Uma denúncia grave publicada nas redes sociais, e com anexação de vídeos, jogou forte pressão sobre a atuação de policiais militares em Bom Despacho. No relato, uma mulher afirma ter visto o marido ser baleado durante uma abordagem na noite de segunda-feira (24), em um episódio que, segundo ela, aconteceu diante da filha de 8 anos do casal e de um adolescente de 15 anos. A família sustenta que o homem não estava armado, não teria agredido os policiais e hoje luta pela vida em estado grave.
A autora do desabafo se identifica como Kêndicce e afirma ser filha de policial militar, criada na Vila Militar. No texto, ela narra que saía do cursinho quando o carro apresentou problema e não quis ligar. Diante da dificuldade, ligou para o marido, Luiz, para que ele fosse até o local prestar socorro. Segundo a versão apresentada por ela, Luiz saiu de casa rapidamente, descalço e sem camisa, levando os dois filhos, com a intenção apenas de ajudar a fazer o veículo funcionar.
Ainda conforme o relato, o carro estava parado em via pública, nas proximidades de um posto de combustíveis, sem impedir a passagem. Nesse momento, uma viatura da Polícia Militar teria chegado ao local e determinado que o veículo fosse retirado. Como o carro não funcionava, a situação teria evoluído para uma discussão. Kêndicce afirma que os policiais passaram a gritar com o marido e que ele respondeu apenas que o veículo estava estragado, pedindo respeito.
A mulher sustenta que, ao perceber a tensão aumentar, tentou intervir para acalmar a situação e explicou aos militares que saía do cursinho e que o automóvel não estava ligando. Segundo ela, um dos policiais teria então mencionado a realização de teste do bafômetro, alegando que Luiz parecia alterado. Na mesma publicação, Kêndicce afirma que o marido se dispôs a fazer o teste e chegou a estender as mãos para ser algemado, ao dizer que, se estivesse errado, poderia ser preso.
Na sequência, porém, a esposa relata que a abordagem teria saído do controle. Segundo sua versão, os policiais utilizaram spray de pimenta, o que fez com que cada um corresse para um lado. Ela conta que foi em direção à entrada do restaurante, enquanto o marido correu próximo às bombas de combustível. Nesse instante, diz ter implorado para que um dos militares não usasse arma de fogo. Mesmo assim, afirma que foram efetuados dois disparos, que teriam atingido Luiz pelas costas.
Em um dos trechos mais fortes do relato, Kêndicce sustenta que não deixaram que ela se aproximasse do marido depois que ele caiu baleado. Ela afirma que Luiz ficou muito alterado após ser atingido e que queria apenas acalmá-lo. Também nega que ele tenha agredido policiais, usado drogas ou portado arma. No texto, a mulher classifica a ação como despreparada, injusta e devastadora para toda a família.
O caso rapidamente ganhou repercussão nas redes por causa do peso da acusação e pelo contexto descrito pela esposa. Além de afirmar que o marido é trabalhador e esforçado, Kêndicce fez um apelo por orações e por justiça, dizendo que o companheiro está em estado grave e lutando pela vida.
Diante da gravidade do relato, o Divinews solicitou informações à Comunicação da 7ª Região da Polícia Militar, sediada em Divinópolis. Em resposta inicial, a equipe informou que a demanda deveria ser direcionada à Diretoria de Comunicação do Comando da corporação. Segundo o retorno repassado ao portal, uma nota oficial será enviada pela Polícia Militar sobre a ocorrência.
Até o envio da manifestação oficial da corporação, a versão pública disponível é a apresentada pela esposa nas redes sociais. O caso, por isso, ainda exige esclarecimentos formais sobre a dinâmica da abordagem, a conduta adotada pelos policiais e as circunstâncias em que o homem foi baleado.
A expectativa agora gira em torno da nota da Polícia Militar e dos desdobramentos do caso, que já provoca forte comoção e amplia a cobrança por apuração rigorosa. Quando houver posicionamento oficial da corporação, a matéria poderá ser atualizada com a versão institucional sobre a ocorrência.
Denúncia na íntegra
Bom dia, 25/03/2026, 11:46
Me chamo Kêndicce, e ontem tive a infelicidade de ver meu marido ser BALEADO COVARDEMENTE POR DOIS POLICIAIS MILITARES. SOU FILHA DE POLICIAL MILITAR, NASCIDA E CRIADA DENTRO DA VILA MILITAR, DEIXO ISSO BEM CLARO PARA QUE NÃO INTERPRETEM DE OUTRA MANEIRA. Ontem, dia 24/03 por volta das 21:15 eu estava saindo do cursinho, que fica ao lado do posto onde ocorreu o fato, o meu carro deu problema e não queria ligar, então liguei para meu marido para que viesse me prestar socorro. Ele, que estava deitado em casa, chamou minha filha de 8 anos e o irmão dela, um adolescente de 15 anos para que fosse com ele me acudir, saiu rápido de casa, descalços e sem camisa, pois só queria fazer nosso carro ligar, acreditando que seria rápido.
