O Divinews acompanhou, com exclusividade, três sessões consecutivas da Câmara Municipal de Carmo do Cajuru, realizadas sempre às terças-feiras, as 18 horas, e o que se viu nas três sessões, foi um retrato preocupante da apatia política dos vereadores. O ápice foi na reunião desta última terça-feira (07), que durou apenas 15 minutos, sem sequer um único pronunciamento dos parlamentares para dar satisfação dos seus trabalhos em prol da população, que os elegeu. Ressalte-se que durante todo ano de 2025, eles apresentaram apenas seis projetos; três vereadores, nenhum.
As reuniões, que deveriam ser o principal espaço de debate e deliberação dos representantes do povo, se transformaram em encontros protocolares, curtos e silenciosos. E o mais surreal é que, na reunião desta última terça-feira (07), além da apatia latente entre os membros daquele Poder, que atuaram protocolarmente foi a negativa da presidente em conceder entrevista, com o sentido claro de se eximir de qualquer tipo de fala que pudesse ser polêmica. Ela queria saber primeiro o assunto, e ao saber dizia: “mas isso está no site da Câmara, não preciso falar”.
Durante as três sessões observadas pela reportagem, nenhum projeto de lei foi apresentado, nenhuma moção de qualquer coisa foi debatida e nenhum vereador fez uso da tribuna. O silêncio dominou o plenário. Em vez de discussões, ideias ou cobranças, o que prevaleceu foi o esvaziamento político. Na primeira reunião, quando a reportagem chegou ao local, um pouco atrasada, é verdade, a reunião já tinha acabado; na segunda vez, também, o plenário estava sendo utilizado por um curso, já que não havia projeto, e na terceira vez, onte, a reunião durou 15 minutos.
Falta de protagonismo político
A função do vereador vai muito além de apenas comparecer às reuniões. É papel do legislador apresentar projetos, fiscalizar o Executivo e dar voz à população. No entanto, em Carmo do Cajuru, essa função parece ter sido esquecida.
Nos registros oficiais da Câmara, até outubro de 2025, foram aportados 66 projetos de lei. Desse total, apenas seis são de autoria do Poder legislativo e dois foram apresentados pela Mesa Diretora.
O restante, embora exista, não reflete a iniciativa individual dos parlamentares, que, em muitos casos, simplesmente não apresentaram nada de próprio durante todo o ano.
Vereadores sem projetos
O levantamento feito pelo Divinews mostrou um dado alarmante: três vereadores não apresentaram nenhum projeto de lei em 2025. São eles Geraldo Luiz, Marcelo Leonardo e Marcelo Roberto.
Esses parlamentares, que deveriam representar a voz ativa de seus eleitores, têm se mantido em completo silêncio legislativo. A ausência de proposições mostra não apenas desinteresse, mas também falta de engajamento com as necessidades do município.
Em outras cidades da região, vereadores propõem semanalmente melhorias simples, como denominações de ruas, requerimentos de manutenção urbana e moções de reconhecimento. Em Carmo do Cajuru, nem mesmo essas ações básicas estão sendo praticadas.
Sessões que terminam antes de começar
As sessões observadas pela equipe do Divinews apresentaram um padrão incomum. A presidente da Câmara abriu os trabalhos rezando o Pai Nosso, fez a chamada dos presentes nominalmente, ao estilo “Escolinha do Professor Raimundo”, já que não existe painel; a seguiro secretário realizou a leitura de ata, e os projetos aportado na Casa Legislativa, todos de autoria do Executivo; chegou a franquear a palavra aos vereadores, contudo, ninguém quis se pronunciar. E encerrou a reunião totalizando 15 minutos. Não houve debates, discursos ou uso do espaço da Tribuna Livre, que serve justamente para manifestações dos parlamentares e da sociedade civil.
A falta de diálogo dentro do plenário demonstra o distanciamento entre os vereadores e a população. As sessões, que deveriam ser um reflexo da democracia participativa, se transformaram em encontros meramente formais, sem conteúdo, sem debate e sem prestação de contas, do que eles fizeram no período de 7 dias, anterior à reunião. Não relataram, definitivamente nada que tivessem feito em prol da população que os elegeu.
