A sessão da Tribuna Livre na Câmara de Divinópolis desta última terça-feira(25), foi palco de mobilização estudantil. O ‘Comitê de Luta pelo Passe Livre Estudantil’ levou ao plenário uma denúncia pertinente: enquanto os estudantes enfrentam dificuldades para pagar a passagem e acessar a educação, a Prefeitura transfere milhões para a TransOeste, mesmo com veículos sucateados, e o pior, se recusa a conceder o passe livre.
O representante da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) e do movimento secundarista Rebelese, Fernando, conduziu uma fala firme e direcionada aos vereadores. Ele destacou que o Passe Livre não depende de estudos técnicos nem de entraves burocráticos depende de vontade política.
“É uma decisão política, não administrativa”
Fernando, em entrevista ao Divinews, explicou que a pauta do Passe Livre já é realidade em mais de 100 cidades brasileiras, e que Divinópolis permanece atrasada porque falta prioridade do Poder Público Municipal.
“Essa é uma política que é uma decisão política. Não é questão administrativa. A Prefeitura já subsidia a TransOeste. Só este ano, em 2025, foram quase R$ 11,5 milhões. Esse dinheiro é nosso. Ele já sai dos cofres públicos para a empresa, mas os estudantes continuam pagando passagens”, denunciou.
A frase marcou o tom da entrevista: enquanto o município injeta recursos na concessionária, os estudantes arcam com custos que, segundo o Comitê, impossibilitam o exercício pleno do direito à educação.
Estudantes gastam até R$ 300 por mês para frequentar a escola
Durante a fala, Fernando enfatizou o impacto direto do alto custo do transporte na vida dos jovens. Há estudantes que gastam mais de R$ 300 mensais apenas com passagens, valor que compromete o orçamento familiar e leva muitos a faltarem aulas ou reduzirem atividades em que participam.
“O jovem não depende do ônibus só para ir à escola. Ele precisa do transporte para acessar cultura, lazer, esporte. Mas hoje a cidade coloca o lucro da empresa acima da vida dos estudantes”, afirmou.
A denúncia expôs a contradição: apesar do subsídio milionário, o serviço não apresenta a qualidade esperada.
Ônibus quebrados, linhas insuficientes e usuários desamparados
A fala também trouxe críticas diretas ao estado dos veículos e à estrutura oferecida pela TransOeste. Fernando mencionou casos de ônibus que quebram continuamente, linhas reduzidas, longos tempos de espera e veículos que chegam a molhar passageiros em dias de chuva.
“A Prefeitura coloca dinheiro na empresa, mas o estudante recebe um ônibus que molha mais dentro do que fora. As linhas são poucas, os horários não atendem a cidade. Como justificar esse repasse milionário?”, questionou.
O problema, segundo o movimento, não se resume ao custo, mas à falta de retorno social proporcional ao volume de recursos públicos investidos.
Tarifa Zero, municipalização e o modelo que Divinópolis evita discutir
Fernando destacou ainda que o Passe Livre representa apenas o primeiro passo. Ele defendeu que a cidade avance para políticas de ‘Tarifa Zero’ e avalie a municipalização do transporte, como já ocorre em dezenas de municípios.
Para o Comitê, a alternativa pública reduziria custos, enfrentaria a precarização do serviço e retiraria o transporte da lógica empresarial que privilegia lucro em vez de direito coletivo.
Pressão aumenta sobre vereadores e Prefeitura
A entrevista ao Divinews terminou com um apelo direto aos vereadores e ao Executivo. “O movimento exige que ambos apresentem, à população, explicações sobre o repasse de R$ 11,5 milhões à TransOeste sem contrapartida clara para os usuários especialmente os estudantes”.
A expectativa agora é de novas ações, audiências e mobilizações. O Comitê afirma que continuará ocupando espaços públicos enquanto a Prefeitura tratar o transporte como um negócio e não como políticas sociais.






