O que começou como uma simples recusa de entrega acabou em tragédia: um entregador se negou a subir até o apartamento de um cliente e foi baleado no pé por ele. O proprio entregador filmou toda situação, e em estado de choque, pediu socorro a um conhecido chamado Tião: “Me ajuda… ele me deu um tiro”, relatou, em um pedido angustiante.
Na noite desta sexta-feira (29) na Rua Carlos Palut, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, um entregador recebeu um pedido, mas se negou a subir ao apartamento do agente penitenciário. “Você não vai subir! Tá ok…”, disse pelo interfone, o homem que fez o pedido, encerrando a discussão. Em seguida, o cliente desceu e, após confronto verbal, sacou um revólver e atirou no pé do trabalhador.
O vídeo que esta circulando em rede social mostra a tensão crescente:
– “Caralho! Eu moro aqui, cara… sou morador!”
– “Tião, me ajuda! Ele me deu um tiro!”
Desesperado, implorava por atendimento imediato: “Chega aí, Tião! Rápido!”
Contexto de violência recorrente
Casos semelhantes são frequentes. No Rio de Janeiro, um entregador chamado Nilton foi baleado na perna menstrual após também recusar subir até o apartamento de um PM, desencadeando uma grande mobilização por parte das plataformas e da sociedade.
A repercussão do episódio volta a chamar atenção para a insegurança entre entregadores. No caso de Rio, a plataforma se posicionou firmemente, banindo o cliente. Não há informações se no caso atual a plataforma agiu mas o vídeo é a evidência mais contundente do absurdo.
O caso foi registrado na 32ª DP (Taquara). Segundo a Polícia Civil, a vítima foi encaminhada para exame de corpo de delito e testemunhas são ouvidas. A arma do agente foi recolhida e será periciada.
Outras diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.
Procurada, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) disse que José Rodrigo da Silva Ferrarini é policial penal e está na ativa. “Ressalta, ainda, que a conduta atribuída ao servidor ocorreu fora do exercício de suas funções. A Corregedoria da Seap estará acompanhando o caso junto à delegacia de polícia”, afirma o posicionamento.
O que diz o Ifood
A empresa reforçou que os entregadores não são obrigados a levar até a porta dos apartamentos e disse que não tolera nenhum tipo de violência contra os entregadores parceiros. Veja a nota na íntegra:
“O iFood não tolera qualquer tipo de violência contra entregadores parceiros e lamenta muito o acontecido com o entregador Valério de Souza Junior. A empresa conta com uma Política de Combate à Discriminação e à Violência para oferecer a todos um ambiente ético, seguro e livre de qualquer forma de violação de direitos. Quando as regras são descumpridas, são aplicadas sanções que podem ir desde advertências até o banimento da plataforma.
O iFood vai disponibilizar ao entregador Valério os serviços da Central de Apoio Jurídico e Psicológico, oferecido em parceria com a organização de advogadas negras Black Sisters in Law, garantindo acesso à justiça e assistência emocional ao parceiro. A empresa está à disposição das autoridades para colaborar no que for necessário.
Esperamos que o caso não fique impune e que Valério Junior se recupere rapidamente.”






