Agosto Lilás: Blitz educativa alerta sobre casos em Divinópolis

Publicado por: Redação

A manhã de quinta-feira (07), marcou um importante momento de conscientização em Divinópolis. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), por meio da Delegacia Regional da cidade, promoveu uma intensa blitz educativa como parte da campanha Agosto Lilás – Quebre o ciclo da violência.

Com início às 9h, a mobilização buscou conscientizar a sociedade local sobre a importância de combater a violência doméstica e familiar contra a mulher, uma realidade que tem deixado marcas profundas na cidade.

Continua depois da publicidade

Somente nos primeiros seis meses de 2025, Divinópolis já contabilizou mais de 900 ocorrências envolvendo esse tipo de crime. Os dados, além de alarmantes, escancaram uma ferida social que precisa tratar com prioridade e ações concretas.

Agentes da Polícia Civil distribuíram panfletos, conversaram com motoristas e pedestres, além de fornecer orientações sobre como identificar e denunciar casos de violência.

Durante toda a ação, o lema “ Agosto Lilás: Quebre o ciclo da violência”  repetido e amplificado por todos os envolvidos, em uma tentativa de levar a mensagem para além da blitz e ecoar em cada casa, bairro e comunidade da cidade.

Importância do momento

A delegada Dra. Francielly Sifuentes, que acompanhou toda a ação, destacou com firmeza a importância do momento.

“Essas ações são de divulgação dos direitos da mulher, da importância da denúncia. Porque é através da denúncia que essa mulher notifica as autoridades sobre o que está acontecendo. Ela passa a ter acesso aos mecanismos de proteção previstos na Lei Maria da Penha e em outros instrumentos. Isso viabiliza o fim do ciclo de violência, porque sabemos que a violência doméstica é cíclica. Às vezes o casal vive momentos felizes, o agressor pede perdão e a violência retorna. Por isso, a mulher precisa estar consciente dos seus direitos e entender a importância de denunciar para quebrar esse ciclo.”

Ela também reforçou que a subnotificação ainda é um dos maiores desafios.

Continua depois da publicidade

“A falta de denúncias ainda é o maior problema. Muitas mulheres voltam, se retratam, retornam para os agressores e continuam sofrendo. É fundamental que elas se empoderem, que tomem consciência de que precisam decidir interromper o sofrimento e agir.”

A delegada pontuou ainda que é necessário ampliar os mecanismos de acolhimento, e citou o aplicativo Frida, que está temporariamente inativo em Divinópolis, mas tem grande potencial como ferramenta de orientação e denúncia.

Polícia Militar

A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) também teve participação ativa na blitz do Agosto Lilás e, segundo a cabo Flávia Mamede, o trabalho da corporação vai além do atendimento imediato à ocorrência. Ela explicou como funciona a Rádio Patrulha de Proteção à Mulher, destacando o papel da segunda resposta.

“Nós trabalhamos com a segunda resposta. Quando a vítima aciona o 190, a viatura ordinária presta o primeiro atendimento. Se o agressor estiver no local, é preso em flagrante e levado à Delegacia Civil. A vítima pode solicitar medida protetiva de urgência, mesmo que o autor não esteja mais no local”, explicou.

Cabo Flávia destacou que a Polícia Militar atua em parceria com outras instituições, formando uma rede de proteção integrada.

“Temos o apoio da delegada Francielly e de toda a rede, que envolve também o CRAS, o CREAS e a assistência social. Após o atendimento, visitamos a vítima e perguntamos se ela quer ser incluída no protocolo de segunda resposta, criado em 2010. O objetivo é claro: quebrar o ciclo da violência e mostrar que a vítima não está sozinha.”

Ela contou ainda um caso marcante.

“Recentemente, encerramos um protocolo com uma mulher que sofreu violência psicológica por 24 anos. Ela estava escondida na casa de uma amiga. Conseguimos contato, fizemos a visita e demos todo o suporte. O mais importante é que ela quis sair daquele ciclo, e isso mostra o poder da coragem.”

Violência doméstica tem múltiplas formas

Flávia enfatizou que não se trata apenas de violência física. A violência doméstica tem múltiplas formas, como psicológica, moral, sexual e patrimonial. Ela reforçou.

“É fundamental que a mulher entenda que não precisa chegar à agressão física para denunciar. O mais importante é ela querer sair da situação, e a PM está pronta para acolher e proteger.”

A cabo finalizou com um apelo. “Quero deixar claro, principalmente para a vítima: você não está sozinha. Sua coragem é o primeiro passo. E nós estamos aqui para dar apoio. Não vamos julgar, vamos ajudar.”

Canais de denúncia

Durante a blitz, foram também divulgados os canais de denúncia Disque 100 e 180 com denúncias anônimas e sigilosas. 190  para acionamento em casos de urgência e flagrante e atendimento presencial na Rua Pernambuco, 523, em Divinópolis.

Além da participação das polícias Civil e Militar, representantes de instituições de apoio à mulher também estiveram presentes, reforçando o papel coletivo que deve ser assumido por toda a sociedade. Denunciar, acolher, orientar e proteger formam os pilares que precisam ser fortalecidos diariamente.

Além disso, a campanha Agosto Lilás segue até o fim do mês com outras ações programadas em escolas, centros comunitários e redes sociais. Contudo, para que as estatísticas deixem de crescer, é necessário muito mais que um mês de mobilização. É necessário coragem, estrutura, empatia e principalmente, ação contínua e efetiva.

Portanto, em Divinópolis, o recado foi dado: a violência doméstica existe, machuca e, muitas vezes, mata. Mas, juntos, é possível interromper esse ciclo.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados