PT e clã Azevedo, romance político proibido (vídeo)

Entre afagos públicos, diálogo admitido e recados de bastidor, Edinho Silva, Gleide Andrade, Cleitinho Azevedo, Gleidson Azevedo e Sidônio Palmeira entram no tabuleiro de um flerte político que já ultrapassa Divinópolis e alcança Minas e Brasília.

Publicado por: Geraldo Passos

O gesto mais recente do clã Azevedo, foi de  Gleidson, o agora ex-prefeito de Divinópolis. Em defesa do vereador Vitor Costa, do PT, reforçou de vez a leitura de que o flerte político entre o PT a família Azevedo já quase não cabe mais no campo da especulação. Em vídeo, Gleidson afirmou que Vitor não deveria ser cassado, embora pudesse ser punido, e deixou no ar um recado que ultrapassa o episódio local. Para um nome identificado com a direita radical e extremada, sair publicamente em defesa de um vereador petista não é um movimento banal. É um sinal político calculado, ainda mais em um ambiente de polarização. O mote já foi “para o bem de Divinópolis”, e agora é “questão de justiça”. 

A fala de Gleidson ocorreu no contexto da representação por quebra de decoro aberta contra Vitor Costa, depois da divulgação de um print sem identificação em meio à polêmica sobre a Campanha da Fraternidade. O caso avançou na Câmara e se transformou em pressão por cassação. Foi justamente nesse ponto que o ex-prefeito entrou em cena para pedir contenção e se colocou, ainda que indiretamente, como linha de defesa de um quadro do PT local. Esse gesto, sozinho, já teria peso. Mas ele ganha dimensão maior quando encaixado em uma sequência de afagos que vem chamando atenção nos bastidores.

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Nos últimos dias, o namoro escondidinho entre petistas e o clã Azevedo ficou mais explícito porque os acenos passaram a surgir em diferentes frentes. Um dos episódios mais comentados foi a aproximação política entre Gleidson e Gleide Andrade, secretária nacional do PT, em Brasília. Ali, o discurso do “amor por Divinópolis” serviu, na prática, como argumento para suavizar a distância ideológica entre dois campos que, no plano formal, deveriam estar em lados opostos. O movimento foi percebido tanto pela esquerda quanto pela direita, justamente porque ele rompe a expectativa de confronto automático e abre espaço para uma convivência por conveniência.

O cenário mineiro ajuda a explicar por que esse flerte deixou de ser apenas um detalhe local. No domingo (29), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse que sua “chapa dos sonhos” em Minas teria Rodrigo Pacheco para o governo e Marília Campos e Alexandre Kalil para o Senado. Mesmo assim, ele fez questão de afirmar que quer abrir diálogo com Cleitinho, hoje um dos principais nomes da direita mineira para a disputa estadual. Mais do que isso, Edinho declarou publicamente que não vê problema em conversar com o senador, mesmo reconhecendo que ele fala com uma base social ligada ao bolsonarismo.

A frase literal de Edinho é altamente reveladora do momento: “Política a gente faz com conversa. Não tem porque não conversarmos com Cleitinho. Não significa que seja uma aliança”. Na prática, o recado foi outro. O PT quer deixar portas abertas com quem tem densidade eleitoral em Minas, ainda que esse nome venha do campo adversário. E Cleitinho, gostem ou não os puristas dos dois lados, hoje é um ativo político que ninguém ignora.

Do lado do senador, também há movimentos que alimentam esse ambiente de ambiguidade. Cleitinho já afirmou no Senado que apoia medidas do governo federal quando entende que elas beneficiam a população, independentemente de quem esteja na Presidência. Essa posição ajuda a preservar seu discurso de independência, mas ao mesmo tempo cria uma faixa de diálogo útil com o lulismo. Não é adesão formal, claro. Mas também não é muro alto. É uma abertura controlada, e na política isso tem valor.

É verdade que Cleitinho também continua dando sinais públicos ao campo bolsonarista. O senador segue tratado como nome forte da direita mineira e há notícias de que virou favorito para funcionar como palanque de Flávio Bolsonaro em Minas, justamente pela força eleitoral que acumulou. Esse dado é importante porque mostra que o flerte com o PT não apaga sua conexão com o eleitor conservador. Só que política raramente se move por coerência ideológica pura. Ela se move por utilidade, timing e leitura de poder.

Nesse contexto, a defesa de Gleidson a Vitor Costa funciona como o capítulo mais recente de uma aproximação feita de gestos indiretos, frases calibradas e movimentos simbólicos. Não se trata, ao menos por enquanto, de uma aliança formal, assumida e fotografada. Trata-se de algo mais sofisticado. Um campo começa a parar de hostilizar o outro. Um nome da direita estende a mão a um vereador do PT. Uma dirigente petista compartilha sintonia com um expoente do clã Azevedo. O presidente nacional do partido admite querer conversar com Cleitinho. E o senador, por sua vez, evita fechar completamente qualquer janela.

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Há ainda um dado de bastidor que amplia essa leitura. Segundo fonte do Divinews, o ministro da Secom da Presidência, Sidônio Palmeira, teria mandado emissário ao gabinete de Cleitinho para avisar que gostaria de ter um dedo de prosa com o senador. Até aqui, essa informação não apareceu confirmada em documento ou declaração pública acessível, e por isso deve ser lida como relato de bastidor. Ainda assim, ela se encaixa no desenho maior de um Planalto que sabe o peso de Minas e entende que dialogar com lideranças populares, mesmo fora da base formal, pode render mais do que insistir em isolamento.

O ponto central é que política não se faz apenas com falas explícitas. Política se faz com acenos subliminares, com afagos calculados, com defesa pública em hora sensível, com conversa aberta onde antes havia barreira ideológica. E é justamente isso que começa a ficar mais nítido. O que parecia improvável já não parece impossível. O que parecia proibido já não soa tão impensável.

No fim das contas, a defesa de Gleidson a Vitor Costa talvez tenha feito mais do que interferir em uma crise da Câmara. Ela jogou luz sobre um movimento maior, que vinha sendo costurado em silêncio. E, quando a política começa a falar por gestos, é porque as palavras já não dão conta sozinhas do que está sendo negociado.

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