O vereador Matheus Dias detalhou ao Divinews o passo a passo que levou ao desmantelamento de duas clínicas clandestinas localizadas no bairro Ermida, em Divinópolis, onde idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade eram mantidos sem documentos, sob sedação e em condições degradante.
Segundo o parlamentar, tudo começou após denúncias anônimas enviadas às redes sociais do gabinete, relatando casos de maus-tratos, fugas e negligência médica.
“Recebemos denúncias de maus-tratos, condições inadequadas e até de uma acolhida que fugiu dopada e buscou ajuda em comércios da região. Juntamos as informações e acionamos a Vigilância Sanitária para verificar os locais”, contou o vereador.
Após as primeiras apurações, a equipe constatou que as duas clínicas já estavam interditadas, uma desde 2023 e a outra em junho de 2025, mas seguiam funcionando irregularmente, abrigando dezenas de idosos em violação à interdição.
A operação começou ao amanhecer
Matheus explicou que organizou uma reunião emergencial em seu gabinete, com a presença do vereador Valmir Ribeiro, que representa a região de Ermida, além de integrantes da Vigilância Sanitária, Saúde Mental, Secretaria de Desenvolvimento Social e Polícia Militar.
“Na quarta-feira, às 7 horas da manhã, nos encontramos na matriz de Ermida e saímos em direção às clínicas. O que vimos foi revoltante”, relatou o vereador.
No primeiro local, as autoridades encontraram 20 acolhidas, muitas com mais de dois anos de permanência, sem acesso a seus documentos e com os cartões de crédito sob posse da coordenação.
“Uma delas havia tentado fugir dias antes, machucou o pé e ficou sem socorro. Disseram para ela: ‘bem feito, não vamos te levar ao médico’. Ela engatinhava de tanta dor”, relatou Matheus, visivelmente abalado.
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As equipes também encontraram fossa vazando, falta de água potável da Copasa, medicamentos sem prescrição médica e falta total de higiene.
“Era uma cena de completo abandono, uma mistura de negligência, crueldade e desprezo pela vida humana”, disse.
Segunda clínica: mais de 30 idosos e casos de abandono
Na segunda instituição, o cenário era ainda mais grave. Cerca de 30 acolhidos, a maioria idosos, estavam sob a responsabilidade de pessoas sem qualificação profissional. Nenhum dos residentes era de Divinópolis, com registros de moradores vindos de outros municípios de Minas Gerais, São Paulo e até de outros estados.
“Muitos foram trazidos por decisão judicial e estavam há meses sem contato com as famílias. Estamos trabalhando para localizá-las e garantir que voltem para casa com dignidade”, afirmou.
Violações de direitos humanos e consequências legais
O vereador classificou os episódios como graves violações dos direitos humanos, ressaltando que ambas as instituições serão alvo de investigações e processos criminais.
“Aqui em Divinópolis não vamos aceitar instituições irregulares que violam os direitos humanos. Defendemos as comunidades terapêuticas sérias, que acolhem com amor, equipe técnica e responsabilidade”, destacou.
Matheus Dias reforçou que as ações foram feitas com respaldo legal, e que novas fiscalizações serão intensificadas nos próximos dias.
“Quem pensa em abrir um lugar irregular desses, não venha para Divinópolis. Agora temos vereadores e autoridades comprometidos com o acolhimento digno”, afirmou em tom firme.
Alerta à sociedade e às autoridades
A descoberta das duas clínicas no mesmo bairro expõe um problema estrutural que vai além de Divinópolis: a falta de fiscalização contínua e a carência de locais legalizados para acolhimento terapêutico.
Matheus Dias defendeu que o caso sirva de exemplo e alerta. “Essas pessoas vulneráveis precisam de tratamento, não de cárcere. É urgente que o Estado atue com mais rigor e que a população denuncie qualquer suspeita”, concluiu.