O veículo estava parado em via pública, deixando claro que não estava obstruindo o caminho, parado em frente ao posto, especificamente paralela a saída do posto de gasolina, e enquanto estava fazendo o veículo pegar e sem sucesso, a viatura chegou para nos abordar, pararam atras do nosso carro e determinaram que ele retirasse o veículo. Como ele não conseguia fazer o carro ligar, deslocaram a viatura para frente e estacionou, eles desceram da viatura e foram até o carro questionando por que o Luiz não tirou o carro quando mandaram, começando os xingamentos gratuitos a VÍTIMA! O Luiz então respondeu que o carro estava estragado e pediu para que não gritassem com ele, que da mesma forma que ele tem que respeitar a polícia eles também tinham que respeitá-lo como cidadão. Eu, então vendo que a situação estava começando a sair do controle, pedi que meu marido entrasse no carro e se acalmasse, e que eu iria tentar acalmar e apaziguar a situação, então eu disse ao policial que eu estava no cursinho e que o carro não queria ligar. O policial GILBERTO disse que então iria fazer o teste do bafômetro alegando que o Luiz estava muito alterado, parecendo que estava bêbado. O LUIZ PRONTAMENTE SE DISPONIBILIZOU a fazer o teste, e então o policial Gilberto chamou, aparentemente reforço pelo rádio, mesmo assim o policial Gilberto CONTINUOU INSTIGANDO, falando que era para o Luiz respeitá-lo que caso contrário daria voz de prisão para ele. Meu marido, então disse, ‘Se o senhor acha que eu estou errado pode me prender então’, esticou as duas mãos para ser algemado, então o outro Policial, Costa começou a fazer grosseria com o Luiz, continuaram a xingar e não prenderam ele, em seguida jogaram spray de pimenta em nós, então corremos, cada um para um lado, para que não engasgássemos, eu fui em direção a entrada do restaurante e o Luiz para próximo das Bombas de Combustível, ao corrermos os policiais Gilberto e Costa SEGUIRAM O LUIZ E ACIONARAM A ARMA DE CHOQUE E A ARMA DE FOGO, EU IMPLOREI PARA QUE O POLICIAL COSTA NÃO USASSE ARMA DE FOGO PORQUE NÃO ERA NECESSÁRIO, NOSSA FILHA DE 8 ANOS ESTAVA VENDO TUDO, ENTÃO O POLICIAL COSTA EFETUOU DOIS DISPAROS COM A ARMA DE FOGO ACERTANDO AS COSTAS, EU REPITO, NAS COSTASSSSSSSS DELE. Não me deixaram aproximar do meu marido, porque ele ficou muito alterado ao ser baleado, eu queria acalmá-lo para não piorar, e não me deixaram aproximar dele. Momento nenhum como foi dito, meu marido agrediu nenhum policial, NÕ FAZ O USO DE DROGA E NÃO ESTAVA ARMADO! FOI UMA ABORDAGEM JUSTA E DIGNA PARA NENHUM CIDADÃO. O DESPREPARO DE AMBOS POLICIAIS, TANTO O POLICIAL GILBERTO QUE FICOU INSTIGANDO, BRIGANDO, XINGANDO, TANTO DO POLICIAL COSTA QUE EFETUOU DISPAROS COM ARMA DE FOGO, SENDO QUE PODIAM UTILIZAR OUTROS MÉTODOS, QUE PRENDESSE ELE QUANDO IDENTIFICARAM O DESACATO, QUE TOMASSE AS MEDIDAS LEGAIS, NÃO A INJUSTIÇA. ME PARTE O CORAÇÃO VER A CORPORAÇÃO MANCHADA POR PESSOAS DESPREPARADAS PARA ABORDAGENS, CAUSANDO PREJUIZO A UMA FAMILIA INTEIRA. MEU MARIDO ESTÁ EM ESTADO GRAVE! LUTANDO PELA VIDA, QUEM NOS CONHECEM SABEM O QUANTO O LUIZ É UMA PESSOA TRABALHADORA, ESFORÇADO. PEÇO MUITAS ORAÇÕES POR ELE E QUE A JUSTIÇA SEJA FEITA!
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