Exclusiva: Denúncia de violência obstétrica no São João de Deus vai parar no CTI, hospital nega falha e diz que “condutas foram corretas”

Relato detalhado de acompanhante aponta espera, negativa de analgesia e intercorrências graves; hospital afirma que revisou prontuário e não encontrou irregularidade

Publicado por: Redação

Denúncia de suposta violência obstétrica envolvendo o Complexo de Saúde São João de Deus, em Divinópolis, chegou ao Divinews e abriu um novo capítulo em um tema sensível: o limite entre intercorrência clínica e conduta percebida como abusiva pela acompanhante de uma paciente e a própria, que ocorreu nesta última segunda-feira (16) – A comunicação do CSSJD se manifestou a respeito em contraditório à denúncia. 

A denunciante é Lívia Aparecida da Silva, que se apresentou ao portal como advogada e doula, e afirma ter sido acompanhante integral de uma gestante de 39 anos, classificada como alto risco por histórico de hipotireoidismo, pré-eclâmpsia em gestação anterior e bebê com restrição de crescimento, segundo o relato.

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A linha do tempo narrada pela acompanhante começa ainda no domingo (15), com rompimento de bolsa por volta de 21h, e segue pela manhã de segunda-feira (16), quando a médica da policlínica teria orientado que a gestante fosse encaminhada à maternidade do São João de Deus.

O relato descreve chegada ao hospital por volta de 11h20 e confirmação do rompimento de bolsa, com dilatação inicial pequena, seguida de decisão por internação para tentativa de indução do parto normal. A partir daí, a denúncia aponta um gargalo que costuma aparecer como estopim de exaustão emocional em atendimentos obstétricos: demora para liberação de leito e permanência prolongada em condições desconfortáveis, até que, após reclamações, houve encaminhamento para observação e somente no fim da tarde a internação em quarto teria sido efetivada.

Ainda segundo a acompanhante, a equipe teria mencionado necessidade de antibiótico por conta do tempo de bolsa rota, porém ela afirma não ter presenciado a administração naquele momento. Em seguida, relata que o monitoramento fetal tranquilizou o grupo, com exame sugerindo boa vitalidade do bebê.

Na madrugada de terça-feira (17), a denúncia afirma que a indução começou, as contrações intensificaram e a paciente foi levada para uma sala PPP para maior privacidade e possibilidade de movimentação. É nesse ponto que o relato faz uma acusação central: a acompanhante diz que solicitou analgesia e que o pedido teria sido negado sob justificativa clínica, o que ela interpreta como violação de direito e como fator que agravou sofrimento e desgaste físico.

O parto, conforme a narrativa, ocorreu por volta de 2h38. A partir do nascimento, o relato passa a focar no pós-parto imediato e em procedimentos realizados para controle de sangramento e retirada de placenta, etapa em que a acompanhante afirma ter presenciado condutas que considera desumanas e violentas. O Divinews preserva detalhes sensíveis e gráficos descritos na conversa, tanto por respeito à paciente quanto para não transformar dor em espetáculo, mas registra a essência do que foi relatado: dor intensa, insistência em manobras, sangramento importante e piora rápida do quadro clínico.

Segundo a denunciante, a paciente teria sido encaminhada ao bloco cirúrgico para curetagem por suspeita de restos placentários, retornando depois com instabilidade, o que teria levado a novas intervenções, uso de balão intrauterino, transfusão sanguínea, solicitação de CTI e, por fim, a decisão por histerectomia, descrita como medida final para conter hemorragia.

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A acompanhante também afirma ter obtido contato de testemunhas que estavam no quarto ao lado e ter registrado imagens do ambiente após o ocorrido. Ela pediu ao Divinews que não divulgue o nome da mãe nem do recém-nascido, e o portal atende ao pedido.

Contraditório do hospital

Procurado pelo Divinews, o Complexo de Saúde São João de Deus respondeu por meio de ‘Nota de Esclarecimento’ datada de 18 de março de 2026, endereçada ao jornalista Geraldo Passos. No documento, a instituição informa que o atendimento foi submetido a “rigorosa revisão técnica” da Diretoria Médica e afirma que, após análise do prontuário e dos processos assistenciais, as condutas adotadas foram “integralmente corretas”, com observância de protocolos. O texto também sustenta que não foi encontrada “qualquer evidência de imperícia, negligência ou imprudência” e reforça compromisso com ética, transparência e sigilo, citando LGPD e Código de Ética Médica.

