A deputada estadual Lohanna França (PV-MG) subiu o tom contra o projeto de lei apresentado pelo PL que prevê anistia ampla a investigados e condenados por crimes políticos. Para a parlamentar, a proposta é um atentado direto ao Estado Democrático de Direito e representa uma tentativa de legalizar a impunidade de bolsonaristas envolvidos em ataques às instituições.
“Manifesto de organização criminosa”
Segundo Lohanna, o texto apresentado na Câmara concede perdão para condutas gravíssimas, como ataques às instituições, organização de milícias privadas, ofensas ao processo eleitoral e danos ao patrimônio da União. Em sua fala, ela classificou a proposta como absurda: “Isso aqui não é projeto de lei, isso é manifesto de organização criminosa”, disse.
Contradição do PL exposta
A deputada mineira também apontou a incoerência do partido que, segundo ela, sempre defendeu bandeiras de segurança pública, mas agora tenta blindar seus próprios aliados. “O partido que diz que bandido bom é bandido morto, quando os bandidos são os deles, apresentam um projeto para anistiar tudo. É carta branca à delinquência em pleno Congresso Nacional”, criticou.
Ameaça ao Judiciário
Outro ponto abordado por Lohanna foi a tentativa de limitar a atuação do Poder Judiciário. Ela lembrou que o PL da Anistia tramita junto a outro projeto que prevê submeter buscas e julgamentos de deputados federais à autorização do Congresso. “O que esse povo quer é subordinar a investigação ao poder político, desmontando a independência das instituições e decretando o fim da democracia”, alertou.
Chamado à sociedade
Lohanna concluiu sua fala pedindo reação popular: “Se você, assim como eu, está do lado do Estado Democrático de Direito e quer que quem cometeu crime seja punido, mande mensagem ao seu deputado, deputada e senador. Não podemos aceitar essa baderna surrealista que querem enfiar goela abaixo da população”, afirmou.
Democracia em risco
Para a deputada, a aprovação desse projeto significaria um retrocesso sem precedentes. Ela lembrou que pesquisas recentes mostram que a maioria dos brasileiros rejeita a anistia. “A verdadeira pacificação não é anistia, é responsabilização. É assim que se constrói um Brasil democrático e justo”, concluiu.
Veja análise do surreal projeto de anistia
O que diz o projeto completo de anistia (trechos da minuta)
Segundo a íntegra vazada, o texto prevê anistia geral para todos os que, entre 14 de março de 2019 e a data de sanção da lei, tenham sido — ou possam vir a ser — investigados, processados ou condenados por diversos tipos de condutas, incluindo:
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Ofensas ou ataques a instituições públicas ou seus integrantes
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Descrédito ao processo eleitoral ou aos Poderes da República
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Polarização política e geração de animosidade na sociedade
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Atos classificados no Código Penal (Decreto-Lei nº 2.868/40)
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Apoio logístico, financeiro ou administrativo a manifestações, incluindo atos de depredação, organização criminosa e constituição de milícia privada
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Propagação de desinformação e fake news vinculadas a partidos, eleições ou agentes políticos.
A minuta ainda ordena o arquivamento imediato de inquéritos, processos em andamento, além de extinção de multas, indenizações e demais penalidades civis ou administrativas — incluindo restrições de direitos e inelegibilidades já impostas. A proposta tem potencial de restaurar a elegibilidade de pessoas como o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Há outras versões em debate, incluindo propostas mais brandas focadas apenas em atos ligados ao 8 de janeiro de 2023, que manteriam a responsabilização civil pelos danos causados — uma tentativa de ajuste diante das críticas.
Impacto e polêmica
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O projeto atual é visto por críticos como uma ameaça direta ao Estado Democrático de Direito e à separação dos poderes.
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Já circula um manifesto com mais de 150 mil assinaturas pelo arquivamento imediato da proposta. Argumenta-se que a verdadeira pacificação se dá com responsabilização, e não com impunidade.
Resumo do conteúdo principal
| Elemento | Detalhes |
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| Abrangência da anistia | Atos desde 14/03/2019 até a efetiva sanção, cobrindo crimes políticos e conexos. |
| Benefícios incluídos | Arquivamento de processos, extinção de penas, multas, restrições e inelegibilidades. |
| Alvos potenciais | Participantes de 8 de janeiro e ex-presidente Bolsonaro. |
| Críticas centrais | Ameaça à democracia, favorecimento político, impunidade institucional. |
Com auxílio da IA para levantamento de dados







E quem está preocupado com a opinião dessa lulista?