Após a operação que investiga esquema milionário de corrupção na Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, A Prefeitura publicou a exoneração de Silas Rodrigues, da Coordenadoria de Fiscalização de Máquinas e Orçamento, em meio a um cenário de intensas apurações. Decreto diz que foi a pedido do próprio.
A Operação Ghost Machine, deflagrada em 12 de março de 2026 pelo GAECO Regional e forças integradas, revelou um esquema de corrupção envolvendo contratos milionários e propinas na SEMSUR. Em meio a buscas, prisões e apreensões, a Prefeitura de Divinópolis publicou decreto exonerando Silas Rodrigues do cargo de Coordenador de Fiscalização de Máquinas e Orçamento, com a observação de que foi a pedido do próprio, feito ontem, segunda-feira (16), com sua saida a partir desta terça-feira (17). Embora não tenha sido mensionado o motivo, fonte do Divinews afirma que existe relação com a operação do Gaeco. E ainda que, Silas está no cargo comissionado desde o inicio do governo de Gleidson Azevedo.
Operação Ghost Machine: investigação e impacto inicial
Na manhã de 12 de março, Divinópolis foi palco de uma grande operação policial que cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e quatorze mandados de busca e apreensão em residências de envolvidos. Coordenada pelo GAECO Regional em conjunto com a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Penal, a ação mirou suspeitas de fraudes em contratos de locação de máquinas com operador na SEMSUR, apontando direcionamento de licitações e medições fraudulentas de serviços.
O promotor Leandro Willis, um dos responsáveis pela investigação, classificou o momento como a deflagração de “indícios muito fortes”, ressaltando que o volume de aparelhos e documentos apreendidos ainda está sendo analisado, com expectativa de conclusão da apuração em cerca de 60 dias, quando o sigilo poderá ser levantado para detalhamento dos fatos.
Origens da investigação e perfil dos envolvidos
A investigação teve início em março de 2025, a partir de uma representação encaminhada pelo próprio prefeito Gleidson Gontijo ao Ministério Público, que já havia promovido mudanças no comando da SEMSUR. Durante o processo, foram adotadas medidas rigorosas, como afastamento de sigilo bancário e telemático, que levaram às prisões e buscas recentes.
Oficialmente, quatro pessoas foram presas: dois servidores públicos da SEMSUR, um em atividade e outro licenciado, além de dois empresários. Embora os nomes não tenham sido confirmados, informações extraoficiais indicam que entre os presos podem estar o ex-secretário municipal de Operações e Serviços Urbanos, Gustavo Mendes, e o coordenador de transporte Thiago Henrique, além de empresários ligados a empresas investigadas.
Exoneração de Silas Rodrigues e outras medidas administrativas
Na sequência dos desdobramentos da operação, a Prefeitura de Divinópolis publicou o Decreto nº 17.233/26, exonerando Silas Rodrigues do cargo de Coordenador de Fiscalização de Máquinas e Orçamento, cargo de provimento em comissão na SEMSUR. A exoneração, com efeitos a partir de 17 de março de 2026, foi formalizada a pedido do servidor, conforme processo administrativo interno.
Além de Silas, outra servidora, Alessandra Cristina Fernandes, gerente administrativa da SEMSUR, também teve exoneração confirmada, enquanto uma servidora efetiva segue sob Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Essas medidas buscam garantir uma resposta rápida da administração diante das suspeitas e promover uma reorganização na pasta.
O esquema investigado: contratos milionários e propina estimada em R$ 2 milhões
A Operação Ghost Machine concentra suas investigações em contratos de locação de máquinas com operador, modalidade que exige fiscalização rigorosa e que, segundo o Ministério Público, foi alvo de fraudes para favorecer fornecedores específicos. A suspeita é que medições fraudulentas tenham provocado pagamentos superiores aos serviços prestados, com retorno financeiro a agentes públicos por meio de propinas.
Os contratos investigados somam cerca de R$ 37 milhões, e a propina estimada preliminarmente ultrapassa R$ 2 milhões. O Ministério Público não descarta a possibilidade de ampliação do escopo, com novos contratos e agentes públicos podendo entrar na apuração conforme análise do material apreendido.
Provas apreendidas e próximos passos da investigação
Entre os itens recolhidos estão dinheiro em espécie sem origem comprovada — em um dos endereços, R$ 185 mil foram encontrados escondidos em caixas de sapato —, celulares, dispositivos eletrônicos e até uma arma calibre 12 com munições. Importante ressaltar que as diligências ocorreram exclusivamente em residências, sem mandados cumpridos em repartições públicas.
A fase atual da apuração é delicada, com análise minuciosa de documentos e depoimentos para separar o que foi efetivamente executado do que foi fraudado, além de mapear o fluxo financeiro e identificar todos os envolvidos. Promotores já recomendam auditoria especial e monitoramento rigoroso dos contratos suspeitos na SEMSUR.
Considerações finais
A exoneração de Silas Rodrigues simboliza uma reação administrativa imediata diante do cenário grave revelado pela Operação Ghost Machine, a maior investigação anticorrupção recente em Divinópolis. O caso ganhou ainda maior relevância pelo fato de a investigação ter sido iniciada a partir de uma representação do próprio Executivo, reforçando o compromisso institucional com a transparência e o combate à corrupção.
Enquanto o Ministério Público segue com o trabalho sob sigilo, a expectativa é que, em cerca de dois meses, os detalhes completos sejam divulgados, podendo impactar profundamente a gestão pública local e a confiança da população. Até lá, a Prefeitura e as autoridades prometem continuar o trabalho conjunto para sanar irregularidades e garantir a lisura na administração dos recursos públicos.