Onde a apuração encosta

O que torna o caso explosivo não é apenas a gravidade clínica descrita, mas a divergência frontal entre as versões. De um lado, uma acompanhante com relato minuto a minuto, insistindo que houve excesso, negativa de alívio e conduta abusiva. Do outro, uma instituição que afirma ter revisado prontuário e concluído pela correção técnica.

É justamente nesse ponto que o debate sobre violência obstétrica costuma exigir mais do que opinião. Ele exige evidência documental, cronologia, registros de enfermagem, prescrições, justificativas clínicas, protocolos aplicados e, quando necessário, avaliação externa e independente. O Divinews seguirá buscando mais esclarecimentos, porque acusação grave sem apuração robusta vira ruído, e ruído não protege mulheres em condições de vulnerabilidade. Seguiremos dando voz às pessoas que não as têm.

O Divinews também reforça ainda que, o fato de um hospital negar falhas não encerra o debate. Assim como um relato forte de testemunha ocular não substitui prova técnica. Quando uma mulher termina um parto em CTI e em cirurgia de urgência, a sociedade precisa de respostas transparentes, com linguagem clara, sem qualquer possibilidade de interpretação de blindagem corporativa,  e tambem que, o acusador não promova linchamento digital sem provas técnicas.

Por fim, o Portal mantém espaço aberto para novos esclarecimentos do hospital, inclusive para detalhar, de forma institucional, quais protocolos foram aplicados, como se registrou a indicação ou negativa de analgesia, e quais medidas foram tomadas diante da hemorragia. Além de manter o canal aberto para que a denunciante apresente documentos, laudos e registros que sustentem a denúncia de forma objetiva.

Veja denúncia na íntegra

Paciente de 39 anos, gestante com acompanhamento de risco pela policlínica. Gestaçao bebe PIG ( pequeno para idade gestacional) paciente portadora de hipotireoidismo, e histórico de pre eclampsia na primeira gestação. Estava com 39 semanas de gestação e na segunda feira dia 16/03 foi a consulta na policlínica, onde a médica responsável pelo atendimento de risco, encaminhou ela para a maternidade do São João de Deus pois havia rompido a bolsa no domingo 15/03/2026 às 21h.

Chegando no hospital por volta das 11:20 do dia 16/03/26 e fomos recebidas pela triagem e ela passou pela avaliaçao do Dr Alexandre, que confirmou rompimento da bolsa, e dilatação de apenas 1cm. Prontamente solicitou a internação da paciente para inicialmente tentar a indução do parto normal. Estavamos lá embaixo aguardando liberação de leito, e quando já estávamos a 3 horas aguardando na recepção, pedi que colocassem ela numa maca pois as cadeiras estavam muito desconfortáveis e ela já estava inchando os pés e as mãos. Fomos direcionadas para sala de observação 5 e lá ficamos até aproximadamente às 18h quando então foi liberado o leito, depois de bastante reclamação.

Ao chegar no quarto por volta das 18h foi liberado alimentação para ela, mesmo já tendo mais de 12 horas do rompimento da bolsa, informaram que iriam fazer antibiótico por causa do tempo do rompimento, mas não fizeram. Fizeram o exame cardiotoco na barriga que mostrou estar tudo bem com a bebê o que nos deixou bastante aliviadas. Ela alimentou, e foi informado que a indução do parto iniciaria as 00h pois precisaria de monitoramento.

Durante esse tempo a paciente continuou sentindo dor de contrações e feito exame de toque confirmou que continuava com 1cm de dilatação. Então introduziram o primeiro comprimido as 00:02h de 17/03/26 pediram para ficar em repouso absoluto por 1 hora para que o comprimido não saísse. Nessas 1 horas as contrações foram aumentando e ficando mais ritimadas. Foi então que eu pedi a equipe de enfermagem para colocar ela na sala PPP para que eu pudesse ajudar ela a se movimentar melhor, porque no quarto que estávamos tinha um casal com um recém nascido. E ela não se sentia confortável em ficar exposta.

Como não havia mais nenhuma outra gestante em trabalho de parto foi autorizado a ida para a sala PPP4 para que ela ficasse mais a vontade. Chegamos lá ela foi pro chuveiro, nos deixaram sozinhas por um bom tempo, e só vieram quando eu gritei informando que a paciente já estava sem forças e pedi pela analgesia, que é DIREITO de toda gestante seja SuS ou particular/convênio, e nós foi negado! Alegando que atrasaria o trabalho de parto, que já passava de 24 horas de rompimento da bolsa. Isso já era 1:40h. Foi onde solicitei avaliação médica e uma residente (acredito eu) fez o toque e informou que já estava com 8 de dilatação.

