lista com a outra. Nem todo mundo caiu de vez. Nem todo mundo sobreviveu. E alguns nomes que eram intocáveis de Gleidson, simplesmente desapareceram do novo desenho de poder.
O cruzamento dos atos mostra que Janete não fez uma limpeza ampla e cega. Ela exonerou vários ocupantes de cargos comissionados, mas reaproveitou grande parte deles na mesma posição e alguns em novas, reorganizando peças do próprio grupo político, que em grande parte, era dela mesmo.
Foi o caso de Franciele Ferreira Alves, que saiu da Gerência de Urgência e Emergência da Semusa e foi nomeada chefe de gabinete da prefeita. Ildeu Alves de Moura Júnior deixou a Gerência de Gabinete da Vice-Prefeita e assumiu a Assessoria Executiva do Gabinete. Felipe Soalheiro Israel saiu da Diretoria de Articulação Política e Emendas Impositivas e foi nomeado para a Assessoria de Apoio Jurídico. Samara Alyne Souza Rosa deixou a Diretoria de Comunicação e foi elevada à Secretaria de Esportes e Juventude. Leonardo Gomes de Oliveira saiu da Gerência de Parcerias da Semds e assumiu a Diretoria de Articulação Política e Emendas Impositivas. Andreia Azevedo da Costa deixou a Chefia de Gabinete da Vice-Prefeita e foi nomeada secretária municipal de Operações e Serviços Urbanos. Cláudia Antônia Santana saiu da Gerência de Agricultura e Banco de Alimentos para virar secretária de Agronegócios. Isabela Antunes, Monique Damares Cardoso Martins, Gustavo Guimarães de Oliveira e Alisson Duarte Santos também trocaram de cadeira em vez de perder espaço.
Na prática, isso significa que Janete não passou o facão em todo mundo. Ela escolheu quem continuaria orbitando o poder, ainda que em funções diferentes, e quem ficaria pelo caminho. O discurso de renovação, portanto, veio acompanhado de uma filtragem. Houve corte, mas houve também seletividade em tais cortes. Quem ainda servia ao novo arranjo permaneceu. Quem já não se encaixava, caiu.
Entre os casos mais curiosos está o de Emerson Gregório da Silva. Ele aparece exonerado do cargo de Diretor de Fiscalização e Aprovação de Projetos da Seplan, com efeitos a partir de 31 de março, mas logo em seguida volta a ser nomeado, interinamente, para exatamente o mesmo posto entre 1º e 30 de abril. Foi, até aqui, o exemplo mais claro de continuidade no mesmo cargo, ainda que sob nova fórmula administrativa. Em resumo, caiu no papel e voltou na prática.
Mas o que dá peso político ao pacote não é apenas quem ficou. É quem saiu e não voltou. E aí começam as baixas que mais chamam atenção. Um dos nomes de maior destaque é Talles Duque Barbosa, que ocupava a Chefia de Gabinete do Prefeito e era visto como fiel escudeiro de Gleidson Azevedo. De fato, não de direito, exercia o cargo de cinegrafista do prefeito. Foi exonerado com efeitos a partir de 27 de março, Talles não reaparece entre os nomeados do novo pacote. O recado é direto. Janete até manteve parte da engrenagem, mas não carregou para dentro do novo governo todos os nomes emblemáticos do núcleo de confiança do ex-prefeito.
Outros exonerados que, pelos arquivos enviados, também ficaram fora da nova distribuição de cargos são Edimara Martins, Antônio Carlos Soares, Francisco de Faria Campos Júnior, Albênio Morais Caldas, José Wilson da Silva, David Luiz Duarte, Weslley Marcelo de Oliveira, Faber Clayton Barbosa, Márcio Asevedo de Oliveira, Maximilian Menezes Pereira e Rodrigo Paula Braga. Todos foram exonerados, mas não reaparecem na lista de nomeações publicada no mesmo Diário Oficial.
No caso de Matheus da Silva Tavares, a situação é diferente. Ele foi exonerado do cargo interino na Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos, mas continuou como secretário municipal de Governo, cargo que já exercia e no qual inclusive assina os atos publicados. Ou seja, apenas deixou uma função acumulada dentro da transição.
Dois movimentos paralelos importantes, em um deles, Janete nomeia interinamente Emerson Gregório da Silva para a Diretoria de Fiscalização e Aprovação de Projetos da Seplan, confirmando que ele foi o único caso identificado de permanência no mesmo posto. Em outra, aparece um decreto ainda assinado por Gleidson Azevedo exonerando Daniela Maria de Almeida da Coordenadoria Administrativa da Semsur, com efeitos a partir de 5 de abril, o que mostra que a troca de comando veio acompanhada de uma fila de atos administrativos produzidos no fim da gestão anterior e consolidados no momento da transição.
No fim, o retrato é este. Janete não ignorou completamente o grupo que vinha da vice-prefeitura e da gestão passada. Reaproveitou parte dele, promoveu alguns, deslocou outros e segurou nomes que considera úteis. Mas também mandou embora peças importantes e deixou claro que o novo governo não será abrigo automático para todos os escudeiros de Gleidson. Na política, isso tem nome simples. Não foi faxina total. Foi seleção.







Depois fale sobre a garagem reaberta e o elevador pra n ter contato com as pessoas.