A importância ignorada da tribuna livre
A tribuna livre é um dos instrumentos mais importantes para a aproximação entre a Câmara e a comunidade. Nela, cidadãos podem apresentar demandas, expor reivindicações e propor ideias. Mas, em Carmo do Cajuru, esse espaço tem sido ignorado. Nenhum morador utilizou a tribuna nas últimas sessões, e o mais preocupante: nenhum vereador a utilizou, mesmo a reunião sendo transmitida ao vivo por redes sociais.
Essa ausência de diálogo cria um vácuo na política local, onde a população deixa de se sentir representada e perde o interesse pelos rumos da cidade. Parece que só o Executivo trabalha. Pois dos 66 projetos de 2025, 60 é de autoria dele.
Falta de transparência e produtividade
Ao analisar o portal da transparência da Câmara, o Divinews constatou uma baixa produção legislativa ao longo de 2025. A quantidade de projetos é mínima, e as iniciativas, quando existem, tratam de questões pontuais e de pouco impacto para a população.
A situação reforça a percepção de que o Legislativo cajuruense vive um período de estagnação política. Não há movimentação visível em torno de propostas que tratem de saúde, educação, infraestrutura ou geração de emprego temas que afetam diretamente o cotidiano dos moradores.
O dever ignorado de representar o povo
O papel do vereador é claro: representar a população, fiscalizar o Executivo e legislar em benefício coletivo. Quando esses três pilares são negligenciados, a Câmara perde sua função essencial.
Em Carmo do Cajuru, o que se vê é uma instituição que funciona administrativamente, mas que não atua politicamente. As sessões curtas e sem conteúdo, aliadas à falta de projetos e de fala dos vereadores, evidenciam um distanciamento preocupante entre os eleitos e a sociedade.
A ausência de ideias novas, debates e iniciativas reforça a percepção de que a Câmara perdeu o protagonismo que deveria exercer como casa do povo. O plenário se tornou um espaço silencioso, e o microfone da tribuna, que deveria ecoar as demandas da cidade, permanece desligado.
O reflexo do desinteresse
A apatia do Legislativo cajuruense reflete diretamente na população. Sem projetos, debates e transparência, cresce o sentimento de descrédito político. O cidadão, ao perceber que seus representantes não apresentam resultados, se distancia do processo democrático.
Enquanto isso, problemas cotidianos se acumulam. Ruas precisam de melhorias, escolas enfrentam desafios, e o sistema de saúde carece de atenção. Mas, dentro do plenário, o silêncio prevalece.
Instações físicas
O Divinews apurou que o imóvel em que funciona a Câmara, apresenta riscos estruturais, não podendo sequer que os gabinetes dos vereadores sejam utilizados. Enquanto isso, existe um terreno que foi doado pela Prefeitura, todavia, mesmo com projeto arquitetonico desenvolvido, a Mesa Diretora segue inerte não dando andamento ao inicio das obras. Ainda de acordo com a apuração do Divinews, existe a cogitação de que o atual imóvel, mesmo em situação precária, sofra uma reforma. E que, na opinião de alguns ficará mais caro do que construir uma nova Câmara.
Vereadores
Pela população e eleitoras da cidade, que são aproximadamente 24 mil habitantes, são 11 vereadores, sendo eles: Bruno Alves de Oliveira; Débora Nogueira da Fonseca Almeira; Geraldo Luiz Barbosa; João Cláudio Madureira Lacerda; Marcelo Leonardo Caetano; Marcelo Roberto da Silva; Otacílio Magno Ferreira; Rafael Moreira Angelo; Rafael Nunes de Oliveira; Sergio Alves Quirino; Tainara Andrade Quadros. Lembrando ainda que, Debóra é a presidente da Casa, o vice-presidente, é Bruno Alves; primeiro secretário, é Sergio Quirino; e o segundo secretário é o Otácilio Magno.
Jornalismo opinativo
O Divinews continuará acompanhando de perto as próximas sessões da Câmara de Carmo do Cajuru. O objetivo é cobrir jornalisticamente as reuniões para que a população cajuruense tenha conhecimento, de como os vereadores que eles elegeram estão trabalhando.
Fato é que, a democracia depende de participação, diálogo e compromisso público. Quando esses valores se perdem, os Poderes deixam de cumprir sua missão.
Com: FABRICIO SALVINO




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