Foi o que deu forças pra ela tentar mais um pouco, nesse momento uma enfermeira pediu pra ela deitar na cama e foi orientando a fazer força de acordo com as contrações. Até aí aceitável. Mas qdo realmente começou a fase expulsiva do nascimento chegaram inúmeras pessoas entrando no quarto, inclusive o médico que te falei, juntamente com uma residente da obstetrícia. As 2:38h a criança nasceu, e a paciente já contava com alívio imediato pois estava fraca, sem forças e exausta. Foi cortado o cordão umbilical e começaram a retirada da placenta. Enrolando o cordão numa pinça/tesoura e puxando e apertando a barriga da paciente que gritava de dor pedindo pra parar. Quando retirou a placenta não houve alívio da dor, foi onde eles conversavam entre si cogitando a a hipótese de haver ficado algum coágulo dentro dela. Fizeram a sutura da laceração que ocorreu na fase expulsiva. Porém após a sutura, as enfermeiras insistiam na massagem abdominal falando que era procedimento de rotina, a paciente gritava de dor implorando por ajuda, Nisso o referido médico calçou uma luva, não pediu nenhuma permissao e foi enfiando a mão dentro da paciente e apertando a barriga, nisso “jorrava” sangue, e a paciente desfalecendo já com as pupilas dilatadas, suando frio.

Enfiava a mão e tirava pedaços de sangue e resto de placenta, foi quando eu ouvi falando que tava sangrando muito, mas que ia manter ela lá nessa sala até ela conseguir tomar o banho. Saíram todos e me deixaram sozinha com a criança no colo e com a paciente toda ensanguentada na cama. Passou um tempo e ela continuava sentindo contrações e me falando que tava jorrando sangue. Foi qdo levantei o lençol e presenciei uma poça de sangue com coágulos. Coloquei a criança no berço dessa sala e fui ajudar a paciente a tentar ficar mais elevada, e cada movimento jorrava ainda mais sangue, e as dores já estavam fora de toda e qualquer normalidade para um pós parto normal.

Foi qdo gritei por ajuda e veio uma enfermeira que se assustou e saiu correndo chamando ajuda. Voltaram aquele monte de médicos/enfermeiros para o quarto e novamente fizeram o que eles chamavam de “procedimento necessário” para ajudar a paciente, porém presenciei imensa violência obstétrica, e erro médico/clínico que se confirmaria logo em seguida. Diante do desespero da paciente em pedir misericórdia para que eles tirassem as mãos de dentro dela, eu intervi, mesmo com a criança no colo e disse que aquilo era desumano e pedi que sedassem ela pois ela já não tava mais aguentando e a pressão dela estava subindo.
Simplesmente mandaram preparar o bloco cirurgico e saíram levando ela pra fazer uma curetagem pois havia ficado resto de placenta dentro dela. Levaram ela e o referido médico me mandou ir pro quarto com a criança que lá era lugar contaminado e poderia prejudicar a criança.

As 6 e pouco da manhã chegaram com ela no quarto, bem grogue, mas até então com um pouco de dor ainda. Foi qdo chegou o marido dela e demos um pão de queijo em pedaços bem pequenos e café pra ela alimentar pois estava fraca.

Eles estão tentando provar que não foi erro médico, mas aí diante do relato que foi exatamente o que aconteceu vc tira suas próprias conclusões e me fala se realmente não houve erro/negligência/violência obstétrica.

Essa foto se refere a como ficou a cama da sala PPP4 qdo eles colocaram ela na maca e levaram para o bloco cirurgico pela primeira vez. Já tinham limpado 3 vezes e por último ficou assim.

Vários colaboradores da equipe de enfermagem do setor TB ficaram horrorizadas, inclusive foram algumas das técnicas que me falaram que havia inúmeros processos contra ele. É um médico branco, de cabelos brancos e super grosso e arrogante.

