MP pede que ex‑piloto Pedro Turra seja enviado ao Tribunal do Júri por homicídio qualificado

Caso envolve morte de adolescente de 16 anos após agressão em briga que começou por causa de chiclete

Publicado por: Cassia Misael

A promotoria do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) solicitou à Justiça que o ex‑piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso seja encaminhado ao Tribunal do Júri sob acusação de homicídio qualificado pelo envolvimento na morte do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos.

O pedido do MPDFT decorre da avaliação de que pode ter havido dolo eventual por parte de Turra, ou seja, que ele teria assumido o risco de causar a morte do jovem ao praticar a agressão que resultou no traumatismo craniano fatal da vítima.

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Agressão que iniciou briga teria surgido de provocação trivial

De acordo com as investigações e relatos divulgados pela mídia, a confusão que culminou na agressão começou na noite de 22 de janeiro de 2026, no bairro de Vicente Pires, em Brasília. Segundo testemunhas e imagens registradas por celulares, Turra teria jogado um chiclete mascado em um amigo da vítima, o que provocou uma discussão física entre ele e o adolescente.

Vídeos obtidos por veículos de comunicação mostram o momento em que Turra desfere um soco que faz Rodrigo bater violentamente a cabeça contra um veículo estacionado, o que levou ao traumatismo craniano grave que desencadeou sua hospitalização.

Vítima ficou internada por mais de duas semanas e evoluiu a morte encefálica

Rodrigo foi socorrido em estado crítico e internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília Águas Claras a partir de 22 de janeiro, após sofrer traumatismo craniano. Apesar dos esforços da equipe médica, ele teve o diagnóstico de morte encefálica confirmado na manhã de sábado, dia 07 de fevereiro, e acabou vindo a falecer, conforme comunicado oficial do hospital.

O corpo do adolescente foi posteriormente enterrado em cerimônia que reuniu amigos, familiares e apoiadores, gerando comoção nas redes sociais e na comunidade local.

Prisões e movimentações judiciais desde o início

Após a agressão, a Polícia Civil do Distrito Federal prendeu Turra em flagrante no dia 30 de janeiro de 2026, em Brasília, sob a responsabilidade da 38ª Delegacia. Na ocasião, ele foi acusado de lesão corporal gravíssima depois de ser flagrado agredindo o jovem, e a Justiça decretou sua prisão preventiva.

Turra já havia sido detido um dia após o episódio e liberado depois de pagar fiança de R$ 24 mil, mas posteriormente teve o benefício revogado em função da gravidade da lesão causada à vítima e do agravamento do quadro clínico de Rodrigo, que acabou evoluindo para morte.

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Além da agressão que resultou na hospitalização e morte do adolescente, Turra também foi associado a outras ocorrências de violência em Águas Claras, incluindo denúncias de agressão contra uma adolescente de 17 anos, aplicando‑lhe coação com uma arma de choque, e outras agressões a um homem na mesma região, o que tem sido considerado pela Polícia Civil como parte das investigações mais amplas sobre seu comportamento.

MPDFT quer júri e próximos passos

Com o pedido do MPDFT para que Turra seja julgado pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado, o caso deixa de ser apenas uma ação de lesão corporal seguida de morte para se tornar um processo penal em que será decidido por jurados populares, o que indica um reconhecimento de que a conduta do acusado pode ter sido assumida com o conhecimento do risco de produzir o resultado morte.

Caso a Justiça acate o pedido da promotoria, Turra será formalmente denunciado por homicídio qualificado, e a causa passará a tramitar no Tribunal do Júri, composto por um juiz presidente e por jurados sorteados que decidirão sobre a responsabilidade criminal e existência de qualificadoras no crime.

Até o momento, a motivação precisa do ataque  se premeditado ou não  ainda não foi confirmada, e a investigação segue para esclarecer completamente as circunstâncias da briga que resultou na morte de Rodrigo, com depoimentos e diligências adicionais sendo colhidos pelos órgãos responsáveis.

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