Justiça expõe esquema de manipulação em licitação e concurso em Leandro Ferreira-MG, sob a gestão do prefeito Nivaldo Rodrigues

Sentença detalha esquema de manipulação organizado para beneficiar aliados políticos

Publicado por: Geraldo Passos

A Justiça da Comarca de Pitangui publicou uma das decisões mais robustas dos últimos anos envolvendo casos de improbidade administrativa. O processo tratou de uma fraude estruturada em concurso público e em licitação no Município de Leandro Ferreira. A sentença, assinada pela juíza Rachel Cristina Silva Viégas, analisou dezenas de documentos e depoimentos e concluiu que o esquema ocorreu de forma articulada entre agentes políticos e empresas contratadas pelo município. A decisão está registrada no documento oficial consultado pelo Divinews.

O caso começou ainda em 2007, quando o Ministério Público instaurou investigação para apurar contratações ilegais. O então prefeito assumiu compromisso de realizar concurso para regularizar o quadro, mas, conforme demonstrou o processo, transformou o certame em instrumento de favorecimento pessoal e político. Diversas pessoas próximas à administração apareceram classificadas nas primeiras posições, mesmo com relatos de acesso privilegiado às provas e evidências de manipulação de notas.

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A situação evoluiu para algo ainda mais grave. Três empresas convidadas para disputar a licitação do concurso apresentaram documentos com horários sequenciais, o que sugeriu ausência de concorrência real. A COMAJ e a AMN, segundo a sentença, funcionavam de forma praticamente integrada, com funcionários compartilhados e montagem de empresas apenas para simular competitividade. A Justiça também destacou que a Seletiva Pública apareceu vinculada a documentos encontrados em computadores da COMAJ, o que reforçou o conluio.

A decisão detalhou a ligação direta entre sócios, administradores e agentes públicos, que agiram para direcionar resultados, manipular classificações e criar um ambiente de aparente legalidade. A juíza explicou que o concurso serviu como instrumento político. Assim, ela apontou violação dos princípios da moralidade, impessoalidade e legalidade.

Em outro ponto da sentença, a Justiça descreveu que os réus atuaram com dolo, construindo um esquema planejado e sofisticado para manipular etapas do processo seletivo. A juíza frisou que a manipulação afetou não apenas a lisura administrativa, mas também o patrimônio público, já que o município pagou R$ 15 mil por um serviço fraudado.

Ao avaliar a dimensão do dano, o Judiciário aplicou sanções severas. Os condenados terão de ressarcir o valor integral ao município. Além disso, receberam multas proporcionais ao período e à função exercida. Os agentes públicos perderão eventual função e terão direitos políticos suspensos por até cinco anos, conforme o caso.

As empresas envolvidas estão proibidas de contratar com o poder público por três anos. A sentença ressaltou que essa medida se mostra necessária para evitar novas fraudes e proteger a administração de práticas que violam a confiança pública.

O processo julgou o conjunto dos atos como parte de um plano estruturado e, por isso, determinou responsabilidade solidária no ressarcimento. O Ministério Público sustentou que o concurso foi convertido em um “circo armado”. A sentença concordou com a afirmação ao comprovar a fraude em praticamente todas as fases do certame.

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A análise técnica da juíza Rachel Viégas fundamentou a determinação de que o caso afrontou diretamente o ordenamento jurídico. Ela registrou que a improbidade administrativa se manifesta quando a conduta viola princípios e demonstra intenção clara de burlar a administração. Assim, concluiu que os réus agiram com plena ciência do que realizavam.

Com isso, a decisão representou um marco para o município, que agora poderá iniciar a reconstrução da confiança institucional e dar prosseguimento a novos modelos de seleção, com critérios corretos e transparência. O julgamento também serviu como alerta para administrações que tentam transformar concursos em ferramentas de favorecimento político.

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