As 7 e pouco a paciente me falou que estava ficando com a visão turva/esbranquiçada, foi onde eu aferi a pressão dela com meu aparelho digital que levei e a pressão estava 7/5 corri no posto de enfermagem e pedi para que fossem conferir a pressão pois ela estava passando muito mal com sensação de desmaio e pupilas novamente dilatadas. Chegando no quarto a técnica aferiu e confirmou que estava realmente baixa e chamou a equipe médica. Quando chegaram foram aferir os sinais vitais e a “enfermeira” falou pra residente (branca dos cabelos lisos e pretos) residente ficar calma e chamou ela pra fora da sala, foi quando eu ouvi dizendo que a paciente estava com taquicardia e pressão baixa.

Quando chegou mais outros médicos e enfermeiros e novamente começaram a “enfiar a mão dentro dela” e apertar a barriga dela, enquanto ela gritava pedindo misericórdia pra não fazerem mais aquilo porque ela não tava mais aguentando, eles ignoraram o pedido dela e continuaram o “procedimento” foi quando eu intervi e comecei a chorar implorando pra eles pararem de fazer aquela covardia e comecei a dar alarde porque aquilo era completamente desumano, diante disso me entregaram a criança e retiram um casal com a criança que estava no leito do lado, que presenciaram isso tudo pois foi feito dentro do quarto com a paciente aos berros pedindo pra pararem.

Peguei o contato desse casal, e eles disseram que estão a minha disposiçao pra relatar o que presenciaram. Me colocaram pra fora do quarto pois a paciente me pedia ajuda e pedia pra mandar eles pararem e eu comecei a questionar tudo que estava acontecendo desde a sala PPP4.

No corredor com a criança dava pra ouvir os gritos de pedido de socorro da paciente, o que nesse momento eu entrei em desespero e quando eles saíram com ela correndo novamente para o bloco cirurgico. Foi onde eu entrei no quarto e me deparei com seguinte imagem:

Ela é casada sim, mas como somos grandes amigas, me preparei para acompanhar ela nesse momento, inclusive fiz um curso de doula pra poder ajudar ela no parto. Sem nenhuma pretensão de jogar isso neles, mas só queria que eles soubessem que eu tinha me preparado e sabia exatamente o que estava e o que não estava dentro das normalidades para parto normal. Afinal tive duas gestações com 2 partos normais, e jamais nem no curso presenciei tamanha incoerência com a execução da medicina/obstétrica mesmo em intercorrências.

Sou bacharel em direito formada pelo Pitágoras turma de 2014/2018 e sou esteticista, tenho familiaridade na área da saúde.

Então levaram ela pro bloco cirurgico mais uma vez e me pediram pra assinar autorização para transfusão de sangue, me disseram que havia solicitado 2 bolsas de sangue e 2 de plasma por precaução.

Levaram pro bloco novamente e colocaram um balão no útero pra tentar estancar a hemorragia e pediram leito no CTI e já colocaram ela pra receber o sangue. Chegando no CTI foram ajeitar ela na cama e fazer os exames admissionais, aí eu e o marido dela entramos pra vê-la e ela mesmo disse que pra acabar com esse sofrimento poderia tirar o útero que era a causa da hemorragia.

Quando descemos logo após deixar ela aos cuidados do CTI, descendo para o berçario recebemos uma ligação informando que estavam descendo com ela mais uma vez pro bloco cirurgico. Dessa vez aí chegarmos na porta do bloco fomos informados que iriam realmente retirar o útero. Estranho porque não tinha nem 10 minutos que havíamos saído do CTI, e nós foi informado que tentariam estancar o sangramento com o balão que foi inserido no útero, e ao longo dos dias iriam desinflando ele pra ver se a hemorragia seria contida.

Por fim descemos ao berçario, o de foi solicitado que deixasse a criança sob os cuidados do berçario, questionei sobre o direito do RN a ter um acompanhante em caso de internação da mãe no CTI, e me foi ignorado informando que esse era o protocolo do hospital. Me acompanharam por todo hospital, sempre reafirmando que se tratava de uma intercorrência normal. Foi o de eu falei pra Deise que era a responsável pelo setor da maternidade, que eu havia presenciado tudo, que eu sabia do que estava falando, e que por ela e pra mais ninguém precisasse passar por isso eu iria até o final pra expor toda essa sujeira, porque eu estava lá pra tentar proteger minha amiga, mas e todas que estão sozinhas? Quem protege? Se o responsável pela saúde dela é o mesmo que não respeitou nem os direitos básico de “meu corpo, minhas regras” invadindo seu corpo de forma abrupta.

Peço que não exponha os nomes da bebê nem da mãe na reportagem, mas autorizo desde já a divulgaçao de meu nome como autora e testemunha desse crime.

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